Especialista português destaca Agrosoft 2004 como oportunidade única nas relações estratégicas entre empresas brasileiras e

Em entrevista ao Portal Agrosoft, Miguel de Castro Neto, executivo da Agri-Ciência, empresa de consultoria portuguesa especializada na estratégia, planejamento e gestão de negócios agrícolas e de tecnologias de informação, fala sobre a importância do Agrosoft 2004 no estreitamento das relações entre empresas européias e brasileiras de rastreabilidade e segurança alimentar.

Castro Neto também destaca a crescente preocupação dos portugueses e europeus com a segurança alimentar e alerta os produtores brasileiros, especialmente os agropecuaristas, para terem uma atitude pró ativa: “aqueles (produtores) que conseguirem colocar a disposição dos consumidores produtos perfeitamente identificados e com um percurso do produtor ao consumidor totalmente transparente terão uma vantagem competitiva incontornável”. A Agri-Ciência é parceira do Agrosoft 2004, sendo responsável pela organização do evento em Portugal.

PORTAL AGROSOFT: Na sua opinião, qual a importância do Agrosoft 2004 – Rodada Internacional de Negócios, no estreitamento das relações entre empresas européias e brasileiras na área de rastreabilidade e segurança alimentar? Qual a importância do evento está sendo realizado em Portugal?

MIGUEL DE CASTRO NETO: A Europa em geral e Portugal em particular têm vindo a tornar-se um mercado importador de carne de bovino brasileira cada vez mais importante o que, face ? s crescentes preocupações com a higiene e segurança alimentar que vieram reforçar as questões relacionadas com a rastreabilidade, coloca o Agrosoft 2004 no local de encontro privilegiado para os agentes que, em Portugal e no Brasil, se movimentam neste setor de atividade. Assim, este evento, ao reunir os intervenientes portugueses e brasileiros no campo da rastreabilidade da carne de bovino será, sem dúvida, uma oportunidade única não só para trocar experiências, mas principalmente para lançar as sementes de relações de parceria estratégicas, suportadas por interesses e língua comuns, tornando-se Portugal a porta de entrada privilegiada para o mercado europeu.

PORTAL AGROSOFT: Como a Agri-Ciência estará contribuindo para a efetivação dos objetivos do evento?

MIGUEL DE CASTRO NETO: A Agri-Ciência, enquanto empresa de consultoria para o setor agrícola, tem particular interesse na utilização das tecnologias de informação e comunicação como infra-estrutura de suporte a soluções de rastreabilidade, tendo já efetuado algumas incursões exploratórias nesta temática. Neste contexto, a Agri-Ciência considerou a realização deste evento uma oportunidade única para dinamizar a questão da rastreabilidade no setor em que desenvolve a sua atividade, tendo apostado no apoio a esta iniciativa. Esperamos que o Agrosoft 2004 venha a reunir os principais “players” nacionais com os congéneres brasileiros, nomeadamente representantes das instituições de ensino e de investigação, de empresas transformadoras, de entidades certificadoras, de empresas de tecnologias de informação e de investidores.

PORTAL AGROSOFT: Que recado o Senhor daria aos agropecuaristas brasileiros para que eles possam estar se inserindo de maneira sólida no exigente mercado europeu de alimentos?

MIGUEL DE CASTRO NETO: Conforme referi, as crescentes preocupações com a higiene e segurança alimentar que se manifestam atualmente no espaço europeu exigem dos produtores em geral uma resposta muito forte em termos de gestão de informação e de transparência do processo produtivo. De fato, num mercado com consumidores cada vez mais atentos e mais preocupados com a sua dieta alimentar, aqueles que conseguirem colocar ao seu dispor produtos perfeitamente identificados e com um percurso do produtor ao consumidor totalmente transparente terão uma vantagem competitiva incontornável. Se é verdade que a nível europeu a legislação em vigor já regulamenta muitas destas questões, também é verdade que as exigências efetuadas sobre a carne importada ainda não são tão fortes, mas acreditamos que será apenas uma questão de tempo até que através dos acordos de comércio internacional, isto venha a acontecer. Assim, aqueles que tiverem uma atitude pró ativa e preparem esta mudança inevitável conseguirão obter uma vantagem concorrencial que poderá marcar a diferença entre o sucesso e o fracasso.

PORTAL AGROSOFT: Discorra sobre a Agri-Ciência e suas atividades no meio rural.

MIGUEL DE CASTRO NETO: A Agri-Ciência é uma empresa de consultoria que iniciou a sua atividade em fevereiro de 2000. A sua missão é apoiar os seus clientes na melhoria e no progresso das suas atividades, através da prestação de serviços de auditoria e consultoria técnica e econômica nas áreas da estratégia, do planeamento e gestão, da programação operacional e das novas tecnologias de informação e comunicação, formação e marketing. A Agri-Ciência é constituída por uma equipa multidisciplinar, cujos elementos são altamente qualificados e cuja competência é reconhecida no setor em que trabalham. A nossa empresa tem realizado uma série de projetos tais como: diagnóstico de análise estratégica de empresas, planos de desenvolvimento agrícola regional, avaliações de propriedades agrícolas, análise e avaliação de projetos de investimento, estudos de impacto ambiental (uso do solo e atividades agrícolas), desenvolvimento de estratégias na Internet, bases de dados relacionais, sistemas de informação geográfica, formação (marketing, boas práticas agrícolas e tecnologias de informação) e marketing e comercialização (estudos de mercado).

Fonte: Portal Agrosoft

Agrosoft 2002 – Brasília

O Agrosoft 2002 aconteceu em Brasília, na sede da Embrapa, nos dias 26 e 27 de abril de 2002. O evento foi organizado pelo Agrosoft e teve a estreita colaboração da Embrapa e do Soc Info, e constou de dois eventos em sequência: Workshop e “O Agronegócio na Sociedade da Informação” e o Seminário  “Gestão da Informação no Agronegócio“.

WORKSHOP
O AGRONEGÓCIO NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

Discutir os impactos da informática e das telecomunicações, as chamadas Tecnologias da Informação e Comunicações, sobre o agronegócio foi o objetivo de um grupo de pessoas atuantes no setor e preocupadas com o futuro do Brasil nesta área de grande importância social, econômica e ambiental.

Sob demanda do programa Sociedade da Informação, o Agrosoft com apoio da Embrapa, organizou no dia 26 de abril de 2002, em Brasília, uma oficina de trabalho, um Workshop, para debater o Agronegócio na Sociedade da Informação cujos resultados e desdobramentos estão aqui neste site.

Os oito Grupos Temáticos constituídos e seus respectivos coordenadores são listados a seguir. Para conhecer o documento de referência de cada um, basta clicar no título do Grupo Temático abaixo:

Tema 1: Agricultura de Precisão
Lúcio André de Castro Jorge – Embrapa Instrumentação Agropecuária
André Torre-Netto- Embrapa Instrumentação Agropecuária

Tema 2: Rastreabilidade
Claudio Nápolis Costa – Embrapa Gado de Leite
Kepler Euclides Filho – Embrapa Gado de Corte

Tema 3: Educação a Distância
André Luiz Zambalde – Universidade Federal de Lavras

Tema 4:  Comércio Eletrônico
Arlindo Jorge Júnior – CEASA / Campinas

Tema 5: Gestão da Cadeia Agroindustrial
Mário Otávio Batalha – Universidade Federal de São Carlos
Moacir Scarpelli – Universidade Federal de São Carlos

Tema 6: Gestão de Fazendas e Cooperativas

Gestão de Fazendas e Cooperativas I
Luiz Carlos Takao Yamaguchi – Embrapa Gado de Leite
Claudio Nápolis Costa – Embrapa Gado de Leite
Limírio de Almeida Carvalho – Embrapa Gado de Leite

Gestão de Fazendas e Cooperativas II
Roberto Max Protil – PUC Paraná

Tema 7: Agência de Informações
Kleber Xavier Sampaio de Souza – Embrapa Informática Agropecuária

Tema 8: Cooperação Internacional
Carlos Arthur Barbosa da Silva – Universidade Federal de Viçosa

SEMINÁRIO GESTÃO DA INFORMAÇÃO NO AGRONEGÓCIO
Seu objetivo foi mostrar, na prática, como as tecnlogias da informação e comunicações podem ser usadas para melhorar a formação de recursos humanos e as atividades produtivas e comerciais no agronegócio. Palestras apresentadas:

Ensino a Distância na Prática
Prof. Paulo Villela – Universidade Federal de Juiz de Fora / Agrosoft

Mini Curso Virtual: Internet na Agropecuária
Prof. André Zambalde – Universidade Federal a Distância

Mini Curso Virtual: Gestão Informatizada de Fazendas
Abel Fernandes – Vale Verde Informática / Agroescola

Rastreabilidade de Bovinos na Prática
Leandro Ries – SIRB / Planejar

Agrocomércio Eletrônico na Prática
Arlindo Jorge Júnior – CEASA / Campinas

Mini Curso Virtual: Dinâmica de Sistemas Agroindustriais
Prof. Paulo Villela – Universidade Federal de Juiz de Fora / Agrosoft

Gestão da Informação em Cooperativas Agropecuárias
Roberto Max Protil – PUC Paraná

REALIZAÇÃO

   

PATROCINADORES

          

Agrosoft 2002: O Agronegócio na Sociedade da Informação

O AGRONEGÓCIO NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

Paulo Roberto de Castro Villela
Universidade Federal de Juiz de Fora
Agrosoft – Softex

RESUMO

Este artigo reproduz seletivamente as principais conclusões do Workshop O Agronegócio na Sociedade da Informação realizado em 26 de abril de 2002, em Brasília, organizado pelo Agrosoft e Sociedade da Informação, com apoio da Embrapa. O evento foi estruturado de modo a permitir que especialistas colocassem, num primeiro momento, seus pontos de vista sobre os impactos da tecnologia da informação (TI) no agronegócio, perante uma platéia constituída por cerca de 20 pessoas que contribuiram com opiniões e sugestões. Em seguida, os documentos originados do evento foram publicados na Internet em www.agrosoft.com.br/ag2002/workshop o que permitiu a qualquer interessado postar seus comentários a respeito das posições apresentadas.

Os temas abordados e seus respectivos coordenadores foram os seguintes:

Tema 1: Agricultura de Precisão
Lúcio André de Castro Jorge – Embrapa Instrumentação Agropecuária
André Torre-Netto- Embrapa Instrumentação Agropecuária

Tema 2: Rastreabilidade
Claudio Nápolis Costa – Embrapa Gado de Leite
Kepler Euclides Filho – Embrapa Gado de Corte

Tema 3: Educação a Distância
André Luiz Zambalde – Universidade Federal de Lavras

Tema 4:  Comércio Eletrônico
Arlindo Jorge Júnior – CEASA / Campinas

Tema 5: Gestão da Cadeia Agroindustrial
Mário Otávio Batalha – Universidade Federal de São Carlos
Moacir Scarpelli – Universidade Federal de São Carlos

Tema 6: Gestão de Fazendas e Cooperativas

Gestão de Fazendas e Cooperativas I
Luiz Carlos Takao Yamaguchi – Embrapa Gado de Leite
Claudio Nápolis Costa – Embrapa Gado de Leite
Limírio de Almeida Carvalho – Embrapa Gado de Leite

Gestão de Fazendas e Cooperativas II
Roberto Max Protil – PUC Paraná

Tema 7: Agência de Informações
Kleber Xavier Sampaio de Souza – Embrapa Informática Agropecuária

Tema 8: Cooperação Internacional
Carlos Arthur Barbosa da Silva – Universidade Federal de Viçosa

1. ABORDAGEM TEMÁTICA

1.1 – AGRICULTURA DE PRECISÃO

 Tradicionalmente, com o crescimento da mecanização da aplicação de adubos e defensivos, as práticas agrícolas modernas têm sido feitas com base nos valores médios dos parâmetros de cultivo. Assim é comum que as recomendações técnicas sejam especificadas, por exemplo, em quantidade de insumos por hectare, sem considerar as variações espaciais e temporais da cultura em análise. Em conseqüência, o normal na agricultura tradicional é que algumas áreas do terreno recebam uma quantidade de insumos maior do que o realmente necessário e outras uma quantidade menor. Idealmente, cada área deveria receber estritamente a quantidade adequada de insumos, nem mais e nem menos. A essência da agricultura de precisão é a contínua obtenção de informações espacialmente detalhadas da cultura seguida da utilização adequada dessas informações para otimizar o manejo. Ou seja, com a agricultura de precisão define-se como aplicar no local correto, no momento adequado, as quantidades de insumos necessários ? produção agrícola, para áreas cada vez menores e mais homogêneas.

O uso racional dessas tecnologias, utilizadas como ferramentas de acompanhamento, controle e análise, permitem determinar qual, quando e onde o insumo deve ser aplicado e como fazê-lo. Portanto, a quantificação da variabilidade espacial permitindo identificar sítios específicos com diferentes potenciais de produtividade, pode determinar ou não, desde que econômica e tecnicamente viáveis, investimentos em insumos ou na correção de fatores limitantes ? produção, visando a maximização da produtividade e minimização dos impactos ambientais.

Nos implementos agrícolas, os chamados Sistemas de Posicionamento Global (GPS – Global Positioning Systems) e toda sorte de eletrônica embarcada constituída de sensores, interfaces e computador, geram mapas de produtividade, do teor de matéria orgânica, da topologia, entre outros mapas de interesse. Algumas propriedades do solo, como indicadores de fertilidade e o tipo do solo, são obtidas através da análise de amostras retiradas manualmente de quadrículas. Outros parâmetros ainda podem ser obtidos por rede de sensores estáticos, sensoriamento remoto ou ainda fotos aéreas. A próxima etapa, a análise e interpretação dos mapas, é feita fora do campo. Programas de gerenciamento de base de dados georreferenciados (GIS), de geoestatística e de simulação e modelamento são usados como sistemas de suporte de decisão. O resultado de todo esse processamento são mapas de tratamento, os quais são transferidos para os implementos que atuam na etapa de controle das diversas operações de campo. Nesta etapa, novamente o GPS e a eletrônica embarcada são fundamentais para o acionamento de válvulas, bombas e aplicadores, com base nos mapas de tratamento.

Espera-se com a agricultura de precisão, em princípio, resultados de ordem econômica, mas as vantagens em termos de impacto ambiental são conseqüências da sua adoção. A aplicação de agroquímicos, de acordo com necessidades específicas espacialmente determinadas, deve levar ao uso racional de tais insumos. Assim, espera-se, além da maior margem de lucro pela redução dos gastos com esses produtos, também o benefício ambiental em termos da redução de resíduos nas culturas e diminuição da contaminação do lençol freático por percolação. Desse ponto de vista, a Agricultura de Precisão é a grande proposta atual para resolver o equacionamento da máxima produtividade com mínimos danos ambientais.

Não obstante com toda essa sustentação tecnológica, ainda há áreas necessitando de muito desenvolvimento para que a agricultura de precisão possa se consolidar como uma solução ampla e plenamente viável. Tais oportunidades podem ser classificadas como de cunho geral e de cunho específico. Entre as de cunho geral, destacam-se duas grandes frentes. Uma é o desenvolvimento de novos sensores e adaptação de sensores existentes que permitam a obtenção dos diversos mapas de parâmetros de forma cada vez mais eficiente e confiável. A outra é o desenvolvimento de programas e estratégias que possibilitem maior integração dos dados adquiridos, facilitando assim a interpretação e análise dos mapas e consequentemente tornando mais efetivo o manejo localizado. Entre as de cunho específico, também se evidenciam duas linhas de pesquisa. A primeira é o desenvolvimento de sistemas dirigidos para culturas perenes, como a citricultura e a cafeicultura, desde a etapa de obtenção de mapas de produtividade. A segunda, de grande importância ambiental, é a implementação de sistemas para a aplicação espacialmente diferenciada da água de irrigação e de produtos químicos.

Apesar do notável suporte tecnológico que alavanca a agricultura de precisão, há inúmeras oportunidades em instrumentação e automação nessa área, bem como em sistemas inteligentes para tomada de decisão, através da mineração de dados e fusão de sensores. Tais oportunidades são ainda maiores se considerada a rastreabilidade da produção agrícola, que é uma necessidade e exigência relativamente recente do mercado pelo alimento seguro e ambientalmente correto e um desafio para o futuro próximo, mas, que tem em comum várias tecnologias com a agricultura de precisão.

 

1.2 – RASTREABILIDADE

 Há um consenso universal de que o agronegócio recebeu grande impacto com as várias crises de alimentos observadas nos últimos anos. Os problemas causados pelos surtos de febre aftosa e pela encefalopatia espongiforme bovina (BSE) ou doença-da-vaca-louca, seguidos pela polêmica discussão e incertezas sobre os efeitos dos alimentos geneticamente modificados, além de contaminações microbiológicas, resíduos químicos, pesticidas, hormônios etc., têm introduzido algumas complicações nos aspectos de controle da segurança alimentar. Os consumidores estão cada vez mais exigentes quanto a aparência dos produtos, qualidade nutricional e fitossanitária, palatabilidade e resíduos de defensivos, entre outros parâmetros. Há necessidade de atender ao controle de qualidade e origem dos produtos alimentares disponibilizados para compra, implementando-se transparência nas condições de sua produção e comercialização.

Há também consenso de que a garantia de segurança alimentar e a redução de obstáculos ao comércio devem ser encaminhadas por um processo de harmonização das regulamentações sobre alimentos, padrões de qualidade e orientações normativas. O registro da identificação de animais que entram na cadeia de alimentos humanos é obviamente importante e tem de ser encaminhada por todos os países internamente e também internacionalmente devido ao crescente movimento de produtos alimentares, animais e germoplasma. Esta demanda tem provocado o estabelecimento de normas e legislação adicional nas áreas de rastreabilidade e rotulagem dos alimentos.

A rastreabilidade significa que cada segmento da cadeia alimentar pode seguir o rastro de um alimento e conhecer toda a sua história, antes e depois deste segmento: saber sua procedência, por onde passou, etc. A rastreabilidade significa, portanto, maior informação e responsabilidade, e exige a aplicação de um sistema eficaz de identificação do produto, desde a sua produção até a sua comercialização. A rastreabilidade é uma garantia de segurança alimentar, já que facilita localizar e imobilizar ou se retirar do mercado os animais ou produtos alimentares, no caso de se detectar um provável perigo, ações estas que exigem rapidez. O controle e a avaliação, e o tempo de resposta para qualquer problema sanitário de origem animal requerem o acesso imediato a registros completos e precisos sobre os animais. Qualquer programa de controle para ser bem-sucedido necessita de um sistema que se baseia na identificação do animal durante toda a sua vida. Esta identificação permite monitorar o animal em qualquer momento em seu ciclo produtivo, bem como rastrear as suas condições de produção e manejo, para eventual, senão necessária, investigação, caso se observe que era portador de alguma doença, quando de seu abate.

Na concepção moderna de produção de alimentos é importante, senão indispensável, que se viabilize a possibilidade de seu rastreamento. A União Européia, por meio da Resolução CE 820/97, exige que todo o processo de produção da carne esteja inserido em um programa de identificação e registro que possibilite o levantamento de todas as informações sobre o animal, desde o seu nascimento até o consumo do produto final. Tal Resolução atinge tanto os produtores e indústrias da Europa quanto os países dos quais importa. Outros países como a Coréia e Japão também adotam essa exigência e, com o advento irreversível da globalização, verifica-se tendência mundial nesse sentido.

A demanda por competitividade e a tendência de modernização dos sistemas de produção em busca da melhoria da eficiência é conseqüência direta da abertura de mercados e da economia e da informação globalizada reinante atualmente. Neste contexto, a informação assume importância vital para os diversos segmentos da cadeia produtiva da carne bovina, especialmente para o setor de produção primária, uma vez que este é o elo que se encontra menos preparado para as mudanças que têm sido impostas. Este setor, além de possuir pouca tradição no uso de informações, é carente no tocante ? coleta de dados e, principalmente, no tratamento dos dados coletados.

Para suprir a necessidade de apropriação, tratamento, depuração e escolha das informações disponíveis, bem como do estabelecimento de novas demandas para alimentação do processo, há necessidade de um esforço efetivo no que diz respeito ? qualificação de pessoal. Estes treinamentos devem enfatizar tanto os aspectos operacionais quanto os gerenciais, passando pelos setores de coleta, depuração e tratamento de dados e utilização das informações disponíveis ou produzidas dentro do próprio sistema de produção. Com certeza pode-se concluir que a informação será cada vez mais necessária no setor de produção primária e deverá englobar não só os aspectos relacionados com conhecimentos e tecnologias, mas também as questões de mercado de perfil de consumidor e de demandas a serem atendidas.

Por outro lado, um sistema nacional de registro sanitário de rebanhos leiteiros comparável com sistemas existentes na América do Norte ou Europa não existe no Brasil. Não há estatísticas que permitam caracterizar a incidência e prevalência de doenças infecciosas, importantes para o monitoramento e controle do estado sanitário do rebanho. Os programas de controle sanitário envolvem medidas preventivas, vacinações para determinadas doenças e exames de rotina nos animais, associadas a outras práticas de manejo da alimentação, reprodução, etc. O monitoramento da sanidade é realizado sobre os animais, e, por extensão, sobre os rebanhos e as populações. Os registros individuais dos animais são essenciais para se identificar e caracterizar eventuais problemas e a sua natureza. Neste sentido, avaliações rotineiras permitem o diagnóstico de doenças clínicas e subclínicas, e o seu registro viabiliza o monitoramento e análise dos problemas de saúde do rebanho.

Recentemente, o governo brasileiro por meio de instrução normativa elaborada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento estabeleceu as normas do SISBOV – Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina, que tem como objetivo identificar, registrar e monitorar, individualmente, os bovinos e bubalinos nascidos no Brasil ou importados. O SISBOV constitui-se de uma série de ações, medidas e procedimentos para caracterizar a origem, o estado sanitário, a produção e a segurança dos produtos de origem bovina ou bubalina, procurando regulamentar o rastreamento no país. Esta iniciativa brasileira é resultado de uma demanda que se iniciou na União Européia e vem se expandindo entre os principais países e regiões de produção e importação. Neste contexto têm sido estabelecidos os códigos de comercialização internacional da carne bovina, observando-se os requerimentos sanitários como garantia ? sua segurança para o consumo.

As orientações normativas do SISBOV caracterizam as regras para credenciamento de entidades certificadoras do sistema de rastreabilidade. Para seu atendimento a certificadora deverá estruturar um sistema ou banco de dados, para gerenciar um conjunto de informações, por rebanho, com identificação individual de cada animal e seu rebanho de origem, o mês de nascimento ou data de seu ingresso na propriedade, sexo, aptidão, sistema de criação e de alimentação, e informações referentes ao controle sanitário a que o animal foi submetido. Para cada animal a ser incluído no Sisbov, deverá ser emitido um Documento de Identificação do Animal (DIA), sendo necessário o registro de todas as movimentações do animal até o abate e/ou morte. A indústria frigorífica deverá se responsabilizar pelo abate e, em alguns casos, pelo preparo dos cortes, além de garantir a higiene em todo o processo e o envio do DIA ao Serviço de Inspeção Federal do MAPA. No caso de ocorrer morte natural, acidental ou mesmo sacrifício do animal, fica sob a responsabilidade do proprietário devolver o DIA ? certificadora ao qual ele está associado. Quanto ao setor de distribuição, este deve garantir a manutenção da qualidade do produto, sendo ainda importante que ajude na definição do perfil do consumidor, contribuindo para a distribuição e aplicação de questionários que após avaliados terão seus resultados discutidos e analisados com todos os segmentos da cadeia produtiva.

Embora as orientações normativas do Sisbov tenham apresentado as regras para credenciamento de entidades certificadoras do sistema de rastreabilidade, não foram caracterizadas as especificações do instrumento de identificação dos animais (estrutura do próprio código de identificação animal, independentemente do dispositivo utilizado, por exemplo, brinco ou chip eletrônico) e, ainda, a forma de integração das informações oriundas das diversas certificadoras credenciadas, em um único banco de dados, de caráter nacional.

