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No Geoparque de Caçapava do Sul (UNESCO), a Fazenda Santa Marta nos ensina que a tradição e a ciência caminham juntas. Com três especialistas na família (zootecnista e agrônomos), eles elevam a criação da raça Ideal a um novo patamar. Criar ovelhas para venda de lã. Essa é a realidade de gerações na região da campanha gaúcha. Mas agora vocês vão conhecer um casal que vai além. Além de fazer esta criação, eles também fazem o beneficiamento da lã. E o mais interessante, utilizando para o tingimento plantas daninhas do pasto. Olhando assim, parece que a propriedade não tem muito a oferecer. Em Caçapava do Sul, na área das guaritas do geoparque chancelado pela UNESCO, a paisagem é dominada por pedras que guardam milhões de anos de história. A pastagem nativa é teimosa, ou seria pedra, porque as duas disputam espaço a cada metro quadrado. A criação na fazenda Santa Marta vem desde a época do avô do Jorge, mais conhecido pelo apelido de preto. São bovinos conciliados com ovinos. O segredo para prosperar é a ciência. Dos cinco membros da família, três são especialistas, uma filha zootecnista e dois agrônomos. Eles aplicam o melhoramento genético da raça ideal, a mesma criada há três gerações, mas agora com foco na dupla aptidão, 60% lã e 40 carne. A fazenda utiliza monta natural, mas de forma escalonada. As fêmeas são colocadas com o reprodutor em datas diferentes. O objetivo evitar que todos os cordeiros nasçam ao mesmo tempo. As ovelhas vivem estritamente a pasto nativo, que confere um sabor diferenciado à carne. A propriedade que está em espólio tem ao todo 380 hectares. 170 são de reserva legal, ou seja, mais de 1/3 da área. O manejo regenerativo eliminou invasoras como capim annoni e as roçadas respeitam o tempo da própria terra para garantir a semeadura natural do campo. O desafio agora é o hídrico. Toda esta dedicação rendeu o selo Aliança del Pastizal. É o reconhecimento internacional que a Santa Marta produz preservando as aves e a vegetação original do Pampa. O manejo dos animais é feito pelo preto com ajuda inseparável do cachorro Cloves. A esquila das ovelhas acontece no verão. A regra aqui é o bem-estar animal através do método Talli hy. A ovelha é manejada solta em posições que mantém o animal relaxado e a pele esticada. As ovelhas passam por micronagem, o que permite o envio de amostras individuais para os compradores, garantindo a transparência na qualidade da fibra. Cerca de 15% da produção de lã é absorvida na novelaria montada pela Marta. Dependendo da espessura do fio, a produção varia entre 500 g e 1 kg/h. E se o manejo do animal é ético, a finalização da cor é poética. A paleta de cores da novelaria não vem de tubos químicos, mas da própria terra. Plantas consideradas invasoras como a carqueja ou espinhos como São João são arrancados para o tingimento, unindo limpeza do cambo e biodiversidade. Cada fio carrega literalmente o DNA e os tons da terra de onde vieram. A maioria tem como destino o próprio Rio Grande do Sul e também São Paulo. A consultoria técnica dos próprios filhos e o apoio de órgãos como Emater, SENAR e a Universidade Federal de Santa Maria é o que transforma a tradição em um negócio viável e sustentável.
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