AGROSOFT 2002: AGÊNCIA DE INFORMAÇÕES
AGÊNCIA DE PRODUTOS E SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO
Kleber Xavier Sampaio de Souza
Embrapa Informática Agropecuária
1. DO QUE SE TRATA
A velocidade ascendente com que ocorrem as transformações nas sociedades contemporâneas tem acentuado a importância do tratamento e disseminação do conhecimento através de produtos de informação. Conforme aponta Pierre Lévy (2000, p.104) em seu livro As Árvores de Conhecimentos, embora a terra e o capital continuem a existir, é sobre o espaço do saber que se desenvolvem as estratégias dos atores sociais. O Livro Verde da Sociedade da Informação (Takahashi, 2000) também ressalta a importância do conhecimento na superação de desigualdades, agregação de valor, criação de emprego qualificado e propagação do bem-estar. Na agropecuária, as principais oportunidades se concentram na organização das cadeias produtivas e no fortalecimento das ações de pesquisa e transferência de tecnologia.
A disseminação da informação por meio eletrônico, cujo volume cresce exponencialmente, deve-se ? conjunção de três fatores principais (Takahashi, 2000): a convergência da base tecnológica, pela adoção da forma digital na geração e manipulação de conteúdos; a evolução na informática, que propicia processamento mais rápido a custos cada vez menores; e a evolução dos meios de comunicação, que tem permitido a expansão da Internet.
A Agência de Informações
O sucesso da Web como um espaço atrativo pode ser creditado principalmente ? implementação da idéia lançada pela primeira vez por Vanevar Bush em 1945 (Rada, 1991), chamada de hipertexto. Trabalhando por associação de objetos ao invés de simplesmente classificá-los hierarquicamente, os hipertextos operam de forma próxima ao modo como pensamos. Evidentemente, os hipertextos de Bush não eram associados aos navegadores de hoje, nem ? Internet, dado que esses não existiam, e sim ao conjunto de textos de várias pessoas que eram conectados entre si, formando o que ele chamava de macrotexto. O termo hipertexto somente foi cunhado em 1967, por Ted Nelson.
No entanto, ao se realizar uma busca em grandes portais de informação, observa-se que esses apresentam resultados de baixa revocação e baixa precisão . A melhoria da qualidade da informação recuperada não é uma tarefa simples, principalmente quando a relevância é associada ? correspondência entre o conceito que se procura, que é uma idéia, e as informações que estão armazenadas no sistema, que são símbolos. Não devemos esquecer que os computadores são máquinas de processamento simbólico e, assim sendo, os sistemas com os quais os usuários interagem operam no nível onde a relação entre o objeto representado e o signo (Peirce, 2000) usado para representá-lo é puramente arbitrária e convencional, fato apontado como corte semiótico (Tenório, 1998).
Adicionalmente, a sensível contradição entre qualidade e quantidade da informação, a que têm acesso os usuários desses sistemas, revela o alto nível de entropia que esses possuem. Para reduzi-lo, os sistemas deveriam interagir com seus usuários de forma a obter o necessário feedback para que pudessem evoluir contínua e autonomamente.
A redução da entropia de um sistema pressupõe o dispêndio de energia na reorganização contínua do mesmo. Como, neste caso, a entropia é causada pelo corte semiótico, esta energia a ser adicionada ao sistema deve ser injetada na redução da diferença entre o conceito que se procura e o que efetivamente se encontra.
Na proposta da Agência de Informações, a solução para a redução desse problema é realizada de duas formas. A primeira delas é a catalogação em metadados das unidades de informação ; e a segunda é a adoção de uma ontologia comum aos elos de pesquisa, produtores de informação e consumidores. Ontologia, conforme acepção utilizada por Holsapple e amp; Joshi (2002), é uma especificação explícita de uma visão abstrata de um mundo que se deseja representar. Desta forma, se constrói uma linguagem compartilhada para o intercâmbio e reuso de conhecimentos. A materialização deste conceito se dá com o estabelecimento de uma árvore de conhecimentos, unindo os conhecimentos de pesquisadores, técnicos extensionistas e agricultores.