 

1.3 – EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

O Ensino a Distância é definido como uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação (texto impresso, radiodifusão, telefone/fax, fitas cassete e de vídeo, CDs, internet, videoconferência, internet2, etc.), utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação. As bases legais do Ensino a Distância no Brasil foram estabelecidas por um conjunto de Leis, Normas, Decretos e portarias.

O princípio metodológico básico é o seguinte: O material escrito (apostilas) com as informações técnicas, exercícios práticos e instruções é encaminhado ao aluno pelo correio ou pela Internet, obedecendo cronograma pré-estabelecido para cada curso. Informações técnicas complementares podem ser solicitadas por correio, fax, telefone ou internet aos professores responsáveis pelo módulos/disciplinas. São realizados um ou dois encontros técnicos presenciais ao ano, com duração média de uma semana cada. Certificado de conclusão, com Título de Especialista, é conferido pelas instituições, ? queles que cumprirem as exigências legais, incluindo aprovação em monografia.

O EAD no agronegócio encontra-se atualmente fundamentado em duas modalidades de cursos: extensão e pós-graduação lato sensu e em três modos ou suportes de informação: material impresso, fita de vídeo e mídia digital (CDs e Internet). As principais áreas e temas dos cursos oferecidos são: administração rural, gestão da informação no agronegócio, biotecnologia, gestão agroindustrial, agricultura de precisão, agrocomércio eletrônico, rastreabilidade de bovinos, informatização da empresa, engenharia e manejo de irrigação, gestão de recursos hídricos, proteção de plantas, fruticultura, agricultura tropical, caprinocultura, tecnologia de sementes, controle de incêndios, produtos veterinários, desenvolvimento sustentável, legislação agrícola, manejo de pastagens, nutrição de plantas, sensoramento remoto, plantio direto, toxicologia animal, bovinocultura leiteira, farmacologia, gestão e manejo ambiental, solos e meio ambiente, qualidade de alimentos de origem vegetal e animal, fertilidade do solo, manejo de doenças e pragas, máquinas agrícolas, pós-colheita, qualidade de carne, leite, ovos e pescado, fontes alternativas de energia e eletricidade na agropecuária.

Deve-se buscar a capacitação dos profissionais do agronegócio na geração, aplicação e uso das tecnologias de informação e comunicação, principalmente aquelas relacionadas ao ensino e difusão da informação e do conhecimento a distancia. A inclusão de disciplinas como Informática básica e Informática Aplicada a Agronomia, Zootecnia, Engenharia Florestal, Medicina Veterinária, Administração Rural, entre outras, deve ser uma componente da reforma curricular que hora se inicia nas escolas e universidades em função de exigências da LDB. O oferecimento de um percentual de disciplinas tradicionais destes cursos na modalidade a distância pode despertar o interesse, a motivação e a conscientização dos alunos sobre as oportunidades do EAD e de ferramentas de difusão da informação e do conhecimento.

No que diz respeito ? s Cooperativas, ? Agroindústria e ? s grandes Corporações do Agronegócio, tem-se que as mesmas necessitam investir em capacitação de pessoal e gestão do conhecimento. Neste sentido, deve-se encontrar uma maneira para que as mesmas possam implementar cursos de formação, aperfeiçoamento e especialização baseados em módulos impressos e Internet.

O grande desafio para uso intensivo de tecnologias de informação e comunicação no ensino e difusão da informação e do conhecimento no setor do agronegócio é o de implantação de infra-estrutura adequada, em instituições de ensino e pesquisa e no campo. Esta infra-estrutura compõe-se de: telefonia rural e/ou transmissão satélite e conectividade em rede a baixo custo (linhas telefônicas e enlaces dedicados de internet, antenas parabólicas para recepção de sinais de TV e Internet, e computadores); salas de produção de conteúdos adequados ? difusão em massa (rádio, tv e vídeo), ? elaboração de material impresso (editoração e impressão) ou computacional (laboratórios multimídia e redes de computadores).

 

1.4 – COMÉRCIO ELETRÔNICO

A CEASA Campinas foi fundada em 1972 e entrou em operação em 1975 e é hoje uma das instituições pioneiras no uso da TI em apoio ? s atividades de comercialização de seus produtos. A CEASA, como entreposto atacadista, é um ponto de concentração física da produção de hortigranjeiros e flores, oriunda de diversas regiões do país. A comercialização se dá pelo contato direto de vendedores e compradores (na sua maioria, varejistas de hortigranjeiros, além de atacadistas de outras praças, ou clientes institucionais, como restaurantes, hotéis, hospitais, etc. A negociação de cada produto normalmente tem como base a quantidade do mesmo que deu entrada no mercado no dia, quantidade esta que, em última instância, irá determinar os preços a serem praticados, em confronto com a demanda pelo produto naquele dia. Esse processo de e quot;formação do preço e quot; acontece com razoável eficiência, uma vez que a estrutura da CEASA e a localização dos diversos boxes e módulos estimula a concorrência e possibilita aos agentes envolvidos nas negociações uma noção precisa da disponibilidade ou não de cada produto no dia, permitindo que as decisões sejam tomadas com segurança.

Se a estrutura física apresenta méritos indiscutíveis, a comercialização em si está marcada por uma série de ineficiências, que representam custos adicionais significativos no segmento atacadista da comercialização. Nesse sentido, um aspecto a ser ressaltado é o do conservadorismo que caracteriza os comerciantes instalados nos entrepostos, onde os níveis de rudimentarismo e de informalismo permanecem elevados, gerando perdas físicas e altos índices de inadimplência entre os agentes, entre outros problemas.

A implantação do sistema eletrônico objetiva a modernização do sistema de distribuição de produtos hortigranjeiros e flores no país. Através dela espera-se incrementar as operações comerciais via mercados normatizados, atraindo para estes parcela da produção que hoje é negociada em mercados paralelos, ou diretamente por produtores que não se sentem satisfeitos com as condições vigentes nas CEASAs. Este aperfeiçoamento contribuirá, também, para aumentar a credibilidade das informações estatísticas, uma vez que possibilitará o acompanhamento direto dos preços praticados. A utilização do meio eletrônico tornará mais efetiva, do mesmo modo, a difusão maciça da informação.

Com relação ? produção, prevê-se que o novo sistema será um grande fator de estímulo ? introdução de melhorias nos aspectos de padronização, classificação e de embalagens, que são fatores que hoje comprometem a competitividade de nossos produtos e que geram perdas e desperdícios de grande monta. Em parte, o estímulo se dará pela própria obrigatoriedade de operar com produtos e embalagens de qualidade.

Outra meta almejada pelo novo sistema é a da eliminação da informalidade no mercado de hortigranjeiros, uma vez que haverá registro de todas as transações. Desse modo, estará sendo eliminada também a inadimplência que hoje desestabiliza o mercado, pois a conclusão das diversas transações será garantida pela intervenção do agente financeiro que atuará no sistema.

É necessário complementar que um investimento na revitalização dos setores técnicos das CEASAs poderá impulsionar mais rapidamente este desenvolvimento. E é possível acrescentar ainda que, em última instância, esse processo poderá significar a recuperação do caráter de sistema que unia as Centrais, definindo, tanto quanto possível, um mercado nacional a ser trabalhado. Ignorando este caminho, as soluções a serem encontradas virão a prazo muito mais longo e custarão muito mais caro para o país.

Por fim, vale registrar que o Brasil só terá algum destaque no comércio mundial de produtos in natura se houver uma opção clara do seu Governo nesta direção. Caso contrário, continuaremos como participantes marginais em um mercado que está em franca expansão, e continuaremos a desperdiçar nosso imenso potencial de produção de uma infinidade de frutas, hortaliças e flores, de grande aceitação internacional.

 

1.5 – GESTÃO AGROINDUSTRIAL

Uma das formas de visualizar o sistema agroindustrial é considerá-lo como sendo composto, na sua estrutura principal, por três macrossegmentos distintos. O primeiro é o macrossegmento rural, o qual compreende as atividades agropecuárias. O segundo macrossegmento é o de produção industrial. Este macrossegmento pode ser dividido em empresas de primeira e segunda transformação. As empresas de primeira transformação são caracterizadas como sendo as responsáveis pelos primeiros processos de fragmentação da matéria prima agropecuária, tais como trituração e moagem no caso vegetal ou fracionamento no caso de animais. Normalmente, estas empresas têm nas matérias-primas agropecuárias seus principais insumos de produção a serem transformados. Por sua vez, os produtos desta fragmentação podem ser fornecidos diretamente ? comercialização ou ainda servirem como matérias primas para as indústrias de segunda transformação. São estas últimas que promovem a produção de produtos mais elaborados como tortas, pizzas, refrigerantes, doces, etc. O terceiro macrossegmento é o de comercialização, que incorpora as atividades atacadistas e varejistas. Para os propósitos deste trabalho não serão considerados o macrossegmento fornecedor de insumos aos empreendimentos rurais nem as atividades de transporte e estocagem intermediárias.

Um sistema agroindustrial deve ser gerido de forma eficiente e eficaz. A eficácia de um sistema agroindustrial pode ser entendida como a capacidade que ele possui de atender as necessidades do consumidor. Para isso, é fundamental que todos os agentes que o compõe conheçam profundamente os atributos de qualidade que os consumidores buscam nos produtos e serviços disponibilizados por este mesmo sistema. A inadequação de grande parte das ferramentas modernas de gestão, desenvolvidas para setores outros que o agroindustrial, tem como origem as especificidades que particularizam os sistemas agroindustriais de produção. Algumas destas particularidades estão destacadas a seguir:

    • Sazonalidade de disponibilidade de matéria-prima.
    • Variações de qualidade de matéria-prima.
    • Perecibilidade da matéria-prima.
    • Sazonalidade de consumo.
    • Perecibilidade do produto final.

É interessante ainda destacar o impacto que algumas tecnologias ditas transversais podem ter no gerenciamento dos sistemas agroindustriais. Entre estas tecnologias pode-se destacar a biotecnologia e a chamada tecnologia da informação.

A tecnologia da informação (TI) pode afetar de forma substancial a gestão dos negócios agroindustriais. Além de facilitar a busca, acesso, armazenamento e disseminação de informações, a TI deverá cada vez mais servir como instrumento de comunicação e coordenação entre os agentes de um dado sistema agroindustrial. Neste último caso, tecnologias de troca informatizada de dados deverão assumir um aspecto vital nos anos vindouros. Sob este aspecto, a TI é um instrumento importante no aumento da eficiência e da eficácia das cadeias agroindustriais. Por outro lado, ela também pode auxiliar na exclusão de pequenos produtores que não tenham acesso a esta tecnologia.

Além de facilitar a busca, acesso, armazenamento e disseminação de informações aos agentes do sistema agroindustrial, a TI deverá cada vez mais servir como instrumento de comunicação e coordenação entre estes mesmos agentes. O comércio eletrônico, que sob certas condições pode ser visto como um instrumento capaz de aumentar a coordenação de uma dada cadeia agroindustrial, somente pode ser viabilizado se o país possuir condições de oferecer aos seus intervenientes acesso a estrutura de TI. Em algumas cadeias agroindustriais, por exemplo, a incapacidade de acessar estes sistemas pode significar a exclusão dos pequenos produtores rurais de mercados mais dinâmicos. Além disso, é fundamental que a TI alie-se a aplicação de tecnologias de gestão modernas para fornecer aos agentes do sistema agroindustrial sistemas de apoio a decisão eficientes. As evidências empíricas dos possíveis ganhos que resultariam desta situação são evidentes. Também neste caso o comércio eletrônico pode ser visto como um exemplo. Cumpre destacar que estes sistemas de informações gerenciais de apoio ? tomada de decisão, conforme já foi destacado anteriormente, devem abordar variáveis que são externas ? s firmas e que situam-se no âmbito de um espaço meso-analítico representado pelo sistema agroindustrial no qual a firma está inserida.

Ainda no campo das potencialidades da utilização da TI em conjunto com técnicas de gerenciamento modernas para o desenvolvimento e utilização de ferramentas de apoio ? tomada de decisão, deve ganhar importância nos próximos anos a aplicação de estudos de simulação. Estudos de simulação são ferramentas poderosas para verificar rapidamente o impacto, para o conjunto do sistema e para os agentes individualmente, de decisões estratégicas coletivas (conjunto de agentes intervenientes em um determinado sistema agroindustrial ) ou individuais (decisões estratégicas das firmas).

Umas das tendências mais claras nos mercados de produtos agroindustriais, principalmente internacionais, é a busca pelo consumidor de produtos e quot;certificados e quot; (marcas coletivas ou selos de qualidade). Normalmente estes produtos apontam para uma qualidade superior e atendem, via parâmetros de rastreabilidade, uma preocupação crescente com a segurança dos alimentos. Também neste caso a TI desempenha um papel central.

 

1.6 – FAZENDAS E COOPERATIVAS

O uso de microcomputadores em fazendas, Teixeira et al., analisando as características e a estrutura de produção de leite em 76 fazendas controladas pela Associação de Criadores de Gado Holandês do Estado de Minas Gerais nas Regiões Sul, Zona da Mata, Alto Paranaíba, Oeste, Campo das Vertentes e Metalúrgica, identificou a presença de computadores em 25% das fazendas. José G. Jardine, com base em estudo realizado pela Embrapa Informática Agropecuária, argumentou em uma reportagem publicada pela Leite Nestlé em abril de 2002, que cerca de 18% dos fazendeiros brasileiros possuem microcomputadores, dos quais 4% encontram-se conectados ? Internet. Por outro lado, estudo recente realizado pela Embrapa Gado de Leite, em parceria com as principais compradoras de leite do País, que incluíram aplicações de questionários nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul, responsáveis por cerca de 70% da produção nacional de leite, constatou-se que nas 162 fazendas visitadas, em torno de 5% possuíam microcomputadores, e que menos da metade utilizava essa ferramenta para o gerenciamento do rebanho. Vale ressaltar que essas fazendas foram selecionadas pelas cooperativas e indústrias de laticínios como unidades de referência na produção leiteira regional.

As multinacionais do setor agrícola fabricantes de máquinas, sementes, defensivos, fertilizantes e outros artigos agrícolas encomendaram recentemente ao instituto alemão Kleffmann, especializado em estudos do mercado agrícola, um perfil do produtor brasileiro de soja. O levantamento mostra que dos 1.400 produtores de soja pesquisados, 32% têm microcomputador e quase 19% (261) conexão ? internet. Destes, 16% já compraram produtos pela rede e o principal uso da web é para a busca de informações climáticas, estatísticas, técnicas e sobre produtos agrícolas. Entre os produtores de soja conectados, apenas 5% são considerados pequenos, isto é, cultivam até 100 hectares de terra.

As cooperativas e indústrias de laticínios também visitadas pelo projeto da Embrapa Gado de Leite, num total de 50, possuíam microcomputadores, cuja utilização resumia-se ? tradicional contabilidade, controle de contas a pagar e receber, elaboração de folha de pagamento de fornecedores e empregados, e controle de estoques. Nesse particular, diagnóstico realizado pela SEBRAE-MG em 1997 identificou que 73% dos laticínios com SIF (Sistema de Inspeção Federal) e 32% sem SIF, instalados no Estado de Minas Gerais, possuíam microcomputadores, cujas utilizações resumiam-se nas tarefas rotineiras acima descritas.

São inúmeras as limitações para a implantação e desenvolvimento de sistemas de informação em fazendas e cooperativas agropecuários, entre as quais pode-se citar:

 

    • Idade média avançada dos produtores rurais (em torno de 50 anos no caso de produtores de leite).
    • Baixo nível de escolaridade (educação formal).
    • Migração dos filhos para outras atividades nas cidades.
    • Falta de recursos financeiros para aquisição de equipamentos, material de informática e treinamento de pessoal.
    • Precariedade ou ausência dos serviços de telefonia e energia elétrica.
    • Ausência de provedores de acesso ? Internet.

Conforme dados da OCB (2002 ) há no Brasil 1.587 cooperativas agropecuárias com 822.294 agricultores associados. As cooperativas geram 108.273 empregos diretos, sendo que há respectivamente 930.567 e 4.652.835 pessoas vinculadas diretamente e indiretamente a estas organizações, ou seja, aproximadamente 5.583.402 pessoas dependem economicamente das cooperativas agropecuárias brasileiras.

Dentro deste contexto os professores Roberto Protil da PUC-PR, André Zambalde da UFLA-MG e Cláudi Albano da URCAMP-RS realizaram recentemente alguns pesquisas sobre o processo de implatação e gestão de TI nestas organizações, cujos resultados podem ser resumidos da seguinte forma:

  •  Seu uso ainda é voltado às aplicações tradicionais, ou seja, às operações internas das organizações, visando “automatizar” processos e não as tendo como suporte às atividades fins das organizações.
  • Novas e importantes tecnologias, como a Internet, ainda são incipientes, especialmente se considerado seu uso voltado para as atividades fins.
  • Não existe preocupação com a qualificação de seus profissionais em nível de TI.
  • Os principais problemas enfrentados estão relacionados, diretamente, com o processo de aquisição de tecnologia e não a treinamento, produtividade e outros que demonstrem uma preocupação com a integração destas tecnologias ? estratégia e cultura organizacionais.
  • As ações mais utilizadas, assim como os problemas, estão relacionados aos processos de aquisição de tecnologias, seja de forma direta ou indireta.
  • A informática geralmente é utilizada como instrumento para conquista e/ou concentração de poder.
  • Não existe qualquer avaliação econômica dos investimentos ou do retorno dos investimentos em informática.
  • Os funcionários com maior grau de escolaridade e trabalhando em organizações que lhes dão uma certa estabilidade no emprego, sentem-se um pouco mais satisfeitos e motivados com o uso da tecnologia de informática.
  • Não há investimento em treinamento básico de informática (operação do computador, sistema operacional e pacotes aplicativos) por parte das organizações, os funcionários têm que investir “por conta própria” ou “aprender fazendo”.
  • Há pouca interação entre pessoas, equipamentos e software. Os sistemas, mesmo conectados em rede, utilizam software que não facilitam esta interação; as pessoas se sentem isoladas e distantes.
  • A tecnologia informática constitui instrumento que facilita e amplia o controle sobre funcionários, estoques e processos.
  • Os trabalhadores não são devidamente preparados para o processo de informatização e sentem-se acuados, com medo, reagindo ? mudança.

Os resultados das pesquisas realizadas nos estados de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul permitem inferir que a informatização nas organizações cooperativas vem ocorrendo tanto no nível estrutural como no social e os usuários são unânimes em afirmar que a TI é um instrumento que proporciona aumento do controle das atividades e das pessoas, o que pode afastá-las uma das outras, por desconfiança e/ou competição. Verifica-se, também, que nestas organizações a TI está muito mais orientada na automatização do processo administrativo do que numa informatização propriamente dita. Conclui-se que o sucesso da implantação de sistemas de informação em cooperativas agropecuárias irá depender principalmente do sistema social da organização e da forma como seus agentes se apropriarão desta tecnologia, seja no sentido de um maior aprendizado ou da mera automatização de funções. A dualidade e a ambiguidade são elementos naturalmente presentes no processo cognitivo e de atribuição de sentido. É necessário portanto, compreender e mapear os sentidos atribuídos pelos usuários aos sistemas a fim de implantar-se os mesmos com sucesso, adequando-os ? s necessidades concretas dos atores sociais destas organizações.

 

1.7 – AGÊNCIA DE INFORMAÇÕES

A velocidade ascendente com que ocorrem as transformações nas sociedades contemporâneas tem acentuado a importância do tratamento e disseminação do conhecimento através de produtos de informação. Conforme aponta Pierre Lévy em seu livro As Árvores de Conhecimentos, embora a terra e o capital continuem a existir, é sobre o espaço do saber que se desenvolvem as estratégias dos atores sociais. O Livro Verde da Sociedade da Informação também ressalta a importância do conhecimento na superação de desigualdades, agregação de valor, criação de emprego qualificado e propagação do bem-estar. Na agropecuária, as principais oportunidades se concentram na organização das cadeias produtivas e no fortalecimento das ações de pesquisa e transferência de tecnologia.

A disseminação da informação por meio eletrônico, cujo volume cresce exponencialmente, deve-se ? conjunção de três fatores principais: a convergência da base tecnológica, pela adoção da forma digital na geração e manipulação de conteúdos; a evolução na informática, que propicia processamento mais rápido a custos cada vez menores; e a evolução dos meios de comunicação, que tem permitido a expansão da Internet.

O sucesso da web como um espaço atrativo pode ser creditado principalmente ? implementação da idéia lançada pela primeira vez por Vanevar Bush em 1945, chamada de hipertexto. Trabalhando por associação de objetos ao invés de simplesmente classificá-los hierarquicamente, os hipertextos operam de forma próxima ao modo como pensamos. Evidentemente, os hipertextos de Bush não eram associados aos navegadores de hoje, nem ? Internet, dado que esses não existiam, e sim ao conjunto de textos de várias pessoas que eram conectados entre si, formando o que ele chamava de macrotexto. O termo hipertexto somente foi cunhado em 1967, por Ted Nelson.

No entanto, ao se realizar uma busca em grandes portais de informação, observa-se que esses apresentam resultados de baixa revocação e baixa precisão . A melhoria da qualidade da informação recuperada não é uma tarefa simples, principalmente quando a relevância é associada ? correspondência entre o conceito que se procura, que é uma idéia, e as informações que estão armazenadas no sistema, que são símbolos. Não devemos esquecer que os computadores são máquinas de processamento simbólico e, assim sendo, os sistemas com os quais os usuários interagem operam no nível onde a relação entre o objeto representado e o signo usado para representá-lo é puramente arbitrária e convencional, fato apontado como corte semiótico.

Na proposta da Agência de Informações, a solução para a redução desse problema é realizada de duas formas. A primeira delas é a catalogação em metadados das unidades de informação; e a segunda é a adoção de uma ontologia comum aos elos de pesquisa, produtores de informação e consumidores. Ontologia, conforme acepção utilizada por Holsapple e Joshi, é uma especificação explícita de uma visão abstrata de um mundo que se deseja representar. Desta forma, se constrói uma linguagem compartilhada para o intercâmbio e reuso de conhecimentos. A materialização deste conceito se dá com o estabelecimento de uma árvore de conhecimentos, unindo os conhecimentos de pesquisadores, técnicos extensionistas e agricultores.

A árvore de conhecimentos é adotada em todos os momentos no sistema: na criação da estrutura de navegação, na navegação do usuário final e na geração do conteúdo de cada um dos nós pelos quais um usuário navega. Para facilitar a incorporação dessa ontologia, utilizou-se a representação em árvore hiperbólica.

Objetivando abordar o domínio de conhecimento da cadeia produtiva de gado de corte, a Embrapa estruturou um projeto para a construção de sistema de informações via web chamado Agência de Produtos e Serviços. Essa cadeia de conhecimento foi escolhida pela sua complexidade inerente. O sistema construído para gado de corte seria, a princípio, mais facilmente repetível/adaptável para outros domínios, e foi concebido de forma a permitir o trabalho coletivo de cientistas e produtores de informação, tal como proposto por Lévy. Assim sendo, tanto quem realiza a pesquisa quanto quem a disponibiliza têm seus repertórios aproximados para que seja possível organizar a informação.

A Agência de Produtos e Serviços será o resultado de uma composição de agências abordando domínios do conhecimento pesquisados. Os domínios de mapeamento cognitivo mais direto são os correspondentes aos produtos pesquisados: como feijão, arroz, trigo, milho, coco, gado de corte, gado de leite, uva e vinho etc. Isto ocorre porque já existe uma cadeia produtiva correspondente e esta pode ser utilizada para se estabelecer a árvore de conhecimentos. Quando a pesquisa envolve temas, como Cerrado, Tabuleiros Costeiros, Amazônia Oriental etc, necessita-se de um estudo mais aprofundado para a determinação da árvore.

 

1.8 – COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

Sob o ponto de vista histórico, a promoção do desenvolvimento da agropecuária em nível internacional tem sido objeto de inúmeras iniciativas de cooperação. Instituições multilaterais, agências de governos nacionais, organizações não governamentais e fundações atuam com propósitos diversos, entre os quais destacam-se a pesquisa, a disseminação de tecnologia, o financiamento de sistemas de produção e a formação de recursos humanos, entre outros. Embora não isentas de críticas, as atividades de cooperação internacional na disseminação de tecnologia agropecuária, em particular, têm contribuído significativamente para a ampliação da oferta de alimentos e aumento de renda no meio rural. A agricultura irrigada, por exemplo, apresenta diversos casos que ilustram o potencial da transferência de tecnologia, via cooperação, na promoção do desenvolvimento. Outros exemplos podem ser buscados nas ações e programas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Nutrição (FAO) e nos relatórios anuais dos bancos de desenvolvimento internacional e das demais entidades acima tipificadas. Mais recentemente, os avanços na tecnologia da informação (TI) estão ensejando novas oportunidades de fomento ao desenvolvimento agropecuário. As novas tecnologias de informação e comunicação, ao permitirem a rápida disponibilização de conhecimento a baixo custo, podem contribuir substancialmente para a melhoria do desempenho da atividade agropecuária, tanto em seus aspectos produtivos, como ao longo dos demais estágios das cadeias produtivas. Algumas iniciativas com estas finalidades têm sido promovidas por entidades como o Banco Mundial (Programa InfoDev) e FAO (WAICENT, INPhO, etc.), além de dezenas de instituições públicas e privadas em todo o mundo.

EUROPA: A principal experiência internacional no sentido de se desenvolver uma ação coordenada de fomento ao emprego da TI na agropecuária é a rede EUNITA (Rede Européia de Tecnologia da Informação na Agropecuária). Sua origem pode ser identificada na série de seis congressos internacionais de informática aplicada ? agropecuária promovidos por entidades representativas de agricultores da Alemanha (DLG) e do Reino Unido (RASE), entre 1986 e 1996. Talvez o principal desdobramento das atividades da EUNITA tenha sido a criação, em 1996, de uma instituição permanentemente dedicada ? promoção da TI na agropecuária européia e internacional, a Federação Européia de Tecnologia da Informação na Agropecuária (EFITA). A EFITA é integrada por sociedades técnico-científicas de TI na agropecuária. Estas, por sua vez, congregam um grupo multidisciplinar de profissionais, que têm a agroinformática como área de interesse ou atuação. Atualmente, os países que compõem o grupo de membros votantes da EFITA são a Alemanha, Holanda, Portugal, França, Espanha, Dinamarca, Irlanda, Inglaterra, Itália, Hungria, Polônia, Geórgia, Grécia e Suécia. Israel integra a federação como país associado.

ÁSIA: A experiência asiática difere um pouco da européia, na medida em que o suporte institucional inicial não se identifica em uma única fonte de financiamento. Além disso, enquanto que a Federação Européia aceita apenas sociedades técnico-científicas de países membro como associados, a AFITA (Federação Asiática de Tecnologia de Informação na Agropecuária), aceita tanto as entidades nacionais como indivíduos, no caso de países que ainda não constituíram formalmente as suas sociedades. Hoje integram a AFITA as sociedades japonesa, coreana, chinesa e indonésia de IT na agropecuária, além de profissionais da Índia, Vietnam, Mongólia, Filipinas, Taiwan, Tailândia e Malásia. Mais recentemente, a AFITA está expandindo sua base de associados para a Oceania, sendo que a Austrália deverá formalizar em breve sua adesão ? Federação.

EUA: Apesar de ser o país com as maiores taxas de adoção de TI em todo o mundo e de gerar as principais inovações nesta área, os Estados Unidos da América não têm, formalmente constituída, nenhuma associação de profissionais de agroinformática. As ações características destes grupos, como a promoção de eventos, têm sido lideradas pela Sociedade Americana de Engenharia Agrícola (ASAE), sob a coordenação do grupo de agroinformática do Instituto de Ciências Agroalimentares da Universidade da Flórida (IFAS). De fato, a ASAE já realizou, desde 1996, sete congressos internacionais de agroinformática, todos com uma presença predominante de profissionais dos EUA.

BRASIL: A partir da década de 90, com o fim da reserva de mercado e o surgimento do Programa SOFTEX, criaram-se as condições para o efetivo impulsionamento das ações de fomento à agroinformática no país. O núcleo SOFTEX de Juiz de Fora, aliado a pesquisadores das Universidades Federais de Viçosa e Lavras e da EMBRAPA, realizou em 1995 o primeiro evento nacional de agroinformática, o Agrosoft 95 (I Congresso e Feira de Informática Aplicada à Agricultura). Posteriormente, os profissionais envolvidos nesta iniciativa fundaram, em 1996, a SBI-Agro – Sociedade Brasileira de Informática Aplicada à Agropecuária e Agroindústria (www.sbiagro.org.br). Inspirada em suas congêneres européias, a SBI-Agro edita uma revista técnico-científica (Revista Brasileira de Agroinformática), promove congressos nacionais e realiza workshops temáticos. Desde a sua fundação, a sociedade realizou três congressos nacionais, em 1997, 1999 e 2002.

COOPERAÇÃO INTERNACIONAL: O congresso da SBI-Agro em 2002 foi realizado em conjunto com a ASAE, EFITA e AFITA e representou um importante passo na integração dos esforços destas entidades internacionais e na consolidação do papel da Sociedade brasileira como interlocutora, neste processo. O evento brasileiro realizou-se em Foz do Iguaçu, paralelamente ao e quot;1st World Congress of Computers in Agriculture and Natural Resources e quot;, tornando-se o marco inicial de uma nova estratégia de realização de encontros internacionais de agroinformática. Como principal resultado das discussões realizadas durante o evento conjunto, consolidou-se a tendência de convergência nas atividades da EFITA, AFITA, ASAE – Universidade da Florida e SBI-Agro. Concretamente, será em breve criada uma e quot;rede global de tecnologia da informação na agropecuária e quot;, que terá entre suas incumbências a criação de uma revista técnico científica internacional em formato eletrônico e a promoção conjunta dos futuros Congressos Mundiais em 2004 na Ásia, 2005 na Europa, 2006 nos Estados Unidos e em 2007 no Brasil.

 

2. BIBLIOGRAFIA

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Yamaguchi, Luiz C. T.; Carvalho, Limirio A. e amp; Costa, Claudio N.
SITUAÇÃO ATUAL, POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES DO USO DA GESTÃO INFORMATIZADA EM FAZENDAS E COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS NO BRASIL
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Zambalde, André L.
O ENSINO A DISTÂNCIA E O AGRONEGÓCIO NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO: DIAGNÓSTICO E PERSPECTIVAS
Anais do Workshop “O Agronegócio na Sociedade da Informação”, Brasília, 2002.

 

Agrosoft 2002: Agricultura de Precisão

AGRICULTURA DE PRECISÃO

Lúcio André de Castro Jorge
André Torre-Neto

Embrapa Instrumentação Agropecuária

1. DO QUE SE TRATA

A Agricultura de Precisão é uma técnica de gerenciamento sistêmico e otimizado do sistema de produção através do domínio da informação, com a utilização de uma série de tecnologias e tendo como peça chave o posicionamento geográfico. A essência da agricultura de precisão é a contínua obtenção de informações espacialmente detalhadas da cultura seguida da utilização adequada dessas informações para otimizar o manejo. Ou seja, com a agricultura de precisão define-se como aplicar no local correto, no momento adequado, as quantidades de insumos necessários ? produção agrícola, para áreas cada vez menores e mais homogêneas.

O grande desafio da agricultura de precisão está em considerar as variações espaciais e temporais dos diversos parâmetros envolvidos no processo de produção agrícola. No solo, o teor de nutrientes, o teor de matéria orgânica, o pH, a umidade, a profundidade de camadas compactadas, entre outros parâmetros, apresentam variações que podem atingir até uma ordem de grandeza de um local para outro ou de uma data para outra, na mesma área de produção. Toda a prática agrícola convencional está baseada em tratar o campo como homogêneo, ignorando tais variações. No manejo convencional, a informação para melhoria do processo de produção é obtida de umas poucas amostras dos parâmetros. A interpretação da informação assume um valor médio das amostragens. O uso da informação, ou seja, a aplicação de insumos (principalmente agroquímicos em geral), é uma constante baseada nessa média e independe da maior ou menor necessidade de cada ponto da aplicação.

Os recursos mais avançados da eletrônica e computação, como os sistemas de posicionamento global (GPS), os sistemas de informação geográfica (SIG), os sistemas de controle e aquisição de dados, sensores e atuadores, entre outros, fazem parte da agricultura de precisão.

O uso racional dessas tecnologias, utilizadas como ferramentas de acompanhamento, controle e análise, permitem determinar e quot;qual, quando e onde e quot; o insumo deve ser aplicado e e quot;como e quot; fazê-lo. Portanto, a quantificação da variabilidade espacial permitindo identificar sítios específicos com diferentes potenciais de produtividade, pode determinar ou não, desde que econômica e tecnicamente viáveis, investimentos em insumos ou na correção de fatores limitantes ? produção, visando a maximização da produtividade e minimização dos impactos ambientais.

A Figura 1 apresenta um diagrama de implementação da Agricultura de Precisão. Nos implementos, o GPS e toda uma eletrônica embarcada constituída de sensores, interfaces e computador, geram mapas de produtividade, do teor de matéria orgânica, da topologia, entre outros mapas de interesse. Algumas propriedades do solo, como indicadores de fertilidade e o tipo do solo, são obtidas através da análise de amostras retiradas manualmente de quadrículas. Outros parâmetros ainda podem ser obtidos por rede de sensores estáticos, sensoriamento remoto ou ainda fotos aéreas. A próxima etapa, a análise e interpretação dos mapas, é feita fora do campo. Programas de gerenciamento de base de dados georreferenciados, de geoestatística e de simulação e modelamento são usados como sistemas de suporte de decisão. O resultado de todo esse processamento são mapas de tratamento, os quais são transferidos para os implementos que atuam na etapa de controle das diversas operações de campo. Nesta etapa, novamente o GPS e a eletrônica embarcada são fundamentais para o acionamento de válvulas, bombas e aplicadores, com base nos mapas de tratamento.

Figura 1 – Implementação básica da Agricultura de Precisão. As informações obtidas sobre os diversos processos da produção agrícola consistem de dados manuais que envolvem análises laboratoriais, dados coletados automaticamente por sensores estáticos (instalados no campo) e sensores dinâmicos (instalados nos implementos) e também dados obtidos por sensoriamento remoto. Os dados de posicionamento são fornecidos por DGPS. A interpretação das informações é auxiliada por computador e integra sistemas GIS com técnicas de geoestatística, programas de modelamento, entre outros para estabelecer e gerar mapas de controle das operações de campo, como a aplicação de fertilizantes, pesticidas, plantio, irrigação e outras.

Esperada-se com a Agricultura de Precisão, em princípio, resultados de ordem econômica, mas as vantagens em termos de impacto ambiental são conseqüências da sua adoção. A aplicação de agroquímicos, de acordo com necessidades específicas espacialmente determinadas, deve levar ao uso racional de tais insumos. Assim, espera-se, além da maior margem de lucro pela redução dos gastos com esses produtos, também o benefício ambiental em termos da redução de resíduos nas culturas e diminuição da contaminação do lençol freático por percolação. Desse ponto de vista, a Agricultura de Precisão é a grande proposta atual para resolver o equacionamento da máxima produtividade com mínimos danos ambientais.

A operação de maior interesse da pesquisa é a aplicação de fertilizantes. Nos Estados Unidos são consumidas dezenas de milhões de toneladas anuais de fertilizantes (45 milhões em 1990). Estima-se que os fertilizantes representem entre 25 e 45 % do custo de produção do milho. A estreita margem de lucro da produção agrícola e a maior preocupação com a poluição ambiental tem aumentado consideravelmente o interesse no uso eficiente dos produtos para fertilização. São relatados ganhos que vão de 10 a 80 dólares por acre em culturas de milho e trigo com a adoção da Agricultura de Precisão. O caso extremo ($80/acre) serve para encorajar o bom gerenciamento, pois é atribuído a uma especial atenção nos processos de amostragem, testes e planejamento baseados na variabilidade espacial.

A segunda área de maior interesse da Agricultura de Precisão é o controle da aplicação de pesticidas para o domínio de doenças e pragas. Também nos Estados Unidos, os gastos com esses agroquímicos são de alguns bilhões de dólares anuais, equivalentes a alguns milhões de toneladas/ano ($4,5 bilhões em 1988, sendo metade com herbicidas). Pelo menos 45 tipos de pesticidas já foram detectados no lençol freático, o que tem tornado a legislação mundial a esse respeito muito mais severa. O desenvolvimento da aplicação espacialmente variável de pesticidas requer qualidade e precisão dos aplicadores. Na prática, a minoria dos aplicadores (cerca de 25%) é capaz de manter a taxa de aplicação dentro de pelo menos 5% da taxa ajustada. Com isso, cerca de 1 bilhão de dólares podem estar sendo perdidos anualmente só nos Estados Unidos.

A terceira área de interesse é o controle do plantio. Basicamente, são três tipos de controle: da população das sementes, variando-se o espaçamento entre elas; da profundidade de deposição das sementes, onde são consideradas a espessura da camada superficial, a umidade e a compactação do solo e, por fim, da variedade das sementes, alternando-se sua fonte. Aparentemente não há impossibilidades técnicas para o controle da população, da profundidade de plantio ou da alternância de variedade. O mercado oferece plantadoras onde a população de sementes e a profundidade podem ser controladas pelo operador e os fornecedores de sementes já fornecem vários híbridos para combinar com condições localizadas.

Informações sobre a variabilidade espacial podem ajudar, também, no esquema de irrigação. A princípio, as topografias acidentadas seriam as mais beneficiadas. Porém, a aplicação de água de acordo com a posição pode reduzir erros sistemáticos inerentes dos pivôs centrais mesmo em terrenos planos, como efeitos de bordas.

2. ONDE ESTAMOS

O recente processo de globalização da economia, vem impondo aos segmentos produtivos, dentre os quais, o setor agrícola nacional, obterem níveis de competitividade internacionais. Para atender a esse novo paradigma, novos conceitos, métodos e técnicas, como a agricultura de precisão, devem ser incorporados ao processo produtivo da agropecuária, envolvendo mudanças radicais de atitudes em relação ao que se pratica hoje.

Entretanto, a falta do adequado conhecimento sobre os diferentes ecossistemas, com a conseqüente utilização de tecnologias inadequadas, tem contribuído para a perda de competitividade econômica do setor agrícola, bem como para a degradação ambiental. Os compromissos assumidos ao nível do desenvolvimento sustentável, obrigam a adoção de tecnologias avançadas, com o objetivo de diminuir as diferenças entre as produtividades experimental e real, não obstante as particularidades dos diferentes agroecossistemas.

Neste contexto, o ambiente apresenta uma variabilidade espacial que até agora não tem sido devidamente tomada em consideração nos diversos processos produtivos aplicados na agricultura, inclusive no que se refere ? transferência das tecnologias geradas pela pesquisa agrícola.

Considerando que tal variabilidade deve ser incorporada aos procedimentos e tecnologias aplicados na agricultura, há alguns anos, agricultores de países de tecnologia avançada, estão adotando a Agricultura de Precisão

A adoção deste sistema de produção pelo agricultor, pressupõe em países desenvolvidos, a utilização de tecnologias modernas, como as de sensoriamento remoto, dos sistemas de informação geográficas (GIS), do sistema de posicionamento global (GPS), de máquinas e de equipamentos para aplicação localizada de insumos a taxas variadas. Naqueles países, estão disponíveis aos agricultores, serviços que envolvem a aquisição de dados via satélite ou aérea e a análise detalhada de campos de produção. As informações geradas por estes serviços especializados, permitem verificar as variações espaciais e temporais dos fatores limitantes ? produção, de forma quantitativa e qualitativa, orientando-os no processo de tomada de decisão na aplicação localizada de insumos e no manejo diferenciado das culturas no campo de produção.

Inicialmente a tecnologia foi o principal fator limitante para que, na prática, a agricultura convencional desse lugar ? agricultura de precisão de forma técnica e economicamente viável. Apesar de ser um tema de pesquisa relativamente novo, muitos avanços têm sido obtidos, principalmente no desenvolvimento de máquinas e implementos que permitam o manejo localizado (Schueller, 1997).

Essa evolução pode ser acompanhada em extensa lista de literatura, entre as quais ressaltam-se Schueller, 1992; Auernhammer, 1994; Molin, 1997. No Brasil, os primeiros resultados na obtenção de mapas de produtividade foram conseguidos por Balastriere, 1998, em cultura de milho, e desde então diversos outros resultados vem sendo apresentados (site www.embrapa.br/labex).

No Brasil, as tecnologias necessárias ? plena prática da Agricultura de Precisão não estão completamente disponíveis ? grande maioria dos agricultores. A Agricultura de Precisão é considerada, ainda, num estádio experimental, com poucos grupos de pesquisa atualmente trabalhando de forma efetiva neste assunto. Em alguns casos encontram-se também grandes grupos privados. Como resultado, não estão disponíveis ainda informações sobre o custo e os benefícios econômicos resultantes da adoção deste sistema de produção. Estas informações são essências para a adoção deste sistema de produção pelos agricultores.

A adoção da Agricultura de Precisão tem sido feita com critério realizando primeiramente um levantamento da variabilidade presente nos campos produtivos, refletida pela variabilidade espacial da produção. Por este motivo é que o mapeamento da produtividade tem sido o primeiro passo adotado.

Com a variabilidade expressa nos mapas de produtividade tem sido possível buscar pelos fatores responsáveis pelas diferenças de rendimento no campo produtivo através de visitas e amostragens dos fatores e quot;suspeitos e quot;. Esta busca é feita pela realização de amostragens de solo, compactação, plantas daninhas que tenham permanecido após a colheita e outros.

As informações do mapa de produtividade e dos mapas gerados a partir das amostragens realizadas permitem a interpretação e a realização de correlações entre os fatores e a produtividade para verificar a importância de cada um deles.

Uma vez identificados os responsáveis pela variabilidade da produção pode-se partir para a fase seguinte que é a interferência, corrigindo os fatores que podem ser manejados como, por exemplo: material genético, fertilizantes, defensivos e outros. Esta fase não tem sido realizada de forma plena em áreas produtivas, apenas em parcelas experimentais.

Após a interferência e durante o desenvolvimento da próxima se acompanha a lavoura georreferenciando possíveis ocorrências. Fecha-se assim o ciclo que terá novo início na próxima colheita.

Este ciclo compreende as principais ações realizadas em agricultura de precisão podendo ocorrer variações. Geralmente antes de se partir para o segundo passo, é comum que se realizem vários mapas de produtividade para caracterizar de modo bastante satisfatório a variabilidade presente.

Hoje são poucos os locais em todo o mundo onde se realiza comercialmente o ciclo completo por vários motivos, dentre eles o custo da tecnologia, a baixa correlação obtida entre produtividade e os fatores estudados e a falta de informações corretas sobre a tecnologia. Na maioria das vezes realiza-se parte do ciclo, como por exemplo, o mapeamento da produtividade ou a aplicação de insumos em taxa variada, que fornecem informações muito importantes para o manejo das culturas e redução de custos.

A primeira grande dificuldade encontrada na implantação da técnica, segundo relatos, foi a decisão de adquirir novas colheitadeiras com GPS, uma vez que aqui no Brasil não é possível adquirir kits para os modelos antigos existentes na fazenda. Além disto, o pagamento da taxa anual pelo sinal diferencial por máquina acaba ficando extremamente caro.

Um vez decidido e implantadas as novas máquinas, depara-se com a dificuldade da assistência pós venda do sistema de precisão ainda não se encontrar adequada na revenda.

Os softwares que acompanham as máquinas não oferecem recursos de geoestatística. Torna-se difícil tomar qualquer decisão sem que seja feito o zoneamento estatístico que permita concentrar o esforço de pesquisa nas áreas com distribuição espacial diferente da normal.

Pela falta de kits que possam ser adaptados ? s máquinas já existentes na fazenda, o custo para tal decisão é muito alto. Neste caso, esta pode ser uma boa oportunidade de negócio, o desenvolvimento de tais kits.

A demora na obtenção de resultados positivos se transforma em aumento de custos para os pioneiros, impedindo a adoção da tecnologia por outros agricultores. Por outro lado, no exterior, grandes concorrentes dispõem de transgênicos e subsídeos que não estão disponíveis no Brasil.

3. PARA ONDE VAMOS

A introdução de novas tecnologias integradas com recursos computacionais visando produtividade e qualidade, tem sido considerada questão estratégica. Dada a forte vocação agrícola brasileira e a importância do agronegócio no panorama econômico nacional, a pesquisa visando o desenvolvimento da sociedade da informação neste setor é por si só um projeto relevante. Não obstante, a informação é a chave para o sucesso de qualquer atividade e uma atividade pode se aperfeiçoar cada vez mais se a informação sobre ela obedecer o ciclo: obtenção de novas informações seguida da interpretação e utilização dessas novas informações para melhorar a atividade. Dentro deste contexto a Agricultura de Precisão é chave para o sucesso na área agrícola.

A adoção da agricultura de precisão, não somente como parafernália eletrônica, mas como conceito, tem um grande potencial para a racionalização do sistema de produção agrícola moderno devido a: a) diminuição da quantidade de agroquímicos aplicados nos solos e culturas; b) conseqüente redução dos custos de produção e da contaminação ambiental e c) melhoria da qualidade das safras. Assim, a agricultura de precisão vem de encontro ? s exigências de um mercado globalizado, que requer maior volume de produção, exige menores preços e repudia técnicas e tecnologias que possam contaminar o ambiente.

Não obstante com toda essa sustentação tecnológica, ainda há áreas necessitando de muito desenvolvimento para que a agricultura de precisão possa se consolidar como uma solução ampla e plenamente viável. Tais oportunidades podem ser classificadas como de cunho geral e de cunho específico. Entre as de cunho geral, destacam-se duas grandes frentes. Uma é o desenvolvimento de novos sensores e adaptação de sensores existentes que permitam a obtenção dos diversos mapas de parâmetros de forma cada vez mais eficiente e confiável (Weatherly e amp; Bowers, 1997). A outra é o desenvolvimento de programas e estratégias que possibilitem maior integração dos dados adquiridos, facilitando assim a interpretação e análise dos mapas e consequentemente tornando mais efetivo o manejo localizado (Gupta et al., 1997; McCauley e amp; Engel, 1997; Nielsen, 1996; Saraiva, 1998). Entre as de cunho específico, também se evidenciam duas linhas de pesquisa. A primeira é o desenvolvimento de sistemas dirigidos para culturas perenes, como a citricultura e a cafeicultura, desde a etapa de obtenção de mapas de produtividade. A segunda, de grande importância ambiental, é a implementação de sistemas para a aplicação espacialmente diferenciada da água de irrigação e quimigação.

A importância da nova tecnologia é inegável, na medida em que novas informações são obtidas, trazem maior segurança no manejo das lavouras de modo sustentável auxiliando também no direcionamento da pesquisa. Para tal, é premente o conhecimento dos agroambientes, de forma a propiciar os níveis essenciais de informação necessários ? identificação e separação destes e a elaboração de técnicas e métodos visando a adoção dessas tecnologias.

Apesar do notável suporte tecnológico que alavanca a agricultura de precisão, há inúmeras oportunidades em instrumentação e automação nessa área, bem como em sistemas inteligentes para tomada de decisão, através da mineração de dados e fusão de sensores. Tais oportunidades são ainda maiores se considerada a rastreabilidade da produção agrícola, que é uma necessidade e exigência relativamente recente do mercado pelo alimento seguro e ambientalmente correto e um desafio para o futuro próximo, mas, que tem em comum várias tecnologias com a agricultura de precisão.