A árvore de conhecimentos é adotada em todos os momentos no sistema: na criação da estrutura de navegação, na navegação do usuário final e na geração do conteúdo de cada um dos nós pelos quais um usuário navega. Para facilitar a incorporação dessa ontologia, utilizou-se a representação em árvore hiperbólica (ver Figura 1).
A vantagem da representação hiperbólica é que ela pode ser utilizada tanto como um mapa do site quanto como uma ferramenta de navegação. À medida em que se clica em um nó, a página associada é aberta em uma nova janela do navegador. Esta técnica de visualização fornece uma visão geral da estrutura do site, mostra ao visitante a localização corrente em relação ao panorama geral, e é altamente escalável (Lamping e amp; Rao, 1994), permitindo sites com milhares de nós.
Além da árvore de conhecimentos, existe uma outra estrutura informacional que deve ser representada no sistema Agência: os recursos eletrônicos, os quais, em sua grande maioria são conteúdos do estoque de informação gerada pelas atividades de pesquisa e desenvolvimento. Para cada recurso, associa-se um registro expresso em metadados, definidos estes como um conjunto de elementos descritivos dos atributos e conteúdo de um documento original (Milstead e amp; Feldman, 1999). A representação da informação através de metadados obedece o padrão internacional Dublin Core (Dublin Core Metadata Initiative, 2000), concebido sob os auspícios da Online Computer Library Center (OCLC) e referendado pelo The World Wide Web Consortium (2002).
As informações no sistema estão organizadas em três dimensões: pela árvore de conhecimentos, pela categorização de assuntos usando o padrão AGRICOLA (National Agricultural Library, 1999), que também pode ser expressa como uma árvore, e por tesaurus como o Agrovoc (FAO, 1995) e THESAGRO (Brasil, 1999). Assim, podemos expressar cada recurso catalogado como um conjunto de pontos em um eixo tridimensional, conforme ilustrado na Figura 2. Este conjunto de pontos será tanto maior quanto mais vezes um documento seja associado aos nós da árvore, ou quanto mais palavras dos tesauri forem utilizadas na catalogação.
Figura 1: representação hiperbólica da árvore de conhecimentos em gado de corte
Figura 2: Organização do conhecimento na Agência de Produtos e Serviços
Os recursos são associados a um determinado nó da árvore como informações complementares ao conteúdo que se está tratando naquele nó, de modo que ao se acessar o nó, seus recursos associados possam ser vistos de imediato. Além disto, os recursos são reusáveis, podendo um mesmo recurso ser apontado a partir de múltiplos nós da árvore.Processo de Organização
A construção e manutenção de um sistema de gestão de conteúdo, como a Agência, envolve várias etapas, das quais estão enumeradas abaixo apenas as de nível mais macroscópico:
- Definição da estrutura da árvore de conhecimentos do domínio a ser considerado;
- Seleção dos recursos (documentos, fotos, vídeos, figuras, tabelas e bancos de dados) relevantes ao tema, inclusive do ponto de vista temporal, pois algumas informações podem estar ultrapassadas;
- Obtenção de autorização, junto aos autores, para a publicação dos recursos selecionados;
- Digitalização dos recursos que não estiverem em formato digital;
- Tratamento dos recursos para conformidade com os padrões estabelecidos;
- Associação dos recursos aos nós da árvore. Em qualquer momento um recurso pode ser vinculado ou desvinculado, caso deixe de ter relevância;
- Publicação do site.
- Instituir programas específicos para a alfabetização digital de produtores rurais, através de parcerias com as associações de produtores;
- Instituir programas específicos de pesquisa nas agências de fomento para processamento automático da informação em nível semântico dos conteúdos existentes e para a busca de formas alternativas de visualização da informação na Web;
- Fomentar a criação de grupos de estruturação do conhecimento e de padronização de intercâmbio de informações, especialmente no que se relaciona ? s cadeias produtivas;
- Desenvolver parcerias com organismos internacionais e promover a participação de técnicos brasileiros na definição de padrões de metadados a serem utilizados globalmente;
- Promover a estruturação de sistemas de informação na Internet que disseminem conteúdos em língua portuguesa para os vários segmentos que compõem o agronegócio, especializados em áreas como pesquisa, integração de cadeias produtivas, sistemas de produção, genoma, automatização agrícola, zoneamento agroclimatológico, risco climático, dispersão de pragas e crédito agrícola, entre outros.
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