O uso de tecnologias como ortofotocartas, bancos de dados e sistemas de informação geográfica com informações relativas aos parâmetros associados ? produção de cada ciclo de lavoura, dados meteorilógicos, mapeamento de solos, dentre outros são imprescindíveis para o sucesso da agricultura de precisão. Investimentos em videografia aérea, instalação de estações meteorológicas bem como de bancos de dados confiáveis se fazem necessários.

A crescente preocupação com fatores ambientais, como as aplicações de produtos químicos, o aparecimento de sistemas de informações geográficas e de rastreamento via satélite, o conceito de gerenciamento localizado de culturas, estendido para o monitoramento de outras operações que não são necessariamente aquelas de aplicações localizadas de insumos, como por exemplo o levantamento de mapas de fertilidade de solos, o monitoramento de operações de colheita, ou de outras operações mecanizadas são demandas para a Agricultura de Precisão.

Os conceitos de Agricultura de Precisão tem despertado em nível mundial um interesse muito grande e são considerados por muitos como a terceira onda na agricultura, tendo sido a primeira, a mecanização com tração animal, e a segunda, com equipamentos motorizados.

Os principais benefícios econômicos que poderão advir da utilização da Agricultura de Precisão, serão decorrência da possibilidade de se fazer a Aplicação Localizada de Insumos cujo objetivo final é colocar sementes, fertilizantes, corretivos, defensivos agrícolas e outros insumos de forma variável em cada campo, nas razões mais adequadas para a produtividade do solo em cada ponto do mesmo e, portanto, reduzir os custos por unidade de produto produzida..

Para se utilizar dessa tecnologia há que se envidar esforços para o desenvolvimento desses equipamentos adaptados ? s nossas condições, quando então se poderá atingir todo o potencial vislumbrado para a Agricultura de Precisão no país.

4. O QUE FAZER

O papel da tecnologia da informação na redefinição das práticas agrícolas, envolvendo a agricultura de precisão é fundamental. As tecnologias da informação afetam diretamente o cenário agrícola.

A idéia da Agricultura de Precisão tem hoje ? sua disposição vários componentes tecnológicos. Certamente, há espaço para novos desenvolvimentos, seja em novos componentes, seja na integração deles. A impressão de alguns especialistas agrícolas que ela seja muito complicada não é necessariamente correta; é claro que a implementação de um sistema ideal, trabalhando no ponto ótimo para todas as informações imagináveis, é um grande desafio. Mas algumas operações podem ser selecionadas para trabalhar em um ponto satisfatório, tendo como orientação o sistema ideal com simplificações; questões regionais determinarão o que é satisfatório.

A maior dificuldade ainda reside em trabalhar o grande volume de informações, da variabilidade espacial e temporal e interpretá-las para tomada de decisão em campo. O sistema água-solo-planta-atmosfera e os processos físico-químico-biológicos presentes são complexos, não são mensuráveis em larga escala (bacia hidrográfica), o imprevisível vilão clima é um fator de grande peso e as incertezas das modelagens devem ser minimizadas para a tomada de decisão.

O princípio da fusão de sensores, combinação de informação de vários sensores ou fontes de informação diferentes uma vez que nenhum sensor individualmente é idealmente adequado para uma dada aplicação nas suas diversas formas, junto com outras técnicas como a mineração de dados numa base gerada muito grande de informações, através de sistemas especialistas ainda é um desafio grande pela frente. Apesar disso, a agricultura de precisão parece ser o caminho para o aumento de produtividade na conjuntura atual cada vez mais competitiva.

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Agrosoft 2002: Identificação Animal e Rastreamento da Produção de Bovinos de Corte e de Leite Rastreabilidade

IDENTIFICAÇÃO ANIMAL E RASTREAMENTO DA PRODUÇÃO DE BOVINOS DE CORTE E DE LEITE

Claudio Nápolis Costa
Embrapa Gado de Leite

Kepler Euclides Filho
EMBRAPA Gado de Corte

1. INTRODUÇÃO

As pressões impostas pela globalização da economia têm exigido da pecuária brasileira, assim como de outros setores produtivos, uma reestruturação fundamentada na eficiência. A exposição dos mercados dos diversos países a essa competitividade globalizada, que tem se observado nos últimos anos, fez com que a necessidade de se produzir de forma eficiente e eficaz se tornasse, em muitos casos, sinônimo de sobrevivência ou permanência no negócio. Na tentativa de atender a essa demanda, os segmentos produtivos têm procurado se ajustar, estabelecendo novos paradigmas, inovando e aprendendo a empregar a visão holística.

Nesse cenário, a competitividade tornou-se elemento fundamental para o setor pecuário e, com ela, surgiu a necessidade de se disponibilizar, para o mercado consumidor, produtos que sejam de qualidade e apresentem preço acessível. Dentre os diversos fatores que contribuem para o recrudescimento desse problema, merece destaque no mercado nacional a baixa oferta de produtos de qualidade, padronizados e de forma contínua durante o ano todo. Assim, uma área que apresenta demanda crescente é a certificação da qualidade da matéria-prima e dos produtos oriundos do agronegócio.

Há um consenso universal de que o agronegócio recebeu grande impacto com as várias crises de alimentos observadas nos últimos anos. Os problemas causados pelos surtos de febre aftosa e pela encefalopatia espongiforme bovina (BSE) ou doença-da-vaca-louca, seguidos pela polêmica discussão e incertezas sobre os efeitos dos alimentos geneticamente modificados, além de contaminações microbiológicas, resíduos químicos, pesticidas, hormônios etc., têm introduzido algumas complicações nos aspectos de controle da segurança alimentar (Jaccoud, 1998). Os consumidores estão cada vez mais exigentes quanto a aparência dos produtos, qualidade nutricional e fitossanitária, palatabilidade e resíduos de defensivos, entre outros parâmetros. Há necessidade de atender ao controle de qualidade e origem dos produtos alimentares disponibilizados para compra, implementando-se transparência nas condições de sua produção e comercialização.

Há também consenso de que a garantia de segurança alimentar e a redução de obstáculos ao comércio devem ser encaminhadas por um processo de harmonização das regulamentações sobre alimentos, padrões de qualidade e orientações normativas (Boutrif, 1998). O registro da identificação de animais que entram na cadeia de alimentos humanos é obviamente importante e tem de ser encaminhada por todos os países internamente e também internacionalmente devido ao crescente movimento de produtos alimentares, animais e germoplasma. Esta demanda tem provocado o estabelecimento de normas e legislação adicional nas áreas de rastreabilidade e rotulagem dos alimentos (Jaccoud, 1998).

2. DO QUE SE TRATA

A rastreabilidade significa que cada segmento da cadeia alimentar pode seguir o rastro de um alimento e conhecer toda a sua história, antes e depois deste segmento: saber sua procedência, por onde passou etc. A rastreabilidade significa, portanto, maior informação e responsabilidade, e exige a aplicação de um sistema eficaz de identificação do produto, desde a sua produção até a sua comercialização.

A rastreabilidade é uma garantia de segurança alimentar, já que facilita localizar e imobilizar ou se retirar do mercado os animais ou produtos alimentares, no caso de se detectar um provável perigo, em ações estas que exigem rapidez. O controle e a avaliação, e o tempo de resposta para qualquer problema sanitário de origem animal requerem o acesso imediato a registros completos e precisos sobre os animais. Qualquer programa de controle para ser bem-sucedido necessita de um sistema que se baseia na identificação do animal durante toda a sua vida. Esta identificação permite monitorar o animal em qualquer momento em seu ciclo produtivo, bem como rastrear as suas condições de produção e manejo, para eventual, senão necessária, investigação, caso se observe que era portador de alguma doença, quando de seu abate.

A rastreabilidade traz consigo a garantia de transparência ao consumidor do conteúdo/origem do produto que lhe é ofertado para a compra, mediante uma rotulagem precisa, especialmente onde o produto final tem características que não podem ser prontamente testadas. A rastreabilidade é essencial para controlar e garantir a qualidade em estágios particulares da cadeia alimentar (Figura 1), ou seja, em etapas específicas do processo produtivo.

A cadeia alimentar


Figura 1
– Em cada segmento da cadeia alimentar deve
se realizar o controle de qualidade para garantia da segurança
do produto final, disponibilizado para consumo.

3. ONDE ESTAMOS

Os aumentos de produção e de produtividade bovinas pelo incremento da eficiência nos processos de melhoramento genético e dos controles sanitário, reprodutivo e nutricional dos animais tornam-se possíveis e facilitados pelo uso de tecnologias de informação que viabilizem maior rapidez na geração, envio e/ou tratamento dos dados zootécnicos. A transparência e rapidez do fluxo de informação contribui para maior eficiência de todos os segmentos componentes das cadeias de produção animal, podendo resultar não só na melhoria do gerenciamento, mas também na maior segurança de qualidade do alimento.

A combinação do uso de inovações tecnológicas com ferramentas de informação e de acompanhamento apresenta-se, hoje, como princípio fundamental de competitividade interna e externa; seja contribuindo para o crescimento do setor produtivo, com ganhos em toda a cadeia agro-industrial, seja no estabelecimento de sistemas de produção que garantam as características competitivas das respectivas cadeias produtivas por meio de protocolos claros e transparentes voltados para atendimento de exigências relacionadas com a qualidade do produto final assentada em processos produtivos que assegurem a conservação ambiental, o bem-estar animal, a eqüidade social e a saúde da população.

Esta necessidade de se assegurar as boas práticas durante todo o processo produtivo e o acompanhamento e o controle de todo o processo de produção de alimentos têm suas raízes na década de 1970. Nos últimos anos, especialmente como fruto dos efeitos colaterais prejudiciais da chamada revolução verde, iniciaram-se, em diferentes partes do mundo, movimentos orientados para a redução dos danos causados ao ambiente. Esses movimentos exigiram novos mecanismos reguladores de qualidade que incorporassem a preocupação com o ambiente como componente do processo produtivo. Daí, o grande crescimento observado em normas e protocolos de certificação e de leis ambientais, a partir da década de 1970. Surgiram, assim, os rótulos para identificação de produtos orgânicos e fortaleceram-se os preceitos de segurança alimentar pela utilização da Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC). Foi ainda nessa década, que se intensificaram, na Europa, as atividades para o Controle Integrado de Pragas, que deu origem ? definição mais geral da Produção Integrada. A partir da década de 1980, surgiu o paradigma da sustentabilidade e da busca pela qualidade total. Nos anos 1990, cresceu também a preocupação da população com os problemas relacionados com a ingestão de alimentos contaminados.

Mais recentemente, estas questões vêm sendo exacerbadas em função de alguns acontecimentos, especialmente, o retorno de determinadas doenças há muito controladas, como a febre aftosa, na Europa e na Argentina, e o surgimento de outras, especialmente a BSE. Estes episódios resultaram em decréscimo do consumo de carne (estimado em 25% na União Européia) e, desde então, para recuperar a confiabilidade dos consumidores, os participantes da cadeia de suprimento de carne estão trabalhando para elevar os padrões de segurança.

Essa situação, quando associada com a política de subsídios praticada pelos países desenvolvidos aos seus produtos agropecuários, sinalizam como única possibilidade de competição, ou mesmo de inserção efetiva do Brasil no mercado internacional, a oferta de produtos com diferencial de qualidade. Esta qualidade deverá, além dos fatores intrínsecos do produto, associar fatores ambientais e de redução de risco para saúde humana. É nesse cenário que a cadeia produtiva de carne bovina brasileira deverá de se reestruturar.

No caso da cadeia produtiva do leite no Brasil, apesar dos avanços observados durante a década de 90, aspectos associados ? melhoria da qualidade do produto ainda representam desafios a serem superados (Gomes, 1999). A indústria leiteira nacional caracteriza-se por rebanhos que diferem em tamanho, condições de manejo, condições climáticas regionais, estrutura comercial e atitude gerencial. A busca pela qualidade tem mudado o nível de tecnologia nas unidades de produção, promovendo o uso de ordenhadeira mecânica e tanques de resfriamento. A indústria mudou o perfil da coleta de leite, adotando a granelização, e, ainda que de uma forma tímida, tem estimulado a adoção do pagamento pela qualidade, com critérios baseados na qualidade (resfriamento, análise bacteriana e dos componentes) e volume da produção.

A matéria prima ou produto comercializado origina-se da mistura (ainda na fazenda) da produção de vários animais, o que significa realizar o monitoramento do rebanho, para se garantir que o leite é seguramente produzido desde a ordenha. Isto implica estabelecimento de um programa de qualidade em nível dos rebanhos, envolvendo a garantia de que os animais recebem alimentos adequados e seguros, a prevenção no uso de aditivos e agentes potencialmente contaminantes para o leite, e a certeza de que todas as vacas estejam saudáveis. Deve-se ainda orientar o manuseio do leite desde a ordenha até o seu processamento final de forma que os seus parâmetros de qualidade permaneçam inalterados. Brito et al. (2001) apresentaram uma revisão sobre APPCC e perspectivas de sua implementação em propriedades leiteiras e na indústria de laticínios. O sistema APPCC significa um avanço na garantia de qualidade dos alimentos, mas os autores observaram que a introdução desta ferramenta de gestão em fazendas leiteiras ainda enfrenta dificuldades, no curto prazo, quanto ? organização das informações e monitoramento do processo.

A melhoria da qualidade do leite cru tem sido tema da maior relevância, refletindo a mudança de paradigma que experimenta o agronegócio do leite no Brasil. As perspectivas de avanço tecnológico são permeadas pelo envolvimento de todos os setores da cadeia, de forma colaborativa e associativa, com legítimas representações técnica, política e institucional (Silva e Neves, 2001). A própria industria de laticínios tem interesse nas medidas de avaliação da matéria-prima, para implementar o pagamento por qualidade de leite aos produtores e expandir a área de controle sanitário dos rebanhos (Rios, 2001). A mudança de enfoque iniciada com as medidas de estímulo ao resfriamento e granelização está se complementando com a adoção de controle baseado em análise laboratorial de amostras de leite, para se obter resultados de composição físico-química e contagem de células somáticas, além das técnicas convencionais de plataforma.

4. PARA ONDE VAMOS

Na concepção moderna de produção de alimentos é importante, senão indispensável, que se viabilize a possibilidade de seu rastreamento. A União Européia, por meio da Resolução CE 820/97, exige que todo o processo de produção da carne esteja inserido em um programa de identificação e registro que possibilite o levantamento de todas as informações sobre o animal, desde o seu nascimento até o consumo do produto final. Tal Resolução atinge tanto os produtores e indústrias da Europa quanto os países dos quais importa. Outros países como a Coréia e Japão também adotam essa exigência e, com o advento irreversível da globalização, verifica-se tendência mundial nesse sentido.

As questões relacionadas com a saúde e as conseqüências ambientais provenientes de atividades, produtos e serviços de quem disponibiliza alimentos, quer sejam processados quer sejam in natura, têm resultado na evolução dos conceitos e em maior conscientização do consumidor, induzindo ? incorporação de estratégias que buscam o acompanhamento da produção em todo seu processo. Esse novo comportamento resultou na incorporação de metodologias de Avaliação do Ciclo de Vida do Produto. Tais mudanças vêm sendo acompanhadas do maior acesso da população a programas de educação ambiental que resultaram em alterações importantes na forma de se pensar o desenvolvimento econômico e a convivência com o ambiente. Com isto, surgiram novos fatores interferindo no critério de escolha e na diferenciação de produtos baseados no conhecimento da forma como o produto foi elaborado, com preferência crescente para aqueles produtos oriundos de cadeias produtivas ambientalmente corretas e socialmente justas. O trinômio saúde/ambiente/preço passa a ser sempre balanceado no momento da escolha, com tendência clara de favorecimento dos alimentos de boa aparência, de preferência sem conservantes, produzidos sem agrotóxicos e sem risco para o ambiente.

Tecnologias e insumos modernos, como hormônios, produtos biotecnológicos e antibióticos, mais intensamente aplicados na produção agropecuária, diante dos resultados potenciais no aumento da produtividade, devem ser obrigatória e constantemente avaliados para não acarretarem riscos para a saúde humana. Não se pode ignorar as exigências concernentes ? segurança para o consumidor e também as barreiras fitossanitárias impostas pelas exigências atuais do mercado internacional (FAO 1999; WHO/OMS 1999).

Tudo isto faz com que o consumidor exija o rastreamento do alimento dentro da cadeia produtiva, requerendo, ainda, que o processo seja transparente. Nesse contexto, a padronização de conceitos e, principalmente, de ações, constitui-se em tema de importância estratégica para o País, viabilizando a disponibilização de alimentos certificados, ou seja, com garantia de origem, de qualidade ambiental e de qualidade de produto. Neste contexto, é importante que se incentivem a implantação e o desenvolvimento de programas que visem ? produção de carne e de couro de qualidade que atendam a estes requisitos, pois isso asseguraria melhor qualidade da carne, promoveria aumento do consumo e maior valor para o couro, com reflexos positivos sobre a saúde da população e sobre a arrecadação.

As transformações recentes têm induzido os produtores de leite em busca de maior competitividade, e as suas percepções sobre maior volume, produtividade e qualidade da matéria-prima tem evoluído. A atividade leiteira avançou em produção e produtividade, entretanto, caminhou pouco para melhorar a qualidade, em que pese o processo da granelização da coleta do leite e a tentativa de implementação de um programa nacional de melhoria da qualidade do leite (Oliveira et al., 2000).

A qualidade do leite ainda é uma questão fundamental, tanto pela exigência do consumidor quanto pela restrição que ela representa, caso o País queira exportar derivados lácteos. Mesmo que a disponibilidade de recursos naturais possibilite ao Brasil ter excedentes exportáveis, isto dificilmente ocorrerá em escala significativa no curto prazo, dado o atual padrão de qualidade do leite produzido. Exigências da legislação (DIPOA, 2002) e do mercado têm provocado modificações no entendimento e no trabalho realizado pelo setor de controle de qualidade dos laticínios no Brasil. A adequação ? s normas internacionais, a certificação da qualidade, a sobrevivência em um mercado competitivo e maior nível de exigência dos consumidores têm levado ? valorização do controle de qualidade. Um avanço significativo neste sentido foi a criação da Rede Brasileira de Laboratórios de Controle de Qualidade do Leite, com atribuições de realizar análises laboratoriais para fiscalização de amostras de leite cru, recolhidas em propriedades rurais e em estabelecimentos de laticínios (Brasília, 2002).

Todas estas mudanças trazem consigo a necessidade de maior eficiência na fiscalização (alterações na composição, presença de resíduos, etc. na matéria-prima) e das condições de processamento industrial, para a garantia de oferta de produtos lácteos de qualidade certificada e a sua devida valorização pelo consumidor. No caso de leite, o monitoramento da qualidade e a eventual eliminação de leite abaixo do padrão ou contaminado necessita de estreita cooperação entre órgãos governamentais, organizações de produtores, indústria de insumos e a indústria de laticínios, ou seja, uma integração e sinergia de esforços em que a disponibilidade de dados e gestão da informação é condição necessária para um desempenho eficaz.

5. O QUE FAZER

A demanda por competitividade e a tendência de modernização dos sistemas de produção em busca da melhoria da eficiência é conseqüência direta da abertura de mercados e da economia e da informação globalizada reinante atualmente. Neste contexto, a informação assume importância vital para os diversos segmentos da cadeia produtiva da carne bovina, especialmente para o setor de produção primária, uma vez que este é o elo que se encontra menos preparado para as mudanças que têm sido impostas. Este setor, além de possuir pouca tradição no uso de informações, é carente no tocante ? coleta de dados e, principalmente, no tratamento dos dados coletados.

Desta forma, a conjuntura mercadológica predominante requer uma transformação fundamental no setor que necessita devotar grande esforço no planejamento das atividades que deve ser estruturado em duas fases, quais sejam, a definição de metas e a escolha do método a ser utilizado para execução das ações necessárias. Nesta ótica, a informação (conteúdo, forma, fluxo e interpretação) assume grande importância. Por outro lado, a análise do setor agropecuário brasileiro permite verificar que há grande descompasso entre esta realidade e a qualificação do pessoal envolvido neste segmento. Assim, para suprir a necessidade de apropriação, tratamento, depuração e escolha das informações disponíveis, bem como do estabelecimento de novas demandas para alimentação do processo, há necessidade de um esforço efetivo no que diz respeito ? qualificação de pessoal.

Estes treinamentos devem enfatizar tanto os aspectos operacionais quanto os gerenciais, passando pelos setores de coleta, depuração e tratamento de dados e utilização das informações disponíveis ou produzidas dentro do próprio sistema de produção. Com certeza pode-se concluir que a informação será cada vez mais necessária no setor de produção primária e deverá englobar não só os aspectos relacionados com conhecimentos e tecnologias, mas também as questões de mercado de perfil de consumidor e de demandas a serem atendidas.

De modo geral, os países têm estabelecido a sua própria legislação para monitorar a higiene e qualidade dos produtos agropecuários, para atender aos interesses públicos em proteger os consumidores e garantir que os produtos que lhes são ofertados sejam saudáveis e seguros. A estruturação de bancos de dados com informações nacionais é uma realidade nos países de pecuária caracterizada por eficiência técnico-econômica e competitividade no cenário internacional. Com o crescimento do comércio de animais entre rebanhos e particularmente entre países, observa-se, atualmente, em nível internacional, preocupação com os sistemas de identificação animal, e sua eficiência no manejo e seleção dos recursos genéticos, e principalmente no controle e erradicação de doenças que necessitam de procedimentos precisos no monitoramento e rastreamento de animais na eventualidade de sua ocorrência.

Um sistema nacional de registro sanitário de rebanhos leiteiros comparável com sistemas existentes na América do Norte ou Europa (Wiggans, 1994; Batchelor, 1998) não existe no Brasil. Não há estatísticas que permitam caracterizar a incidência e prevalência de doenças infecciosas, importantes para o monitoramento e controle do estado sanitário do rebanho. Os programas de controle sanitário envolvem medidas preventivas, vacinações para determinadas doenças e exames de rotina nos animais, associadas a outras práticas de manejo da alimentação, reprodução, etc. O monitoramento da sanidade é realizado sobre os animais, e, por extensão, sobre os rebanhos e as populações. Os registros individuais dos animais são essenciais para se identificar e caracterizar eventuais problemas e a sua natureza. Neste sentido, avaliações rotineiras permitem o diagnóstico de doenças clínicas e subclínicas, e o seu registro viabiliza o monitoramento e análise dos problemas de saúde do rebanho (Hobo, 1998).

No contexto da sanidade dos rebanhos, a prevenção se estabelece por um sistema de alimentação e manejo adequados e programas de vacinação para determinadas doenças. Outras ações consistem de análises laboratoriais, para o diagnóstico de doenças clínicas, e, ainda, a análise periódica de indicadores que permitem o controle de estado sanitário do rebanho e a sua certificação, em termos de padrões e referenciais estabelecidos para este objetivo. Portanto, a sanidade do rebanho é monitorada por meio dos registros de desempenho e laboratoriais, medicamentos e vacinações aplicadas aos animais e visitas regulares de inspeção veterinária.

Recentemente, o governo brasileiro por meio de instrução normativa elaborada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento estabeleceu as normas do Sisbov – Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina, que tem como objetivo identificar, registrar e monitorar, individualmente, os bovinos e bubalinos nascidos no Brasil ou importados. O Sisbov constitui-se de uma série de ações, medidas e procedimentos para caracterizar a origem, o estado sanitário, a produção e a segurança dos produtos de origem bovina ou bubalina (Instrução Normativa, 2002), procurando regulamentar o rastreamento no país. Esta iniciativa brasileira é resultado de uma demanda que se iniciou na União Européia e vem se expandindo entre os principais países e regiões de produção e importação. Neste contexto têm sido estabelecidos os códigos de comercialização internacional da carne bovina, observando-se os requerimentos sanitários como garantia ? sua segurança para o consumo (International, 2001).

As orientações normativas do Sisbov caracterizam as regras para credenciamento de entidades certificadoras do sistema de rastreabilidade. Para seu atendimento a certificadora deverá estruturar um sistema ou banco de dados, para gerenciar um conjunto de informações, por rebanho, com identificação individual de cada animal e seu rebanho de origem, o mês de nascimento ou data de seu ingresso na propriedade, sexo, aptidão, sistema de criação e de alimentação, e informações referentes ao controle sanitário a que o animal foi submetido. Para cada animal a ser incluído no Sisbov, deverá ser emitido um Documento de Identificação do Animal (DIA), sendo necessário o registro de todas as movimentações do animal até o abate e/ou morte. A indústria frigorífica deverá se responsabilizar pelo abate e, em alguns casos, pelo preparo dos cortes, além de garantir a higiene em todo o processo e o envio do DIA ao Serviço de Inspeção Federal do MAPA. No caso de ocorrer morte natural, acidental ou mesmo sacrifício do animal, fica sob a responsabilidade do proprietário devolver o DIA ? certificadora ao qual ele está associado. Quanto ao setor de distribuição, este deve garantir a manutenção da qualidade do produto, sendo ainda importante que ajude na definição do perfil do consumidor, contribuindo para a distribuição e aplicação de questionários que após avaliados terão seus resultados discutidos e analisados com todos os segmentos da cadeia produtiva.

No contexto da produção de carne, já se iniciaram gestões para se implementar a rastreabilidade, envolvendo produtores e criadores, frigoríficos e distribuidores. Também se observa a iniciativa de empresas do setor privado em prestar o serviço de identificação de animais, estruturando-se como certificadoras, estabelecendo parcerias e buscando o seu credenciamento oficial perante o MAPA. No caso da pecuária de leite, pode-se dizer que a rastreabilidade ainda está em sua fase de planejamento, e tem características próprias, distintas da carne, devido ? s particularidades do sistema de produção e do produto leite em si (Passaporte, 2001). Todavia, a experiência da Embrapa Gado de Leite com a estruturação e gerenciamento do banco de dados do Arquivo Zootécnico Nacional de Gado de Leite (AZN-GL), cujos dados se originam dos serviços de controle leiteiro e genealógico das associações de criadores (e potencialmente de cooperativas e indústrias de laticínios), constitui-se em um protótipo para a organização da informação e rastreamento em bovinos de rebanhos leiteiros, contemplando inclusive os registros dos resultados das análises laboratoriais de amostras de leite de animais submetidos ao controle leiteiro (Costa, 1998).

Embora as orientações normativas do Sisbov tenham apresentado as regras para credenciamento de entidades certificadoras do sistema de rastreabilidade, não foram caracterizadas as especificações do instrumento de identificação dos animais (estrutura do próprio código de identificação animal, independentemente do dispositivo utilizado, por exemplo, brinco ou chip eletrônico) e, ainda, a forma de integração das informações oriundas das diversas certificadoras credenciadas, em um único banco de dados, de caráter nacional. Ambas as especificações do código de identificação e da estrutura do banco de dados devem estar em conformidade com as normas nacionais (ABNT, 2001) e internacionais. No âmbito destas conformidades, Costa (2000) apresentou algumas considerações sobre um sistema nacional de identificação animal, orientado para os padrões internacionais.

A elaboração de um sistema nacional (Figura 2), efetivo quanto ao armazenamento e processamento das informações oriundas dos diversos rebanhos/certificadoras é fundamental para dar suporte tecnológico aos programas de manejo e controle sanitário nos rebanhos (Wiggans, 1994) para a melhoria da eficiência do segmento produtivo.


Figura 2 – Ilustração de um sistema para organização de banco de dados em nível nacional e disponibilização de informações pela internet.

A estruturação de banco de dados e sistemas de edição das informações são essenciais para melhor aproveitamento dos registros armazenados, maior precisão dos resultados de seu processamento e disponibilização a outros usuários por meio dos recursos de multimídia pela Internet. Neste sentido é essencial a transmissão rápida e segura de dados entre a sua origem e o local de processamento, bem como aos procedimentos de extração das informações necessárias utilizando banco de dados mantidos em depositários adequadamente estruturados. Segundo Date (1991), o principal objetivo do sistema de gerenciamento de banco de dados é prover um ambiente que seja adequado e eficiente para armazenar e recuperar informações. O gerenciamento envolve a definição de estruturas para validação, armazenamento da informação e o desenvolvimento de procedimentos para processá-las e disponibilizá-las.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O agronegócio apresenta grande relevância no contexto econômico, social e da alimentação humana no Brasil. Os resultados de vários estudos que têm analisado as transformações em curso na década de 90 indicam a necessidade de melhor organização e maior integração dos diversos segmentos da cadeia produtiva da carne e do leite no Brasil. No que concerne aos aspectos organizacionais, as instituições do setor público se caracterizam como os principais agentes para promover a revisão da legislação pertinente, obviamente com a participação dos principais interessados do setor privado.

A organização de normas e padrões para acompanhamento da produção e da qualidade do produto nos rebanhos é fundamental para a obtenção de informações confiáveis, cuja análise permite a geração de indicadores de desempenho e eficiência técnica do setor produtivo. Tais indicadores são necessários para o estabelecimento de metas e padrões comparativos, análise de tendências e outras avaliações, subsídios importantes para as decisões de planejamento, acompanhamento e avaliação, inerentes ao processo de gestão.

Com o crescimento do comércio de animais entre rebanhos e principalmente entre países, observa-se, atualmente, em nível internacional, uma preocupação com a implementação de sistemas de identificação, registro e controle da produção, fatores decisivos para o planejamento e gestão da melhoria da produtividade e da qualidade de produtos e do monitoramento sanitário dos rebanhos. No Brasil, onde os índices de produtividade e qualidade são passíveis de significativa melhoria, ainda é necessário reestruturar a organização de tais sistemas, atualizando-os com referência nos avanços técnico-científicos da informática e da instrumentação e nos padrões de qualidade e normas internacionais.

No âmbito da qualidade da matéria-prima, observaram-se avanços, mas ainda há desafios relacionados ao seu controle e ? certificação dos produtos, para a garantia de segurança alimentar ao consumidor. Há uma demanda em se estabelecer procedimentos normativos, oficiais, que estabeleçam condições de se garantir ? industria e ao consumidor a matéria-prima e produtos processados com padrões de qualidade compatíveis com legislação nacional e internacional. Assim, é essencial que se estabeleça o monitoramento da cadeia alimentar para se orientar e controlar as condições higiênicas da produção, desde os rebanhos, passando pelo processamento industrial, até a sua distribuição aos consumidores. Este fluxo caracteriza o processo de rastreabilidade, que garante a transparência quanto a origem, controle de qualidade e certificação dos produtos disponibilizados ao consumidor.

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Agrosoft 2002: O Ensino a Distância e o Agronegócio na Sociedade da Informação: Diagnóstico e Perspectivas

O ENSINO A DISTÂNCIA E O AGRONEGÓCIO NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO: DIAGNÓSTICO E PERSPECTIVAS

André Luiz Zambalde
Universidade Federal de Lavras

1. DO QUE SE TRATA

1.1. Introdução

O tema informática, de forma irreversível e inevitável, surgiu efetivamente no ensino agrícola do Brasil a partir dos anos 1980, através de disciplinas dos cursos de extensão, graduação e pós-graduação em Ciências Agrárias.

Hoje, as universidades brasileiras, voltadas ao setor agrícola, oferecem regularmente cursos em diversas áreas relacionadas ? informática e ao binômio informática/agropecuária, tais como redes de computadores e internet, desenvolvimento e uso de software ferramentas e aplicativos, modelagem e simulação, agricultura de precisão e sistemas de informações geográficas.

A modernização na agropecuária e no ensino agrícola, nos dias atuais, inevitavelmente está associada ? utilização de recursos computacionais.

Por outro lado, a oportunidade do uso das tecnologias de informação e mesmo as facilidades, presentes em algumas universidades e instituições públicas e privadas, não alcançam toda a comunidade do agronegócio. Ocorre um desnível entre indivíduos, organizações e regiões. Deve-se considerar um leque mais amplo, que tenha inclusão e justiça social como prioridades.

As modernas tecnologias de informação e comunicação devem ser utilizadas para gerar oportunidades de ensino, capacitação, informação e conhecimento a toda a comunidade.

Num país de dimensões territoriais como o Brasil, o Ensino a Distância (EAD) é um canal importante de geração destas oportunidades. Uma ferramenta potencial para a qualificação e formação do homem do campo, capacitação e treinamento profissional, além da difusão informações técnicas e gerenciais.

As novas tecnologias de informação e comunicação abrem oportunidades para integrar, enriquecer e expandir textos e materiais produzidos por escolas técnicas, universidades e centros de pesquisa. Além disso, possibilitam novas formas de comunicação e interação entre o mundo técnico e científico e a comunidade do agronegócio.

São aspectos críticos, no ensino a distância para o setor do agronegócio no Brasil: a implantação de infra-estrutura adequada nas organizações geradoras e receptoras de informações (instituições de ensino, cooperativas agropecuárias, agroindústrias, produtores, etc.); o desenvolvimento de softwares educacionais e de gestão de ensino a distância adequados e direcionados ao público do setor; a difusão da conectividade em rede – telecomunicações no meio rural; e o estudo e desenvolvimento de metodologias pedagógicas eficientes. Enfim, para que o EAD alcance o potencial de vantagens que pode oferecer, é preciso investir em seu aperfeiçoamento, utilização, adequação e sobretudo em sua difusão ao setor do agronegócio.

O presente texto tem como objetivo apresentar um diagnóstico do ensino a distância no setor do agronegócio no Brasil, além de uma visão das perspectivas de seu efetivo aproveitamento e utilização ao longo dos próximos anos. Inicialmente, são definidos alguns conceitos básicos da EAD e os principais elementos da Legislação de EAD no Brasil. Em uma segunda etapa tem-se um pequeno histórico e diagnóstico do EAD no Agronegócio. Finalizando, são apresentados os elementos perspectivos de sua utilização.

1.2. Conceitos básicos e legislação

A escolha do termo ensino e não educação a distância se deve ao fato de interpretar-se ensino como e quot;difusão e transmissão da informação e do conhecimento e quot; e educação como um e quot;processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do indivíduo e quot;. Educação é um trabalho sistematizado, seletivo e orientador, pelo qual nos ajustamos ? vida, de acordo com necessidades, ideais e propósitos dominantes – um aperfeiçoamento integral de todas as faculdades humanas. Ensino é instrução, transmissão de conhecimento – esforço dirigido no sentido da formação (Lobianco, 2001).

Quanto ? expressão e quot;? distância e quot;, a crase é facultativa. Segundo alguns gramáticos, deve-se utilizar crase quando a expressão e quot;? distância e quot; vem acompanhada da metragem ou indicativo de distância. Se for referência imprecisa, não se deve usar a crase. Aceita-se, portanto, esta forma de escrita, que é a mesma presente na Lei 9394/96 – LDB – MEC em seu Artigo 80, ou seja, Ensino a Distância.

O Ensino a Distância é definido como uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação (texto impresso, radiodifusão, telefone/fax, fitas cassete e de vídeo, CDs, internet, videoconferência, internet2, etc.), utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação.

As bases legais do Ensino a Distância no Brasil foram estabelecidas por um conjunto de Leis, Normas, Decretos e portarias.

De acordo com a LDB (Lei No. 9.394 de 20/12/1996), e quot;o poder público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada e quot;. A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que incluirá: custos de transmissão reduzidos; concessão de canais educativos; reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de canais.

O Decreto No. 2.494 de 10/02/1998 estabelece que os cursos a distância que conferem certificado ou diploma de conclusão do ensino fundamental, do ensino médio, da educação profissional e de graduação serão oferecidos por instituições credenciadas e quot;. A Portaria Ministerial No. 301 de 07/04/1998 vem e quot;normatizar os procedimentos de credenciamento de instituições para a oferta de cursos de graduação e educação profissional tecnológica a distância e quot;.

O Decreto No. 2.561 de 27/04/1998 delega competência ao Ministro da Educação, para promover os atos de credenciamento das instituições de ensino vinculadas ao sistema federal de educação.

A Resolução No. 1 do Conselho Nacional de Educação estabelece que os cursos de pós graduação strictu sensu a distância serão oferecidos exclusivamente por instituições credenciadas pela União, obedecendo as exigências de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento. Esta resolução estabelece ainda que e quot;os cursos de pós graduação lato sensu a distância só poderão ser oferecidos por instituições credenciadas pela União e deverão incluir necessariamente, provas presenciais e defesa presencial de monografia ou trabalho de conclusão de curso e quot;. As Instituições com autonomia para criar cursos de pós graduação devem formalizar seu pedido de reconhecimento do curso por ela criado até, no máximo 12 (doze) meses após o inicio do funcionamento do mesmo.

Finalmente, a Portaria No. 2.253 de 18/10/2001, vem permitir e normatizar a inclusão de disciplinas que, em seu todo ou em parte, utilizem o método não presencial, nos cursos de graduação. e quot;As disciplinas, integrantes do currículo de cada curso superior reconhecido, não poderão exceder a vinte por cento do tempo previsto para integralização curricular e quot;. e quot;As instituições de ensino superior credenciadas como universidades ou centros universitários ficam autorizadas a modificar o projeto pedagógico de cada curso superior reconhecido para oferecer disciplinas que, em seu todo ou em parte, utilizem o método não presencial e quot;.

2. ONDE ESTAMOS

2.1. Histórico do EAD no agronegócio

Pode-se afirmar que tudo teve inicio com o material impresso. A utilização deste tipo de material para cursos de EAD no país começou com o Instituto Rádio Técnico Monitor na área de eletrônica e em 1941, com Instituto Universal Brasileiro, que fez algumas incursões no setor agropecuário.

Em 1982, a Asssociação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS – www.abeas.com.br) iniciou seus programas de Pós-graduação a Distância Lato Sensu, oferecendo cursos com duração média de 1 ano e titulação reconhecida pelo Ministério de Educação. Os cursos sempre foram auto-instrucionais, onde a elaboração do material escrito (módulos ou apostilas) é prioridade, garantindo o estudo independente e individualizado. Quando necessário, são usados outros meios de apoio pedagógicos, entre os quais leituras complementares, fitas de vídeos ou CD-Rom, para conquistar os objetivos instrucionais. O Encontro Nacional é a oportunidade de contato pessoal entre o aluno, os tutores e os coordenadores. Durante o Encontro são ministradas aulas descritivas e/ou práticas, debates, visitas de campo e aplicação das provas.

Em 1987, a Universidade Federal de Lavras/MG (UFLA – www.ufla.br) foi a primeira instituição de ensino superior a lançar cursos de pós-graduação Lato Sensu a distância (www.openufla.com.br). O primeiro curso, intitulado Produção de Ruminantes, tinha 83 alunos matriculados. A sistemática de funcionamento continua sendo utilizada até hoje: o material escrito (módulos de ensino ou textos acadêmicos) com informações técnicas, exercícios práticos e instruções é encaminhado ao aluno pelo correio. Informações complementares são fornecidas através de fax e telefone. Encontros técnico presenciais são realizados periodicamente para aulas descritivas e/ou práticas, debates e aplicação de avaliações. Atualmente, são ministrados mais de 40 cursos, estando matriculados aproximadamente 12.000 alunos (Lopes, 2000).

A educação a distância no agronegócio passou pelas ondas do rádio, através de programas técnicos informativos das emissoras universitárias e através de emissoras de entidades religiosas. A Igreja Católica do Brasil começou a trabalhar na educação da população através de emissões radiofônicas no final dos anos 1950. Em 1961, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil estruturou o Movimento de Educação de Base (MEB) e, com o apoio do governo federal, iniciou uma grande frente de luta para a educação via rádio. Os programas compreendiam além da alfabetização, aritmética, saúde, trabalhos agrícolas e programações especiais, complementados por apostilas e explicações locais através dos chamados monitores de ensino (Cavalcante, 1996).

A primeira experiência de programas educativos via TV e em circuito fechado foi em 1958, na Universidade de Santa Maria (RS), para alunos de Medicina. Em 1961, a Secretaria de Educação de São Paulo levou ao ar o programa e quot;Admissão pela TV e quot;, visando preparação para o nível médio. Hoje temos o Telecurso e a TV Escola, além disso, algumas TVs apresentam programas com enfoque no meio rural, como o e quot;Globo Rural e quot;. Tem-se ainda um canal exclusivo para o setor agropecuário, o e quot;Canal Rural e quot;, a comercialização de vídeos educacionais direcionados ao setor (www.cpt.com.br) e mesmo apresentações curtas em TV Educativa (Minuto do Campo – UFLA).

Finalizando este pequeno histórico, chegamos ao uso da informática no ensino. Este uso começou a ser idealizado já na década de 1960, quando se pensava em salas de aula com terminais de vídeo para cada aluno. Surgiram o Treinamento Baseado em Computador (CBT) e a Instrução Baseada em Computador (CAI), que foram muito utilizados (e ainda o são) com base em disquetes e CDs. Com o advento da Internet e das interfaces gráficas, a comunicação e o acesso ? informações a distância cresceram vertiginosamente. Universidades e empresas privadas fazem hoje sua incursão no EAD direcionado ao agronegócio, entre as quais podemos citar: UFLA (www.ufla.br), UFV (www.ufv.br), UFJF (www.agrosoft.com.br) e Agroescola (www.agroescola.com.br).

2.2. Diagnostico do EAD

O EAD no agronegócio encontra-se atualmente fundamentado em duas modalidades de cursos: extensão e pós-graduação lato sensu e em três modos ou suportes de informação: material impresso, fita de vídeo e mídia digital (CDs e Internet).

No que diz respeito aos cursos de extensão, as principais ofertas são originárias das Universidades de Lavras (www.uflatec.com.br) e Piracicaba (http://www.ciagri.usp.br/~cedeca/) e da empresa E-Farm Consultoria e Empreendimentos (www.agroescola.com.br).

Figura 1. Ensino a distância: Extensão

O Centro de Tecnologia em Informática (UFLATEC) e o Centro de Ensino a Distância em Ciências Agrárias (CEDECA) tem objetivos comuns, quais sejam: realizar pesquisas em didática e em tecnologia educacional, destinadas ao ensino a distância em ciências agrárias; auxiliar entidades públicas e/ou privadas na implementação de cursos a distância usando Internet e Multimídia; contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico do ensino a distância possibilitando a disseminação do conhecimento acumulado na área de ciências agrárias e promover a qualificação e requalificação profissional de técnicos e profissionais de ciências agrárias.

O CEDECA oferece atualmente dois cursos de extensão, ambos baseados na Internet. O UFLATEC oferece mais de 30 cursos de extensão, tem experiência de 2 anos na área e aproximadamente 400 alunos certificados. O aluno realiza o curso totalmente via Internet, por um prazo de 30 dias, onde tem acesso a conteúdo, lista de mensagens, desafios, chats (bate-papo) e avaliação a distância. A ferramenta de ensino utilizada pelo CEDECA é o WebCT (www.webct.com) e pelo UFLATEC é o WebUFLA.

O site Agroescola já ofereceu mais de 40 cursos de extensão, tem grande experiência na área e presta serviços de consultoria e desenvolvimento de cursos para outras organizações. O Software de ensino a distância utilizado pelo Agroescola é baseado na ferramenta Agrosoft. Atualmente, o Agroescola vem desenvolvendo uma ferramenta de uso livre, juntamente com o Softex/Agrosoft.

Com relação ? Pós-Graduação Lato Sensu, a maioria das instituições que promovem o ensino a distância para o setor de agronegócio utilizam material impresso e Internet. Algumas têm o apoio de material em vídeo e CD. As principais Instituições são: Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS – www.abeas.com.br), Universidade Federal de Lavras (www.openufla.com.br), Universidade Federal de Juiz de Fora (www.agrosoft.com.br) e Universidade Federal de Viçosa (www.ufv.br/cead).

Figura 2 . Ensino a Distância: Pós graduação Lato Sensu

O princípio metodológico básico é o seguinte: O material escrito (apostilas) com as informações técnicas, exercícios práticos e instruções é encaminhado ao aluno pelo correio, obedecendo cronograma pré-estabelecido para cada curso. Informações técnicas complementares podem ser solicitadas por correio, fax, telefone ou internet aos professores responsáveis pelo módulos/disciplinas. São realizados um ou dois encontros técnicos presenciais ao ano, com duração média de uma semana cada. Certificado de conclusão, com Título de Especialista, é conferido pelas instituições, ? queles que cumprirem as exigências legais, incluindo aprovação em monografia.

Evidentemente, ocorrem algumas diferenças metodológicas e de uso de ferramentas computacionais de suporte aos cursos. A UFJF (Agrosoft), por exemplo, atua especificamente via Internet, ou seja, não envia módulos impressos pelo correio. Disponibilizando-os na página de curso para cópia e acompanhamento de sala de aula, além de manter uma ferramenta de ensino em constante aperfeiçoamento.

No contexto das Ferramentas de Ensino, apurou-se que a UFV utiliza o Learning Space da Lotus (http://www.lotus.com/home.nsf/welcome/learnspace), a ABEAS esta em negociação com o Agrosoft e Agroescola, que utilizam ferramenta própria. A UFLA utiliza o WebUFLA. A Figura 3 apresenta uma pequena ilustração das ferramentas WebUfla e Agrosoft.

Figura 3. Ferramentas de gestão: UFLA e UFJF (Agrosoft)

As principais áreas e temas dos cursos oferecidos são: administração rural, gestão da informação no agronegócio, biotecnologia, gestão agroindustrial, agricultura de precisão, agrocomércio eletrônico, rastreabilidade de bovinos, informatização da empresa, engenharia e manejo de irrigação, gestão de recursos hídricos, proteção de plantas, fruticultura, agricultura tropical, caprinocultura, tecnologia de sementes, controle de incêndios, produtos veterinários, desenvolvimento sustentável, legislação agrícola, manejo de pastagens, nutrição de plantas, sensoramento remoto, plantio direto, toxicologia animal, bovinocultura leiteira, farmacologia, gestão e manejo ambiental, solos e meio ambiente, qualidade de alimentos de origem vegetal e animal, fertilidade do solo, manejo de doenças e pragas, máquinas agrícolas, pós-colheita, qualidade de carne, leite, ovos e pescado, fontes alternativas de energia e eletricidade na agropecuária.

Existem ainda um conjunto de Universidades públicas e particulares que tem promovido o ensino a distância no Brasil e mesmo formando consórcios para o oferecimento de cursos de extensão, graduação e pós graduação. Alguns desses empreendimentos, ? s vezes, tratam do setor agropecuário. Como exemplo podemos citar: (a) Unirede (www.unirede.br): um consórcio de 61 instituições públicas que objetiva atender ao ensino de graduação e pós graduação; (b) Universidade Federal de Santa Cataria (www.led.ufsc.br): é uma das mais bem preparadas universidades no que diz respeito ? utilização de videoconferência, atuando com mestrado e doutorado em áreas diversas e profissionalizantes; (c) UVB (www.uvb.br): Universidade Virtual Brasileira, um consórcio de nove instituições de ensino privado, dentre as quais a Anhenbi-Morumbi (SP), Amazônia (PA), Pantanal (MS), Potiguar (RN) e Triângulo Mineiro (MG); (d) Univir (www.univir.com.br): com 5 anos de existência, a Univir oferece cursos técnicos, de extensão e de pós graduação certificados pela UniCarioca. A Univir tem atualmente 20 mil alunos cadastrados, a grande maioria de cursos técnicos e de extensão. São 15 áreas que cobrem desde agropecuária e meio ambiente, até cursos de telecomunicações e saúde; (e) Rede Capa (http://www.redcapa.org.br/): rede de instituições vinculadas a capacitação em economia e políticas agrícolas para a América e Caribe (Figura 4).

Figura 4. Univir e Rede Capa

3. PARA ONDE VAMOS

O Brasil necessita utilizar-se do ensino a distância para levar a informação, o conhecimento e a capacitação ao setor do agronegócio, seja através de material impresso, rádio, tv ou das novas tecnologias de informação e comunicação, como Internet, Videoconferência e TV Digital.

O EAD é uma resposta para a demanda por oportunidades, nas agroindústrias, nas cooperativas, nas instituições de ensino e pesquisa e na pequena propriedade rural. Deve-se ter em mente os principais desafios a serem enfrentados neste contexto, quais sejam:

Formação tecnológica

Desde os anos 80, quando foram efetivamente colocadas as disciplinas relacionadas ? informática nas escolas, as tecnologias de informação e comunicação evoluíram de forma impressionante. Estas tecnologias já deveriam ser consideradas vetores de desenvolvimento econômico e social no contexto do agronegócio. No entanto, isto ainda não ocorre no Brasil.

Deve-se buscar a capacitação dos profissionais do agronegócio na geração, aplicação e uso das tecnologias de informação e comunicação, principalmente aquelas relacionadas ao ensino e difusão da informação e do conhecimento a distancia. Há carência de técnicos, graduados e pós-graduados para atuação no mercado nacional e internacional.

A inclusão de disciplinas como Informática básica e Informática Aplicada a Agronomia, Zootecnia, Engenharia Florestal, Medicina Veterinária, Administração Rural, entre outras, deve ser uma componente da reforma curricular que hora se inicia nas escolas e universidades em função de exigências da LDB.

O oferecimento de um percentual de disciplinas tradicionais destes cursos na modalidade a distância pode despertar o interesse, a motivação e a conscientização dos alunos sobre as oportunidades do EAD e de ferramentas de difusão da informação e do conhecimento.

O governo e as instituições devem apoiar a criação e o oferecimento de cursos de pós-graduação lato e stricto senso (a distância ou presenciais) nas áreas de Informática agropecuária, Gestão da informação no agronegócio, Sistemas digitais, automação e controle agrícola, Agropecuária de precisão, entre outras.

O EAD permite que as instituições de ensino e pesquisa promovam cursos em cooperação com outros países e mesmo videoconferências internacionais. Em um futuro não muito distante, americanos, brasileiros e europeus vão poder estudar juntos, sem ter que sair do país. Isto já pode ser feito hoje, com o uso de ferramentas de ensino por professores e pesquisadores de diversas partes do mundo. Imagine a contratação de um curso a distância sobre agricultura de precisão junto a uma universidade americana! Por que as nossas universidades ainda não estão fazendo isto para a graduação e pós-graduação?

No que diz respeito ? s Cooperativas, ? Agroindústria e ? s grandes Corporações do Agronegócio, tem-se que as mesmas necessitam investir em capacitação de pessoal e gestão do conhecimento. Neste sentido, deve-se encontrar uma maneira para que as mesmas possam implementar cursos de formação, aperfeiçoamento e especialização baseados em módulos impressos e Internet.

O conhecimento técnico e principalmente o conhecimento administrativo e de gestão é de fundamental importância para os setores produtivos e administrativos das organizações. A implantação de Universidades Coorporativas e/ou de cursos de Especialização e Mestrado Profissional é uma necessidade emergente. Por outro lado, a que se incentivar a implantação de portais com informações técnicas, gerenciais e EAD que atendam ? s cadeias de produção.

Concientização, capacitação e incentivo a professores/pesquisadores

Um dos principais erros da maioria dos projetos de difusão da informação e do conhecimento e da adoção e uso de tecnologias de informação e comunicação no país é exatamente não levar em conta o professor. A capacitação, o incentivo, a formação deve ser do professor/pesquisador – facilitar a compra de equipamentos e livros, acesso a internet e a novas tecnologias. Profissional motivado e com apoio institucional é certeza da chegada do conhecimento e da qualificação ? sociedade.

Aqueles que trabalham com ensino a distância no agronegócio (e na maioria dos setores) sabem que conteúdo técnico e científico existe, mas que este ainda não chegou ao campo e ? s organizações. Docentes e pesquisadores não tem o incentivo necessário para comunicar seus estudos e descobertas no contexto da extensão. Portanto, na questão de conteúdo e comunicações, cabe implantar a bolsa extensão, que deverá incluir o uso de tecnologias de informação e comunicação para difusão de estudos e da pesquisa realizada nas instituições.

Finalmente, deve-se incentivar projetos, workshops, seminários, mini-cursos e congressos que tenham como tema principal o Ensino a Distância no setor do Agronegócio. O objetivo deve ser a conscientização de docentes e pesquisadores quanto as potencialidades do EAD (não somente no contexto de uso de tecnologias de informação e comunicação, como também do que diz respeito ? produção e difusão de vídeos, textos e programas multimídia educacionais).

Infra-estrutura – computação e comunicações

O grande desafio para uso intensivo de tecnologias de informação e comunicação no ensino e difusão da informação e do conhecimento no setor do agronegócio é o de implantação de infra-estrutura adequada, em instituições de ensino e pesquisa e no campo. Esta infra-estrutura compõe-se de: telefonia rural e/ou transmissão satélite e conectividade em rede a baixo custo (linhas telefônicas e enlaces dedicados de internet, antenas parabólicas para recepção de sinais de TV e de computadores); salas de produção de conteúdos adequados ? difusão em massa (rádio, tv e vídeo), ? elaboração material impresso (editoração e impressão) ou computacional (laboratórios multimídia e redes de computadores).

Nas telecomunicações, um exemplo claro esta na própria lei do ensino a distância e quot;o poder público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada. A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que incluirá: custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens; concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de canais comerciais e quot;.

Neste sentido, as questões que se apresentam são as seguintes: Os custos dos links de internet são mais baratos para as instituições públicas e privadas que realizam EAD ? Os canais de Rádio e TV tem recebido apoio governamental para o EAD ? É possível a criação da TVAgroescola? E do ProinfoRural? As gráficas das universidades que realizam o EAD têm tratamento diferenciado? A Universidade de Lavras/MG – UFLA, que faz ensino a distância a mais de 15 anos, e mesmo outras como a UFV, UFJF e a Empresa Agroescola, por exemplo, já receberam algum investimento, incentivo ou apoio da Secretaria de Ensino a Distância do MEC? O Ministério da Educação e o Ministério da Ciência e Tecnologia têm apoiado estas instituições? Enfim, quais são as iniciativas e articulações para fazer chegar a EAD ao campo ?

Universidades e instituições de pesquisa devem implantar laboratórios multimeios. A produção interdisciplinar de materiais por parte de alunos, professores e pesquisadores deve ser incentivada para que sejam estabelecidas relações entre os diversos temas de ensino e pesquisa. Criar também laboratórios que viabilizem elaboração e testes de cursos e/ou mini-cursos que envolvam as diversas mídias.

Alfabetização digital

Se a penetração natural das tecnologias de informação e comunicação na cidade se restringe basicamente ? s classes de maior poder aquisitivo. O que dizer então do setor do agronegócio.

O que tem sido feito com relação a este setor que impulsiona o crescimento da economia brasileira e reafirma a vocação rural do país?

Com um produto interno bruto (PIB) de R$ 344,95 bilhões, o agronegócio produziu 27% de todas as riquezas do país, em 2001. Isto significa que, além de injetar dinheiro nos cofres públicos, o agronegócio gerou empregos, impulsionou a lucratividade dos homens do campo e, mais do que isso, fez o Brasil crescer. Até mais do que a indústria (BAETA, 2002).

Imaginem o agronegócio recebendo toda a informação e conhecimentos gerados pelas instituições de ensino e pesquisa – adotando tecnologia de ponta e com pessoas com um mínimo de e quot;aprendizado técnico, administrativo, geral e digital e quot;.

Desenvolver e viabilizar alternativas em software, hardware e qualidade

Softwares de gestão e administração de ensino a distância devem ser desenvolvidos. Estes softwares devem ser gratuitos e de fácil uso. Os profissionais de ensino e pesquisa devem aperfeiçoar/desenvolver processos, procedimentos e softwares, seja em modo Internet, TV Digital, Internet2 ou via TV, fitas de vídeo e material impresso. Somente com eles o EAD em larga escala poderá se tornar uma realidade, alavancando alternativas de alfabetização digital, bem como de capacitação e formação técnica e gerencial no agronegócio.

Devem também ser estudadas, testadas e implantadas metodologias de EAD especificamente voltadas ao Agronegócio, bem como sistemas de análise de qualidade de cursos e sistemas e modos de avaliação não-presencial. É fundamental zelar pela qualidade do EAD.

Também, a iniciativa privada e o governo devem buscar parcerias com as Universidades para o desenvolvimento de aplicações educacionais específicas do agronegócio.

Deve-se ainda desenvolver sistemas de hardware de baixo custo, que permitam a capitação de sinais de satélites (e que estes sejam de baixo custo para o homem e a empresa do campo) acompanhados de componente multimídia, facilitando o ensino-aprendizagem.

4. O QUE FAZER

Formação tecnológica (Educação no Agronegócio)

Incentivar a criação de disciplinas que envolvam tecnologia da informação e agropecuária nas instituições de ensino técnico, superior e de pós-graduação em Ciências Agrárias.

Difundir a possibilidade (e incentivar) o oferecimento de um percentual de disciplinas tradicionais dos cursos das instituições de Ciências Agrárias na modalidade a distância.

Apoiar a criação de cursos de extensão, técnicos, de graduação e de pós-graduação científica e profissional ? distância em Ciências Agrárias.

Facilitar e apoiar a promoção de workshops, seminários, cursos e mini-cursos internacionais (em cooperação com outros países) apoiados por ferramentas computacionais, videoconferência ou TV Digital.

Incentivar e apoiar a parceria entre empresas rurais, cooperativas, agroindústrias e universidades, para que estas implantem sistemas de difusão de informação e conhecimento (Portais Eletrônicos) e Universidades Corporativas (cursos de técnicos e mestrado profissional).

Concientização, capacitação e incentivo a professores/pesquisadores

Financiar, através de bolsas de extensão e de aprendizado tecnológico, a capacitação de professores, pesquisadores e estudantes em EAD no Agronegócio. Treinar professores em produção de material para EAD.

Subsidiar ou facilitar a aquisição de tecnologia computacional e de material de pesquisa para professores, estudantes e pesquisadores da área de EAD em Ciências Agrárias.

Incentivar e apoiar projetos, workshops, seminários, mini-cursos e congressos que tenham como tema principal o Ensino a Distância no setor do Agronegócio ou mesmo a Tecnologia da Informação no Agronegócio.

Infra-estrutura : computação e comunicações

Fazer cumprir a lei no que diz respeito a infra-estrutura (gratuita?) de comunicações (links de internet, canais de TV e rádio) nas Universidades e Instituições que atuam com EAD no Agronegócio.

Disponibilizar, através de editais, recursos financeiros para a implantação de laboratórios computacionais, salas de videoconferência e sistemas de rádio e TV educativos, nas instituições que promovam o EAD no Agronegócio.

Criar a TVAgroescola – através de incentivo ? produção de mídias educacionais direcionadas ? s Ciências Agrárias pelas TVs Universitárias.

Implantar o ProinfoRural – viabilizando a criação de Laboratórios Computacionais em instituições que atuem com ensino e pesquisa em Ciências Agrárias e em Comunidades Rurais.

Dispobilizar, através de editais, recursos financeiros para que as Instituições que atuem com EAD no Agronegócio implantem laboratórios multimeios – produção de mídias computacionais, fitas de vídeo, material impresso, entre outros meios.

Alfabetização digital

Incentivar e apoiar ações de extensão que tenham como objetivo a difusão e inclusão digital de comunidades e assentamentos agrícolas e mesmo de organizações do setor de agronegócio, como cooperativas e agroindústrias rurais.

Desenvolver e viabilizar alternativas em software, hardware e qualidade

Financiar, via editais, o desenvolvimento de software direcionado ao EAD no Agronegócio: software educacional rural livre e software para gestão do ensino a distância.

Incentivar e apoiar pesquisas nas áreas de: software educacional, aperfeiçoamento e metodologias para EAD no agronegócio; modos e técnicas de avaliação de aproveitamento e qualidade do EAD no agronegócio.

Apoiar o desenvolvimento de hardware direcionado a facilitar a recepção e/ou transmissão de sinais no setor rural, a baixo custo.

5. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

  • BAETA, C. A força que vem do campo. Estado de Minas Economia. No. 49, pp. 32-37. Maio de 2002.
  • CASTRO, A. L. B. Uma experiência de educação a distância em cursos de graduação. Rio de Janeiro: Universidade Castelo Branco. Pesquisado em 15/04/2002. Endereço: http://www.abmes.org.br/abmes/publica/Revista/estud26/ana.htm.
  • LOBIANCO, J. L. B. A informatização do ensino agropecuário a distância no Estado de Minas Gerais. Rio de Janeiro-RJ/COPPE Sistemas: Dissertação de Mestrado, 2001.
  • LOPES, M. A. et al. Educação via internet direcionada ao setor agropecuário: o caso UFLATEC. Revista Brasileira de Agroinformática, Vol. 3, No. 1, pp. 1-12. 2000.
  • CAVALCANTE, M. Saber para viver: igreja, rádio e educação popular. Uma história do MEB Limoeiro do Norte, CE (1962-1972). Brasília-DF/UnB: Dissertação de Mestrado.
  • SANTOS, A. C. Implantação de cursos virtuais de especialização e atualização em segurança pública na PMMG. Belo Horizonte-MG/PMMG: Monografia de Curso de Especialização em Segurança Pública.

Agrosoft 2002: Comercialização Eletrônica de Hortigranjeiros e Flores

COMERCIALIZAÇÃO ELETRÔNICA DE HORTIGRANJEIROS E FLORES

1. INTRODUÇÃO

A CEASA Campinas foi fundada em 1972 e entrou em operação em 1975, sendo, na época, uma das únicas Centrais de Abastecimento do país a ser instalada fora de uma capital de Estado e a ter como acionista uma Prefeitura Municipal, além da COBAL, que foi a empresa do Governo Federal encarregada de implantar o Sistema Nacional de Centrais de Abastecimento.

A CEASA, como entreposto atacadista, é um ponto de concentração física da produção de hortigranjeiros e flores, oriunda de diversas regiões do país. As mercadorias são destinadas aos comerciantes instalados no entreposto, constituídos como empresas permissionárias do espaço administrado pela CEASA. Estas podem atuar como prepostas dos produtores rurais, vendendo as mercadorias em consignação, ou podem simplesmente comprar as mercadorias de diferentes fontes e revendê-las, o que é mais comum.

A comercialização se dá pelo contato direto de vendedores (que são as empresas permissionárias da CEASA) e compradores (na sua maioria, varejistas de hortigranjeiros, além de atacadistas de outras praças, ou clientes institucionais, como restaurantes, hotéis, hospitais, etc). A negociação de cada produto normalmente tem como base a quantidade do mesmo que deu entrada no mercado no dia, quantidade esta que, em última instância, irá determinar os preços a serem praticados, em confronto com a demanda pelo produto naquele dia.

Esse processo de e quot;formação do preço e quot; acontece com razoável eficiência, uma vez que a estrutura da CEASA e a localização dos diversos boxes e módulos estimula a concorrência e possibilita aos agentes envolvidos nas negociações uma noção precisa da disponibilidade ou não de cada produto no dia, permitindo que as decisões sejam tomadas com segurança. Pode-se dizer que as características da comercialização de hortigranjeiros impedem que os vendedores obtenham vantagens além daquelas consideradas normais para sua atividade.

Se a estrutura física apresenta méritos indiscutíveis, a comercialização em si está marcada por uma série de ineficiências, que representam custos adicionais significativos no segmento atacadista da comercialização. Nesse sentido, um aspecto a ser ressaltado é o do conservadorismo que caracteriza os comerciantes instalados nos entrepostos, onde os níveis de rudimentarismo e de informalismo permanecem elevados, gerando perdas física e altos índices de inadimplência entre os agentes, entre outros problemas.

Com efeito, questões básicas para o aperfeiçoamento dos mercados, como o desenvolvimento de embalagens, a melhoria da padronização e classificação de produtos, o treinamento de agentes e outras, foram totalmente desconsideradas pelas administrações, após a transferência do comando das Centrais de Abastecimento para os Estados e Municípios. É este o quadro que precisa ser revertido, uma vez que ele compromete o potencial de prestação de serviços das CEASAs e induz a um imenso desperdício de recursos nos sistemas de produção e comercialização de hortigranjeiros no país.

2. DO QUE SE TRATA

A implantação do sistema eletrônico objetiva a modernização do sistema de distribuição de produtos hortigranjeiros e flores no país. Através dela espera-se incrementar as operações comerciais via mercados normatizados, atraindo para estes parcela da produção que hoje é negociada em mercados paralelos, ou diretamente por produtores que não se sentem satisfeitos com as condições vigentes nas CEASAs.

Este aperfeiçoamento contribuirá, também, para aumentar a credibilidade das informações estatísticas, uma vez que possibilitará o acompanhamento direto dos preços praticados. A utilização do meio eletrônico tornará mais efetiva, do mesmo modo, a difusão maciça da informação.

O funcionamento do novo sistema, por suas características, propiciará uma maior transparência ? s operações comerciais, tornando evidente para todos os agentes o processo de formação de preços, e corrigindo, desse modo, uma deficiência do sistema atual, que gera interpretações equivocadas sobre o desempenho das CEASAs, sobretudo entre os produtores. Assim, o novo sistema, exercerá um papel importante na formação de um conceito novo sobre o funcionamento do mercado, ajudando a vencer resistências e preconceitos. Cada produtor terá a oportunidade de acompanhar as negociações em torno do seu produto.

Com relação ? produção, prevê-se que o novo sistema será um grande fator de estímulo ? introdução de melhorias nos aspectos de padronização, classificação e de embalagens, que são fatores que hoje comprometem a competitividade de nossos produtos e que geram perdas e desperdícios de grande monta. Em parte, o estímulo se dará pela própria obrigatoriedade de operar com produtos e embalagens de qualidade.

Outra meta almejada pelo novo sistema é a da eliminação da informalidade no mercado de hortigranjeiros, uma vez que haverá registro de todas as transações. Desse modo, estará sendo eliminada também a inadimplência que hoje desestabiliza o mercado, pois a conclusão das diversas transações será garantida pela intervenção do agente financeiro que atuará no sistema.

Isto garantirá a participação de pequenos produtores e comerciantes, pela maior segurança embutida no processo, e também propiciará ? estes agentes igualdade de oportunidades na aquisição dos lotes que serão colocados ? venda.

De modo geral, espera-se maior eficiência em todas as fases da comercialização, especialmente pela padronização que, entre outros benefícios, levará ? maior racionalização nos transportes e ? agilização das transações e do processo decisório. A conseqüência natural será a redução dos custos de intermediação, com reflexos positivos para a renda dos produtores.

3. ONDE ESTAMOS

Inicialmente, poder-se-ia dizer que, diante dos problemas crônicos e estruturais que afetam grande parte da produção e a distribuição de hortigranjeiros no país, os entrepostos atacadistas são os organismos que reúnem as melhores condições para facilitar a introdução e divulgação de novas técnicas e novos conhecimentos entre os agentes envolvidos na cadeia de abastecimento.

Por suas próprias características, os mercados atacadistas são o ponto de encontro de todos os agentes, fato que possibilita ? estas estruturas concentrar e difundir as informações relativas ? s culturas e ? s zonas produtoras. Além disso, diante da crônica carência de dados e estatísticas que assola nossa agricultura, as CEASAs continuam sendo o único elo da cadeia de abastecimento que dá transparência total ao sistema de abastecimento. Elas mostram com clareza, ou dão uma noção muito exata, de quanto está sendo produzido de cada produto no país, em quais regiões produtoras, em que épocas e ? que preços estão sendo comercializados estes mesmos produtos. Revelam, por fim, quais são os períodos propícios para a produção.

Os entrepostos atacadistas produzem informações, e informações, segundo todos os técnicos ligados aos agronegócios, são hoje o principal insumo da agricultura. Além disso todas estas informações estão colocadas ? disposição de qualquer interessado, gratuitamente.

Assim, pode-se afirmar que as CEASAs foram e continuam sendo a única política agrícola destinada aos produtos hortigranjeiros, o que evidencia o papel que elas desempenharam em termos de racionalização da comercialização e de estímulo aos demais elos da cadeia, e valoriza ainda mais o fato delas não terem deixado de produzir estatísticas e informações ao longo do tempo.

Com efeito, as CEASAs, tal como as demais empresas públicas, foram atingidas pelo sucateamento da máquina estatal nas últimas décadas. Processo este que desarticulou o SINAC e quebrou o caráter de sistema que unia os diversos mercados, com reflexos negativos no gerenciamento técnico da maioria dos mercados.

Embora possa parecer pouco, para quem não conhece o setor, esta desarticulação ocasionou, de imediato, um prejuizo inestimável, que atingiu o âmago de um patrimônio que os mercados vinham consolidando em conjunto e que era representado por um e quot;sistema nacional de informações e quot;, administrado pela antiga COBAL. A cessação do intercâmbio de dados e experiências antes centralizadas por essa empresa também representaram um sério revés para o aperfeiçoamento técnico dos mercados.

É necessário complementar que um investimento na revitalização dos setores técnicos das CEASAs poderá impulsionar mais rapidamente este desenvolvimento. E é possível acrescentar ainda que, em última instância, esse processo poderá significar a recuperação do caráter de sistema que unia as Centrais, definindo, tanto quanto possível, um mercado nacional a ser trabalhado. Ignorando este caminho, as soluções a serem encontradas virão a prazo muito mais longo e custarão muito mais caro para o país.

Por fim, vale registrar que o Brasil só terá algum destaque no comércio mundial de produtos in natura se houver uma opção clara do seu Governo nesta direção. Caso contrário, continuaremos como participantes marginais em um mercado que está em franca expansão, e continuaremos a desperdiçar nosso imenso potencial de produção de uma infinidade de frutas, hortaliças e flores, de grande aceitação internacional.

Assim, na ausência de mudanças, o cenário que irá prevalecer é o que se desenhou após o real e que forneceu uma pequena amostra da nossa frágil competitividade nessa área. Logo após o plano de estabilização, nossa produção, como se sabe, chegou a perder espaço com a importação crescente de produtos de melhor qualidade. Com o câmbio desvalorizado, nos fechamos novamente.

4. PARA ONDE VAMOS

A perspectiva de que o comércio de hortigranjeiros e flores nos moldes observados atualmente nas CEASAs caminha para um quadro de dificuldades crescentes, antevendo-se a possibilidade de modificações acentuadas no médio prazo, com uma maior concentração no setor e a eliminação de um número significativo de empresas.

Sem questionar o mérito indiscutível dos mercados normatizados como pólos geradores de informações estratégicas para toda cadeia produtiva, entre outras qualidades, o certo é que as operações nas CEASAs estão se tornando proibitivas para a maioria das empresas permissionárias, ou, de outro modo, as CEASAs estão se tornando estruturas muito caras dentro de um mercado cada vez mais exigente em eficiência, custos e qualidade.

4.1 Mercado, trabalho e oportunidade

Pensando nestas questões e no seu próprio futuro, a CEASA-Campinas vem se empenhando na implantação de um Sistema Eletrônico de Comercialização de Hortigranjeiros e Flores, projeto que deverá permitir a seus permissionários adentrarem com segurança no mundo das vendas via INTERNET, aumentando suas receitas sem incorrer em novos custos e, adicionalmente, liquidando definitivamente com o (até agora) crônico problema da inadimplência, uma vez que as operações serão garantidas por um agente financeiro.

Do ponto de vista da CEASA-Campinas, além do objetivo de aumentar seu faturamento, a empresa considera que está, do mesmo modo, cumprindo sua função pública e dando uma contribuição expressiva para o aperfeiçoamento do mercado, na medida em que estimule produtores e atacadistas a classificar e padronizar seus produtos, meta arduamente perseguida pelos grupos que se reúnem nas Câmaras Setoriais e condição imprescindível para as vendas através do meio eletrônico.

Com a comercialização eletrônica, a CEASA-Campinas pretende dar um grande passo ? frente. Tecnicamente, o mercado eletrônico é constituído por um sistema de comercialização que permite reproduzir na tela do micro todas as situações e tipos de relações comerciais observadas no mercado físico. Além disso, os equipamentos e computadores interligados permitirão aos usuários diversos tipos de aplicações, tais como oferta, compra e venda de produtos hortigranjeiros, flores e industrializados, atendimento remoto de clientes, disponibilização de informações via rede pública (Internet) e via rede privativa da CEASA-Campinas (Intranet) e exportação das transações efetuadas para os sistemas de gestão empresarial das empresas.

4.2 Universalização de Serviços para a Cidadania

A implantação deverá propiciar a superação gradativa de boa parte dos problemas que hoje caracterizam a comercialização de hortigranjeiros e flores, como a falta de padronização, falta de identificação do produto e da origem, a inadimplência e a informalidade, entre outros. Isto ocorrerá na medida em que os agentes forem se adaptando ao novo processo, o que, na visão da CEASA, deverá acontecer natural e rapidamente, pelas vantagens que ele trará.

Para os compradores de FLV, sobretudo para os supermercados que já estão bastante informatizados, as vantagens estarão na sensível redução de custos operacionais que o sistema possibilitará, aliada ? uma maior eficiência e agilidade da área de compras, ? racionalização de procedimentos, ? maior possibilidade de controle gerencial das operações e ? garantia de recebimento de mercadorias selecionadas e classificadas de acordo com os padrões consagrados pelo mercado.

Basicamente, o novo sistema consiste em um software avançado de e-commerce, mas de fácil operação, que permitirá que vendedores e compradores dialoguem entre si, em tempo real, ou que interajam com o próprio sistema, que poderá fechar as transações automaticamente, na medida em que as pré-condições definidas por uma parte (preço mínimo, preço máximo, local de entrega, prazos, etc) sejam atendidas pela outra parte. Gerenciando o funcionamento estarão a própria CEASA e o agente financeiro, que garantirá as operações.

Apesar do sistema implantado pela CEASA Campinas garantir total privacidade e manutenção da individualidade de cada participante, ele, na prática, representará o fim da informalidade que caracteriza o mercado atacadista de frutas e hortaliças. Hoje a maioria das negociações ainda são fechadas com base na confiança, ou com anotações em cadernetas e outros documentos precários, que não dão qualquer garantia efetiva ? s partes. Adicionalmente, o registro eletrônico das transações permitirá a divulgação de informações precisas sobre quantidades negociadas e preços praticados, possibilitando total transparência ao mercado e eliminando quaisquer dúvidas que possam gerar questionamentos no caso de vendas consignadas.

Assim, é válido concluir que o sistema eletrônico reforçará o conceito da CEASA como o espaço mais acessível e seguro para a sobrevivência de pequenos produtores e comerciantes, uma vez que estes terão condições de colocar suas ofertas em igualdade com os demais, na medida em que se preocupem com a qualidade de seus produtos. Terão, adicionalmente, a certeza de receber preços justos por suas mercadorias, balizados exclusivamente pelas condições de oferta e procura, e não por pressões leoninas dos grandes compradores.

4.3 Governo ao Alncance de Todos

O despreparo dos agentes e a ausência de uma política efetiva de modernização são as marcas mais características do setor hortigranjeiro na atualidade, e explicam as cifras fantásticas de produtos que se perdem anualmente por falta de condições adequadas de produção e comercialização. Do mesmo modo, estas deficiências justificam a participação inexpressiva do Brasil no mercado mundial de frutas e hortaliças.

4.4 P e amp;D, Tecnologias-chaves e Aplicações

A inadequação das embalagens em uso no momento, bem como a falta de classificação e de padrões oficiais para a maioria dos produtos certamente representarão barreiras imensas para uma adesão significativa ao projeto.

Se o sucesso dos primeiros participantes representar um incentivo para os demais permissionários, servindo para impulsionar o mercado em direção ? padronização e classificação, ele já terá justificado plenamente o investimento da CEASA, enquanto órgão público com responsabilidades na modernização do setor.

5. O QUE FAZER

Alguns problemas ainda ameaçam o desenvolvimento do mercado eletrônico, como o conservadorismo, resistência dos agentes (compradores e vendedores) e práticas realizadas na comercialização da velha economia. Porém, como no mercado convencional, a credibilidade, a confiabilidade e a fidelização de clientes devem ser encaradas de maneira séria pelas empresas virtuais, fazendo no novo hábito, uma relação de confiança e satisfação para ambas as partes, aproximando compradores e vendedores e influenciando mercados globais, em uma economia onde as barreias físicas se tornarão cada vez menores e mais fácei de serem ultrapasadas.

5.1 Ações Estruturantes

  • Fortalecer laços de cooperação e troca de experiências entre os mercados normatizados.
  • Incentivar a modernização efetiva do segmento atacadista da comercialização de hortigranjeiros, com reflexos positivos para os demais elos da cadeia produtiva, viabilizando a diminuição de custos de comercialização e o aperfeiçoamento geral do mercado de frutas, hortaliças e flores.
  • Viabilizar a implantação da nova legislação sobre classificação e embalagens.
  • Impulsionar a padronização e classificação de produtos hortigranjeiros e flores.

Arlindo Jorge Junior
Ceasa – Campinas

Agrosoft 2002: Situação Atual, Potencial e Uso da Gestão Informatizada em Fazendas e Cooperativas Agropecuárias

SITUAÇÃO ATUAL, POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES DO USO DA GESTÃO INFORMATIZADA EM FAZENDAS E COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS NO BRASIL

Luiz Carlos Takao Yamaguchi
Limirio de Almeida Carvalho
Claudio Nápolis Costa

Embrapa Gado de Leite

1. INTRODUÇÃO

Nos dias atuais, o mundo encontra-se em rápido processo de transição da sociedade industrial para a sociedade da informação, considerada por muitos como uma revolução em escala bem maior e global e de ciclo bem menor que o experimentado pela revolução industrial. Neste processo de transição a informação tem sido apontada como a principal fonte do poder, em substituição ao capital, referência de poder da sociedade industrial. Também as empresas estão passando por um processo drástico e rápido de reorientação e reestruturação, visando sempre buscar respostas para satisfazer as necessidades e expectativas dessa nova sociedade.

Diante destes fatos, o mundo dos negócios vem passando também por um acelerado processo de transição, da era de produção em massa para a era da produção com foco no atendimento das necessidades dos clientes, que passam a ocupar uma posição de destaque com vontades próprias e necessidades específicas. Neste contexto, o fluxo de informação foi invertido, e se realiza no sentido consumidor/distribuidor/indústria/produtor primário. Assim, a filosofia de oferta de produtos passa para a filosofia de atendimento de demanda, impondo-se um novo ritmo de organização da cadeia produtiva, a partir das mudanças nos padrões de consumo.

São inúmeras as forças que impõem novas concepções e valores ? sociedade e ? s empresas, sendo a mais importante delas a rapidez nas mudanças exigidas. As novas tecnologias têm promovido mudanças e adaptações das empresas em ritmo sem precedentes. Elas têm exercido forte impacto até mesmo sobre as estruturas empresariais mais conservadoras, cujas estratégias e regras de gerenciamento e administração foram desenvolvidas e organizadas para atender mercados e tecnologias estáveis, que se modificam gradualmente, em ritmo bastante lento. O sistema de informação vem alterando a natureza da administração e afetando a direção e a cadência das mudanças.

A principal fonte provedora desta mudança tem sido o intenso emprego do recurso informação associado ? s tecnologias facilitadoras de coleta, processamento, armazenamento e disseminação, conhecidas como Tecnologias da Informação (TI). Cada vez mais as empresas têm recorrido a esta tecnologia para a adequação de seus empreendimentos ao novo formato de operação exigido pelo mercado nacional e internacional.

Dentro dessa nova realidade, o mundo começa a perder fronteiras do ponto de vista de mercado. O executivo administrador deve estar sempre atento a essas mudanças e também preparado para entender a nova dinâmica da economia mundial, para obter e consolidar vantagens competitivas. Como resultado, os novos modelos de organização empresarial estão voltados para atender ? s necessidades e expectativas dos clientes, com alta qualidade e produtividade, adotando estrutura organizacional leve e com mínimo de infra-estrutura. O cliente passa a ocupar posição de destaque e para ele se orienta a produção em escala, as interações em redes assumem o lugar da hierarquia funcional, as alianças estratégicas surgem em substituição ? s aquisições e fusões. Todas essas tendências geram novos desafios nas diferentes áreas administrativas, por exemplo, planejamento, produção, marketing e distribuição, entre outras.

2. OBJETIVOS

Este trabalho tem como objetivo descrever a situação atual de fazendas e cooperativas agropecuárias brasileiras quanto da adoção de Tecnologia da Informação, bem como discutir potencialidades e limitações para sua utilização no futuro.

3. SITUAÇÃO ATUAL

3.1 Agronegócio

O agronegócio vem se destacando como um dos setores mais importantes da economia brasileira. Segundo Haddad (1999), este setor teve uma participação significativa contribuindo com 30% na formação do PIB, empregando mais de 35% da população economicamente ativa residente e respondendo por cerca de 40% das exportações.

Com a criação da Organização Mundial do Comércio, abertura do mercado mundial, internacionalização da economia e, principalmente, pelas facilidades de comunicação, os agentes econômicos do agronegócio têm sido colocados diante de um mundo que apresenta os mercados cada vez mais integrados, exigindo padrões de concorrência que requerem competência e vantagens competitivas em termos de produção, processamento, distribuição e comercialização dos produtos.

De modo semelhante, a cadeia agroindustrial nacional tem passado também por profundas transformações dentro desse novo ambiente econômico e social altamente competitivo, requerendo tanto dos produtores rurais quanto dos dirigentes de cooperativas maior profissionalismo na condução dos seus negócios, o que implica obtenção de informações mais precisas, organização e utilização eficiente. Embora a aplicação da informática seja ainda bastante incipiente no meio rural, principalmente quando comparada a outros setores, não se pode negar a existência de um bom número de softwares específicos no mercado nacional. Corroborando essa afirmativa, Vale e amp; Santos (1998), citando o Guia Agrosoft 97, relata a existência de 146 títulos de programas, destinados exclusivamente ao setor agropecuário.

3.2 Fazendas

No que se refere ao uso de microcomputadores em fazendas, Teixeira et al. (1998), analisando as características e a estrutura de produção de leite em 76 fazendas controladas pela Associação de Criadores de Gado Holandês do Estado de Minas Gerais nas Regiões Sul, Zona da Mata, Alto Paranaíba, Oeste, Campo das Vertentes e Metalúrgica, identificou a presença de computadores em 25% das fazendas. Ainda, José G. Jardine, com base em estudo realizado pela Embrapa Informática Agropecuária, argumentou em uma reportagem publicada pela Leite Nestlé em abril de 2002, que cerca de 18% dos fazendeiros brasileiros possuem microcomputadores, dos quais 4% encontram-se conectados ? Internet. Por outro lado, estudo recente realizado pela Embrapa Gado de Leite, em parceria com as principais compradoras de leite do País, que incluíram aplicações de questionários nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul, responsáveis por cerca de 70% da produção nacional de leite, constatou-se que nas 162 fazendas visitadas, em torno de 5% possuíam microcomputadores, e que menos da metade utilizava essa ferramenta para o gerenciamento do rebanho. Vale ressaltar que essas fazendas foram selecionadas pelas cooperativas e indústrias de laticínios como unidades de referência na produção leiteira regional.

De acordo com Lemle (2002), os agricultores internautas são seres desconhecidos para o governo mas as multinacionais do setor agrícola fabricantes de máquinas, sementes, defensivos, fertilizantes e outros artigos agrícolas encomendaram recentemente ao instituto alemão Kleffmann, especializado em estudos do mercado agrícola, um perfil do produtor brasileiro de soja. O levantamento mostra que dos 1.400 produtores de soja pesquisados, 32% têm microcomputador e quase 19% (261) conexão ? internet. Destes, 16% já compraram produtos pela rede e o principal uso da web é para a busca de informações climáticas, estatísticas, técnicas e sobre produtos agrícolas. Entre os produtores de soja conectados, apenas 5% são considerados pequenos, isto é, cultivam até 100 hectares de terra. A situação é crítica porque justamente quem mais se beneficiaria das informações são os pequenos produtores, que não dispõem de outras fontes de informação.

3.3 Cooperativas

Observou-se que as cooperativas e indústrias de laticínios parceiras também visitadas pelo projeto da Embrapa gado de Leite, num total de 50, possuíam microcomputadores, cuja utilização resumia-se na tradicional contabilidade, controle de contas a pagar e receber, elaboração de folha de pagamento de fornecedores e empregados, e controle de estoques. Nesse particular, diagnóstico realizado pela SEBRAE-MG (1997) identificou que 73% dos laticínios com SIF (Sistema de Inspeção Federal) e 32% sem SIF, instalados no Estado de Minas Gerais, possuíam microcomputadores, cujas utilizações resumiam-se nas tarefas rotineiras acima descritas.

3.4 Associações de Criadores

As associações de Criadores, por credenciamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, têm atribuição de manter os livros de registro genealógico, dados de desempenho e de avaliação das condições raciais dos animais. Os procedimentos de registro requerem um processo de identificação de cada animal individualmente, ao qual se associam dados de desempenho obtidos em controles produtivos e eventos reprodutivos, entre outros. Embora geralmente as Associações de Criadores disponham de boa estrutura de hardware, os recursos de software atualmente disponíveis são limitados em termos de capacidade de processamento, e não contemplam a organização estruturada e relacional dos registros associados ? s características de produção, conformação e genealogia dos animais. A quantidade de dados aumenta anualmente, o que tende a tornar seu processamento cada vez mais lento, principalmente no tocante a manutenção e edição dos dados.

As pressões econômicas e competitividade têm induzido os produtores ao aumento do tamanho dos rebanhos e da produção para aumentar a eficiência e reduzir os custos. Estas tendências para maiores rebanhos e maior produção por animal têm ressaltado a importância da disponibilidade de informação na tomada de decisões. Por outro lado, com o crescimento do comércio de animais entre pecuaristas e, particularmente entre países, observa-se, atualmente, em nível internacional, uma preocupação com a implementação de um sistema de identificação animal, objetivando maior eficiência aos programas de manejo e seleção dos recursos genéticos, e principalmente nos programas de controle e erradicação de doenças que necessitam de procedimentos com soluções rápidas e precisas no monitoramento e rastreamento de animais na eventualidade de sua ocorrência (GONÇALVES, 2001).

Atualmente existem no mercado nacional vários softwares para o gerenciamento de rebanhos (AGROSOFT, 1998). Todavia, apesar de eventualmente eficientes na organização da informação para criadores individualmente, eles não se caracterizam com o sistema de informação – software baseado nos processos reais, que consideram o relacionamento entre setores / atividades / estágios de produção, e, neste sentido, realizam a consistência dos dados coletados entre si e com aqueles previamente existentes, ou seja, numa avaliação estruturada conforme padrões de conformidade preestabelecidos com base em critérios biológicos, cronológicos e técnico operacionais ou normativos. Assim, no âmbito das associações de criadores, constata-se a necessidade de se aplicar os recursos da tecnologia da informação no armazenamento dos registros de desempenho produtivo, reprodutivo, de conformação e genealogia dos animais, para estruturação de um banco de dados com informações sobre animais, e prover um mecanismo para a transferência dessas informações entre as instituições participantes de programas de desenvolvimento da pecuária. Em adição, a análise das informações do banco de dados, por criador, com apresentação de indicadores técnicos, permite a comparação com padrões médios de desempenho, e, assim, a identificação de pontos deficientes nos sistemas de produção. Esta avaliação, de grande auxílio na tomada de decisões, possibilita a elaboração de estratégias de ajuste do manejo dos rebanhos, visando obter ganhos em produtividade.

3.5 Infra-estrutura

A reforma agrária digital depende, em primeiro lugar, da melhoria da infra-estrutura de telecomunicações no interior. Segundo a Anatel (Lemle, 2002), apenas 350 municípios brasileiros têm provedores. Isto representa somente 6% do total de municípios. O Sudeste concentra 58% dos serviços, seguido pelo Sul (19%), Nordeste (11%), Centro-Oeste (7%) e Norte (5%). Quando não há cabeamento de telefonia e fibra ótica, a alternativa seria o acesso por satélite ou rádio. Essa alternativa, no momento, ainda é cara e fora do alcance da realidade do produtor rural brasileiro, tanto quanto o uso do computador. Segundo Oliveira (2001), dados da ONU, relativos a 2000, apenas 7,2 em cada mil brasileiros estão ligados ? internet. Esse número é próximo aos da Argentina (8,7) e do México (9,2), mas significativamente inferior ao dos Estados Unidos, onde 179,1 habitantes em cada mil estão conectados ? rede mundial. A desatenção dos órgãos brasileiros sobre o alcance da internet no campo se justifica, de certa forma, pela sua própria insignificância.

4. POTENCIALIDADES

A informática, sem dúvida, foi uma das áreas da ciência que mais rapidamente se desenvolveram e se difundiram no final do século passado. Os equipamentos de informática tornaram-se mais eficientes e acessíveis em termos de preços, assim como os softwares, tornaram-se mais acessíveis e de melhor compreensão e operacionalização. Estimativas do Prof. Fernando Meirelles, do Centro de Informática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV), citado em reportagem de Billi (2000), indicam que nos últimos treze anos os gastos de médias e grandes empresas do Brasil com equipamentos e serviços de informática evoluíram de 1,3% para 4,5% de suas receitas. Os investimentos em informática cresceram ? medida que os custos dos equipamentos e de manutenção caíram. Ainda segundo a FGV, existem hoje cerca de 14 milhões de microcomputadores no País (tanto em empresas quanto em residências), enquanto eram 15 mil em 1988. Assim, o futuro da informática se mostra bastante promissor, principalmente diante do atual quadro em que as empresas necessitam dessa ferramenta para fazer face aos problemas e oportunidades de negócios dentro do novo cenário de economia globalizada e internacionalizada.

4.1 Internet

Um instrumental de ampla utilização na informática tem sido a Internet, que no Brasil teve grande impulso, inicialmente na comunidade científica, em seguida como plataforma de expansão do setor privado, e desde 1995, aplicados a serviços de natureza comercial. O uso comercial tem crescido significativamente como meio de realização de fechamento de negócios, divulgação de produtos, oferta de cursos, serviços bancários, compras diversas, comunicação de voz e imagem, entre outros. Em março de 2001, segundo a Fundação de Amparo ? Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) em matéria publicada pela revista Exame (2001), os domínios registrados no Brasil eram 382.000, dos quais os sites comerciais (com.br) representavam 92%.

O uso da Internet tem propiciado também a geração, propagação e utilização de conhecimentos de maneira sem precedentes na história do homem, fazendo com que as fronteiras físicas entre estados, regiões e até mesmo países percam importância no processo de comunicação. No caso brasileiro, dada a sua dimensão territorial, reforça a importância da internet como fonte de crescimento e dinamismo do negócio agrícola, oferecendo vantagens competitivas nas relações com os parceiros comerciais.

4.2 Redes

Um exemplo de como esse futuro está bem próximo, é o sistema em rede, cujo objetivo é disponibilizar aos seus usuários (assinantes), via Internet, informações que possibilitem melhorar o conhecimento e subsidiar a tomada de decisão. São informações que procuram responder questões do tipo: O produto possui as características desejadas? Agrega a melhor tecnologia disponível? Existe algum similar de menor preço que incorpora mais tecnologia? Quem são os representantes e distribuidores do produto? Existe facilidade de serviços de assistência técnica? O produto encontra-se disponível para pronta entrega?

Além disso, o serviço de rede coloca ? disposição de seus clientes serviços de notícias, jornal de negócios on line, que transmitem informações instantâneas ao leitor. Permite ainda acessar banco de dados usando palavras-chave, conhecer os últimos lançamentos, visitar centros de negócios, divulgar seminários técnicos dentro de cada área de atuação etc.

4.3 Sistemas Especialistas

Outro ramo de aplicação da informática tem sido o desenvolvimento de Sistemas Especialistas, que pertencem ? área da ciência da computação conhecida por Inteligência Artificial (Moura, 1996), cuja área está voltada para desenvolver nos computadores e equipamentos habilidades inteligentes quando comparadas ao comportamento do homem. Os Sistemas Especialistas são conceituados como programas de computador que utilizam o conhecimento de um ou mais especialistas para a solução de problemas específicos, em que o principal componente é a base de conhecimentos obtidos dos especialistas. Esta base é gerenciada por um processo de inferência e é acessada por meio de um mecanismo de comunicação que viabiliza a interface com o usuário (Hogeveen et al., 1991). Os Sistemas Especialistas, apesar do grande avanço observado nas últimas décadas, ainda não são desconhecidos pela grande maioria dos profissionais das ciências agrárias e dos dirigentes de cooperativas e indústrias de laticínios. Os relatórios gerados pelos Sistemas Especialistas, na forma de textos explicativos, facilitam o entendimento por parte dos usuários, o que os colocam em situação vantajosa em relação aos programas convencionais, pois são ferramentas imprescindíveis para tomada de decisão. De acordo com Silva, citado por Moura (1996), o potencial de utilização dos Sistemas Especialistas, nas áreas relacionadas com a economia agrícola, encontra-se na administração rural e na extensão rural. Dentre os vários segmentos do complexo agroindustrial, o segmento das agroindústrias tem se destacado com o desenvolvimento e uso de Sistemas Especialistas no planejamento da produção industrial, diagnose de contaminação e intoxicação alimentar e monitoramento dos processos produtivos.

4.4 Portais Agropecuários

As empresas privadas voltadas para o negócio agrícola que investem nesse segmento têm interesse maior no comércio eletrônico, que possibilita a compra e venda de produtos e insumos agropecuários. O recente surgimento de vários Portais agropecuários na Internet é um bom indicador de crescimento do uso e da importância dessa tecnologia da informação na agropecuária. Para Silva Jr (2001), a principal e mais evidente contribuição da Internet, para agropecuária, tem sido a disponibilização de informações, que cobrem ampla variedade de atividades agropecuárias. De acordo com esse autor, alguns portais oferecem recursos avançados, em que doenças de plantas ou animais são diagnosticadas a partir de informações prestadas pelo agricultor. Também os cursos e treinamentos com uso da Internet encontram-se em rápido processo de expansão, além disso, existem portais que permitem a formação de grupos de compra, ampliando o poder dos produtores nas negociações. Essa evolução tem sido provocada pelo desenvolvimento e rápida expansão das tecnologias da informação e de telecomunicações, aumentando o potencial de coleta, processamento, divulgação e acesso ? s informações.

4.5 Gerenciamento

Outra aplicação refere-se a sistemas que permitem a vendedores e fornecedores acessarem, em qualquer computador conectado ? Internet, informações relativas a estoques, preços, condições que podem oferecer aos clientes, por exemplo. Uma vez concretizada a transação, o sistema atualiza o estoque e disponibiliza a informação a outros vendedores da empresa e aos fornecedores. Nessa modalidade, é como se as empresas da cadeia produtiva utilizassem o mesmo sistema, propiciando grande avanço na sua coordenação, com ganhos em eficiência. Na agropecuária, sistema semelhante pode ser utilizado no controle sanitário, com a finalidade de notificar e providenciar com rapidez o controle de doenças. Também, sistemas integrando indústria de insumos, produção primária e processamento, podem gerar soluções para contribuir na melhoria da competitividade da cadeia como um todo. No segmento de produção primária, sistemas dessa natureza possibilitariam digitar e processar os dados coletados em diferentes fazendas, por exemplo daquelas filiadas de uma associação, cujos resultados gerados fossem acessados a partir de qualquer computador conectado ? rede. Na bovinocultura de corte um sistema desse tipo possibilitaria ao produtor tomar decisões de compra e venda fora da fazenda, com dados atualizados e processados de sua empresa.

4.6 Difusão do Conhecimento

Para a cadeia agroindustrial pode-se imaginar ainda, num futuro bem próximo, um serviço de rede, via Internet, com informações de toda natureza como aquelas relacionadas a dados meteorológicos, informações tecnológicas, cotações de preços de insumos, serviços, equipamentos e de produtos agropecuários e industrializados e assim por diante. Até mesmo sistemas de suporte ? decisão deverão ser disponibilizados para utilização direta pelo interessado. Novos paradigmas educacionais, como a educação ? distância por meio da Internet, devem ser intensificados, de modo a tornar o negócio agropecuário mais atrativo e competitivo. As Empresas do Conhecimento incluem universidades; escolas técnicas; centros de pesquisa; órgãos de fomento; empresas que prestam consultoria; cooperativas e serviços de extensão rural públicas e privadas. Também deverão estar disponíveis operações envolvendo bolsas de mercadorias, mercado futuro e serviços de consultoria on line.
Como se pode observar, as possibilidades de uso do sistema em rede, via Internet, são inúmeras para o setor agropecuário e até mesmo impossível de se fazer uma previsão acertada de todas as alternativas de aplicação, isto porque este sistema encontra-se em permanente processo de atualização e aperfeiçoamento.

5. LIMITAÇÕES

Em que pese o advento dos serviços de rede e do rápido desenvolvimento das tecnologias de telecomunicações com uma sofisticada base tecnológica instalada e um considerável contingente de recursos humanos qualificados, abarcando desde a pesquisa e desenvolvimento até o fomento de empreendimentos, não se pode afirmar o mesmo quando se trata do setor agroindustrial. São inúmeras as limitações para a implantação e desenvolvimento de sistemas de informação em fazendas e cooperativas agropecuários.

Entre outras, as principais limitações identificadas para informatização de fazendas foram:

  • idade média avançada dos produtores rurais (em torno de 50 anos no caso de produtores de leite);
  • baixo nível de escolaridade (educação formal);
  • migração dos filhos para outras atividades nas cidades;
  • falta de recursos financeiros para aquisição de equipamentos, material de informática e treinamento de pessoal;
  • precariedade ou ausência dos serviços de telefonia e energia elétrica;
  • ausência de provedores de acesso ? Internet.

Dentre as restrições para informatização de cooperativas agropecuárias foram identificadas:

  • falta de visão administrativa dos dirigentes de cooperativas;
  • ausência de recursos humanos qualificados para uso da informática;
  • sucateamento dos equipamentos de informática, falta de recursos financeiros para atualização dos equipamentos e treinamento de pessoal para uso da informática;
  • precariedade dos serviços de telefonia e provedoras para uso da Internet;
  • ausência de serviços para manutenção de equipamentos de informática.

No caso das fazendas, a solução dos problemas para acesso e uso da informática pode estar na criação de associações com estes propósitos. Também pode-se vislumbrar a possibilidade de que as cooperativas ofereçam esses serviços a seus cooperados ou também por intermédio das empresas prestadoras de serviços autônomos de assistência técnica.

Contudo, deve-se salientar que por mais avançada que seja a tecnologia da informação, estas são dependentes de uma boa qualidade dos dados. Ainda, se a fonte de dados não estiver disponível e o usuário não tiver acesso a tais informações, dificilmente obterá benefícios concretos na solução dos problemas práticos.

Como limitações de caráter geral, comuns ? s fazendas e cooperativas agropecuárias, pode-se citar a falta de pessoal especializado para desenvolver softwares operacionalmente funcionais. No desenvolvimento de Sistema Especialista, a maior limitação tem sido a construção da base de conhecimento. O próprio desconhecimento do especialista a respeito do que venha a ser um Sistema Especialista pode ser uma barreira. Pode até resistir em expor os seus conhecimentos com receio de que o programa venha a substituí-lo no seu trabalho.

6. CONCLUSÕES E SUGESTÕES

Ao mesmo tempo que os sistemas de informação começaram a despontar como uma das ferramentas mais poderosas da nova economia, ? disposição dos gerentes modernos, também tornou-se conhecida como um dos instrumentos mais problemáticos. O que fundamenta esse argumento são as observações empíricas de que os problemas inerentes aos sistemas de informação residem basicamente na inadequabilidade de sua administração, a exemplo do que ocorre, em proporções não menores, com as funções administrativas dentro de uma empresa, nas áreas de produção, comercialização, finanças, entre outras.

Em 0que pese o rápido desenvolvimento da informática, com equipamentos e softwares cada vez mais eficientes e acessíveis em termos de preços, as limitações do seu emprego nas fazendas e cooperativas agropecuárias encontram-se na falta de profissionais da área de suporte, principalmente nas pequenas e médias cidades e no meio rural, em geral. Em algumas situações, como nas associações de criadores, as limitações têm origem na especificidade da atividade e na falta de iniciativa ou de recursos para o desenvolvimento de sistemas de banco de dados. Outro fator limitante tem sido a ausência e a precariedade da infra-estrutura de telefonia e energia elétrica. Mesmo que a telefonia celular, via satélite, venha a ser instalada, o seu custo poderá, num primeiro momento, ser limitativo para muitos dos produtores e cooperativas.

Com certeza, os produtores rurais, cooperativas agropecuárias e associações de criadores que não fizerem uso da informática, seja por atualização dos recursos de hardware ou desenvolvimento de sistemas de seu interesse, estarão desprovidas de um recurso importante no contexto atual de mudanças, em que a falta de informação implica atraso tecnológico. O poder de mercado, por exemplo, tem se deslocado dos processadores para as redes de distribuição, resultante do acesso rápido e direto ? s informações quanto aos hábitos de consumo e coordenação dos fluxos de bens.

A principal sugestão seria desenvolver um estudo para quantificar as potencialidades e limitações que as fazendas, cooperativas agropecuárias e associações de criadores possuem para implementar o uso efetivo da informática e aplicação da tecnologia da informação na atividade-fim, nas principais regiões produtoras do País. O estudo deveria ser prioritariamente dirigido aos produtos que constam da pauta de exportações e ? queles destinados ao mercado doméstico, que tenham uma participação efetiva na formação do PIB agropecuário.

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Agrosoft 2002: Gestão da Tecnologia da Informação nas Cooperativas Agropecuárias

GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO EM COOPERATIVAS AGROPECUÁRIAS

Roberto Max Protil
PUC – Paraná
protil@ppgia.pucpr.br

Conforme dados da OCB (2002 ) há no Brasil 1.587 cooperativas agropecuárias com 822.294 agricultores associados. As cooperativas geram 108.273 empregos diretos, sendo que há respectivamente 930.567 e 4.652.835 pessoas vinculadas diretamente e indiretamente a estas organizações, ou seja, aproximadamente 5.583.402 pessoas dependem economicamente das cooperativas agropecuárias brasileiras.

Para ALBANO (2001) as cooperativas agropecuárias estão fortemente atreladas ? situação da agropecuária nacional e a atual situação deste setor causa impacto diretamente no desempenho destas organizações. Este setor talvez esteja passando por sua mais profunda reestruturação, pois seguramente migrando de uma agropecuária patrimonialista para uma agropecuária tecnologica. Segundo NICÁCIO (1997), pode-se afirmar que o setor agropecuário brasileiro vem sendo deteriorado por não acompanhar as mudanças econômicas e tecnológicas que estão ocorrendo no mundo.

OLIVEIRA (1999) destaca que a falta de percepção da mudança no ambiente competitivo foi a causa dos problemas de natureza econômico-financeiro das cooperativas, pois verifica-se na prática que essas demoraram muito para perceber tais mudanças iniciadas a partir do final da década de 80, demonstrando baixa capacidade de adaptação ? s novas variáveis econômicas e ao mercado competitivo. Entre estas mudanças, podemos citar o aumento da competitividade dos concorrentes tradicionais e novos concorrentes, uma política agrícola governamental indefinida, que provoca insegurança, a política cambial e a abertura excessiva a importações, os efeitos da globalização sobre produtos tradicionais, a representação política deficiente para os interesses do setor, as mudanças nos hábitos dos consumidores, a falta de uma estratégia de marketing e a concentração de poder através da consolidação de alguns setores econômicos.

Segundo CRÚZIO (1997), em alguns aspectos asorganizações cooperativas assemelham-se a empresas familiares, pois é comum vermos um mesmo quadro diretivo manter-se ? frente da organização por um tempo prolongado, muitas vezes sem considerar aspectos profissionais de seus dirigentes. Diversos autores apontam esta estrutura organizacional, e quot;sem profissionais e quot;, como a maior responsável por estas organizações não perceberem novas tendências mercadológicas. Esta falta de percepção de e quot;mudança ambiental e quot; levou as organizações a perderem espaço em suas áreas de atuação em ambas as pontas, ou seja, como receptora da produção de seus associados, como também de fornecedoras de produtos industrializados.

A análise destas organizações não tem sido uma tarefa fácil, haja vista que as cooperativas agropecuárias apresentam caracteristicas tanto dos setores industrial, comercial como de serviços. Esta complexidade torna as cooperativas organizações impares, cuja dinâmica organizacional ainda não é totalmente compreendida. Dentro deste contexto os professores Roberto Protil da PUC-PR, André Zambalde da UFLA-MG e Cláudi Albano da URCAMP-RS realizaram recentemente alguns pesquisas sobre o processo de implatação e gestão de TI nestas organizações, cujos resultados podem ser resumidos da seguinte forma:

  • Seu uso ainda é voltado ? s aplicações tradicionais, ou seja, ? s operações internas das organizações, visando e quot;automatizar e quot; processos e não as tendo como suporte ? s atividades fins das organizações;
  • Novas e importantes tecnologias, como a Internet, ainda são incipientes, especialmente se considerado seu uso voltado para as atividades fins;
  • Não existe preocupação com a qualificação de seus profissionais em nível de TI;
  • Os principais problemas enfrentados estão relacionados, diretamente, com o processo de aquisição de tecnologia e não a treinamento, produtividade e outros que demonstrem uma preocupação cm a integração destas tecnologias ? estratégia e cultura organizacionais;
  • As ações mais utilizadas, assim como os problemas, estão relacionados aos processos de aquisição de tecnologias, seja de forma direta ou indireta;
  • A informática geralmente é utilizada como instrumento para conquista e/ou concentração de poder;
  • Não existe qualquer avaliação econômica dos investimentos ou do retorno dos investimentos em informática;
  • Os funcionários com maior grau de escolaridade e trabalhando em organizações que lhes dão uma certa estabilidade no emprego, sentem-se um pouco mais satisfeitos e motivados com o uso da tecnologia de informática;
  • Não há investimento em treinamento básico de informática (operação do computador, sistema operacional e pacotes aplicativos) por parte das organizações, os funcionários têm que investir e quot;por conta própria e quot; ou e quot;aprender fazendo e quot;;
  • Há pouca interação entre pessoas, equipamentos e software. Os sistemas, mesmo conectados em rede, utilizam software que não facilitam esta interação; as pessoas se sentem isoladas e distantes.
  • A tecnologia informática constitui instrumento que facilita e amplia o controle sobre funcionários, estoques e processos;
  • Os trabalhadores não são devidamente preparados para o processo de informatização e sentem-se acuados, com medo, reagindo ? mudança.

Os resultados de um estudo sobre a implantação de sistemas de gestão integrados em cooperativas agroindustriais realizado por PROTIL (1999) indicam que estas organizações, a fim de obter maior legitimidade e aceitação em seu meio, frequentemente incorporam em sua cultura organizacional e em seus comunicados oficiais o discurso empresarial próprio ao modelo informacional, enquanto, na prática, adotam apenas alguns sistemas de informação, ferramentas e .práticas organizacionais que favorecem ao menos parcialmente o aprendizado e a inovação (MEYER e amp; ROWAN, 1991). A cultura organizacional e os valores oficiais desvinculam-se assim, mais do que nunca, da prática organizacional. Frequentemente as organizações, a fim de mostrarem-se atualizadas, adaptadas ? nova sociedade do conhecimento, procuram manter uma boa imagem institucional junto ao mercado, aos clientes e ? s outras organizações, buscando legitimidade em seu setor. Para tanto, elas afirmam ser organizações em aprendizagem adaptadas ao novo milênio e ? sociedade pós-industrial, incorporam parcialmente sistemas de informação, tecnologias e novas estruturas adaptadas a este novo modelo, porém continuam mantendo parte considerável de seu funcionamento e de seus sistemas de controle baseados nos pressupostos antigos como obediência estrita da regra e vigilância. Frequentemente uma mesma organização, para promover o aprendizado de circuito duplo em alguns setores, gerando informação útil para o sistema, mantém outros setores organizados de forma estritamente taylorista, com todos os problemas típicos deste sistema. Assim, departamentos inteiros são organizados e controlados de forma estrita, restringindo-se a aprendizagem a fim de permitir que outros setores tornem-se informacionais. A superestrutura organizacional – os valores oficiais, no entanto, difundem para todos os atores organizacionais a importância da aprendizagem e do aprimoramento profissional como forma de sobrevivência em nossa sociedade, enquanto apenas alguns setores se beneficiam efetivamente destes elementos. Estas contradições do sistema aumentam a percepção dos atores sociais de viverem em uma realidade cheia de paradoxos difíceis de serem geridos: a contradição entre os modelos pregados como ideais nos sistemas organizacionais e as práticas concretas da organização do trabalho.

Os resultados das pesquisas realizadas nos estados de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul permitem inferir que a informatização nas organizações cooperativas vem ocorrendo tanto no nível estrutural como no social e os usuários são unânimes em afirmar que a TI é um instrumento que proporciona aumento do controle das atividades e das pessoas, o que pode afastá-las uma das outras, por desconfiança e/ou competição. Verifica-se, também, que nestas organizações a TI está muito mais orientada na automatização do processo administrativo do que numa informatização propriamente dita ZUBOFF (1994). Conclui-se que o sucesso da implantação de sistemas de informação em cooperativas agropecuárias irá depender principalmente do sistema social da organização e da forma como seus agentes se apropriarão desta tecnologia, seja no sentido de um maior aprendizado ou da mera automatização de funções. A dualidade e a ambiguidade são elementos naturalmente presentes no processo cognitivo e de atribuição de sentido. É necessário portanto, compreender e mapear os sentidos atribuídos pelos usuários aos sistemas a fim de implantar-se os mesmos com sucesso, adequando-os ? s necessidades concretas dos atores sociais destas organizações.

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  • ZUBOFF, S. (1994) Automatizar/Informatizar: As duas faces da tecnologia inteligente. ERA: Revista de Administração de Empresas. São Paulo. Nov/Dez.

Agrosoft 2000 – Uberlândia

Resultante de parceria inédita entre o Agrosoft e o Trisoft, Agentes Softex de Juiz de Fora Uberlândia, respectivamente, o Agrosoft 2000 foi realizado de 26 a 30 de setembro de 2000, em Uberlândia, em paralelo à IX INFOBRAC – Feira de Informática e Telecomunicações do Brasil Central. Para o coordenador do Agrosoft, Paulo Villela, a escolha de Uberlândia para sede do evento foi motivada pela dinâmica de seu perfil econômico, caracterizando-se como um dos pólos brasileiros do agronegócio. A cidade abriga, ainda, um dos maiores centros de excelência em biotecnologia do mundo.

A solenidade de abertura contou com a presença do secretário de estado de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, Antônio Salustiano Machado, que apresentou as diretrizes do Governo mineiro para o desenvolvimento do setor. Autoridades de Uberlândia também estiveram presentes no pavilhão de eventos da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (ACIUB), amplamente preparada para a realização do congresso e da feira.

Com um público participante entre agrônomos, engenheiros, professores, empresários, pesquisadores e estudantes, dentre outros, o Agrosoft 2000 teve índice de aprovação de 94%. O segundo dia do evento, que reuniu diretores de alguns dos maiores portais de agronegócio , como Agrosite, Portal do Campo e Megaagro, recebeu as melhores avaliações dos congressistas. A palestra preferida pela platéia,”Internet e Logística”, foi apresentada pelo presidente da NetEnvios, Carlos Mira. A empresa foi a pioneira de envios na Internet.

CONTEÚDO COMPLETO DAS APRESENTAÇÕES DO AGROSOFT 2000

A INTERNET E OS PROFISSIONAIS DO AGRONEGÓCIO

O Agrosoft 2000 é um evento voltado para o profissional do agronegócio. Historicamente a formação do profissional das ciências agrárias sempre foi pobre na utilização dos recursos da informática seja como meio para se aumentar a produtividade profissional, seja como instrumento de gestão e planejamento do agronegócio. Entretanto, este quadro está mudando em função do impacto da internet em todos os setores da economia e da sociedade. Na palestra, procurarei mostrar a importância do profissional de ciências agrárias como vetor capaz de levar o conhecimento desta nova tecnologia para o homem do campo. Na minha apresentação discutirei a construção de uma comunidade virtual – AGROPROFS, voltada para o profissional do agronegócio, de acesso a serviços oferecidos via internet tais como: educação a distância, oportunidades de negócios, empregos, notícias, consultoria, etc. Vou apresentar também um tutorial explicando alguns conceitos e termos básicos usados na internet e no comércio eletrônico e farei uma simulação em computador, do crescimento da rede nos próximos anos. Nesta primeira apresentação do Agrosoft 2000 vou também mostrar um pouco do que vai ser mostrado em cada palestra e o que se espera do evento e de seus participantes.

Paulo Villela é o Presidente do Agrosoft 2000. É engenheiro eletrônico formado pelo ITA em 1977. Mestre e Doutor em Engenharia de Sistemas e Computação pela UFRJ/Coppe. Pós-doutor pela UIUC nos EUA, de 1998 a julho de 2000, onde estudou os impactos da internet no agronegócio americano. Foi conselheiro do CREA-MG e Presidente do Clube de Engenharia de Juiz de Fora. É professor da UFJF desde 1978 tendo sido Diretor do Centro de Processamento de Dados e Pró-Reitor de Planejamento da UFJF nos anos de 1987 e 1988. Coordena, desde 1993, o Agrosoft, instituição privada sem fins lucrativos que integra o sistema Softex. A missão do Agrosoft é estimular o desenvolvimento e o uso de software e serviços de informática em geral, em especial para o agronegócio.

A INTERNET E AS TELECOMUNICAÇÕES

Devido à baixa densidade de usuários, as regiões rurais e o interior do país, não dispõem de soluções adequadas para atendimento de telefonia e acesso à internet. O acesso à s informações é uma ferramenta indispensável para o aumento da competitividade, redução de custos e a desintermediação dos canais de compra e venda. O agronegócio, assim como todos os demais setores da economia, necessita de informações para se modernizar e se manter competitivo. Os sistemas sem fio (wireless), notadamente os sistemas via satélite, serão os meios de acesso mais democráticos e econômicos para atingir o interior do país e integrá-lo à internet. Soluções de médio e longo prazo, que irão finalmente permitir a integração dos usuários rurais à internet, são os novos sistemas que estão sendo desenvolvidos especialmente para este fim. Entre os mais importantes destacam-se: Astrolink: sistema formado por nove satélites geoestacionários, que está sendo desenvolvido pela Lockheed Martin desde 1997, com previsão para início de operação em 2002. Este sistema utiliza satélites estado da arte, com processamento a bordo, para permitir a interconexão de redes em altas velocidades sob demanda. Desta forma sistemas multimídia, com vídeo, áudio, dados, voz podem ser acessados por empresas, cooperativas e usuários remotos de qualquer lugar do planeta. Skybridge: sistema de baixa órbita, com previsão de 64 satélites, é um projeto de US$ 3,5 bilhões da Alcatel Space. Com previsão para 2001/2002 também irá permitir a interconexão de sistemas, com velocidades até 60 Mbps, em qualquer lugar do planeta. Teledesic: Constelação de 288 satélites em órbita baixa, previsto para operar em 2004. Trata-se de um ambicioso projeto, capitaneado por Bill Gates, pelo pioneiro das telecomunicações móveis Craig McCaw, pela Motorola e pela Boeing Company. O projeto, orçado em mais de US$ 9 bilhões, irá permitir velocidades de até 64 Mbps pelo usuário final, sob demanda, permitindo que o cliente pague apenas pelo tráfego realmente utilizado.

O palestrante: Jurandir Pitsch é Diretor da Comsat Brasil.

A INTERNET E O CAPITAL DE RISCO

O tema da palestra que vou apresentar é a experiência e a atuação do BNDES no financiamento de risco a empresas de software através do PROSOFT. Serão abordados: características das empresas, da operação, comportamento do mercado de investimentos de risco, no país e nos EUA, dificuldades encontradas, o que já foi realizado.

Carlos Eduardo Castelo Branco é Engenheiro Metalúrgico e Economista com mestrado em Engenharia Industrial pela PUC/RJ. É funcionário do BNDES desde 1978. Participou da criação do CONTEC – Programa de Capitalização de Empresas de Base Tecnológica (1990), fundo voltado para investimentos em pequenas e médias empresas, tendo sido um de seus gerentes de operações até 1996. Participou da criação, em 1997, do PROSOFT – Programa de Financiamento para o Desenvolvimento de Software, linha de financiamento do BNDES com características assemelhadas ao capital de risco, para pequenas e médias empresas desenvolvedoras de software, sendo o gerente responsável pelos investimentos desde sua criação.

O Projeto INOVAR, desenvolvido pela FINEP em parceria com outros agentes, visa construir um ambiente institucional que favoreça o florescimento da atividade de Capital de Risco no País, de forma a estimular o fortalecimento das empresas nascentes e emergentes de base tecnológica brasileiras, contribuindo, em última instância, para o desenvolvimento tecnológico nacional, bem como para a geração de empregos e renda. O Projeto INOVAR tem como objetivo estimular a criação de novos fundos de capital de risco, de forma a aumentar a oferta de recursos disponíveis para investimento em empresas nascentes e emergentes de base tecnológica. A meta inicial é alavancar R$ 400 milhões em investimentos para essas empresas. Para tanto, o Projeto INOVAR estimulará a constituição de fundos (nos moldes da Instrução CVM 209), nos quais aplicará, diretamente, até R$ 100 milhões. Os recursos de capital de risco previstos no Projeto INOVAR serão investidos em fundos de empresas emergentes, que por sua vez, investirão em empresas nascentes e emergentes de base tecnológica.

A palestrante: Luciane Gorgulho é Chefe do Departamento de Desenvolvimento de Novas Operações da FINEP desde 1999. Formada em Economia pela UFRJ, defendeu tese de Mestrado (“O Capital de Risco como Alternativa de Financiamento à s Pequenas e Médias Empresas de Base Tecnológica – O Caso do CONTEC/BNDES”) no Instituto de Economia da UFRJ. Trabalhou no BNDESPAR de 1993 a 1999.

Os investidores regionais têm sido os patrocinadores iniciais dos novos empreendimentos de risco que alavacam a internet no agronegócio. Esta apresentação abordará três assuntos chaves partindo-se da perspectiva de um caso real: começando um novo empreendimento de risco — competências requeridas dos fundadores; capital inicial no mercado; incorporando investidores estratégicos.

O palestrante: José Luis Pano é um dos sócios fundadores do LID – Latin American Internet Development Group, uma empresa holding de várias empresas com negócios voltados para a internet. A empresa tem escritórios no Brasil e na Argentina. O LID Group é um dos três fundadores do Megaagro. Anteriomente, o palestrante era diretor na empresa de consultoria internacional, Booz Allen e amp; Hamilton. Ele tem mestrado em Engenharia Industrial pela Universidade Católica da Argentina e MBA pela Universidade de Washington em Seatle, EUA.

Serão abordados os seguintes temas: O impacto da internet nos investimentos de risco. O ambiente de investimento na internet pré e pós março de 2000. A visão dos investidores sobre os negócios na Internet. É ainda possível atrair investidores? Como se está investindo: o caso da CRP.

Andre Burger é Economista, Mestre em Administração Financeira pela UFRGS, Diretor Executivo da CRP – Companhia Riograndense de Participações, e atua em capital de risco há 15 anos.

Cláudia Pavani é consultora de empresas na preparação de planos de negócios, atração de capitalistas de risco. É diretora da Pavani e amp; Deutscher.

A INTERNET E AS RELAÇÕES COMERCIAIS

Pretendo mostrar ao público que a Internet está se tornando um canal importante pelo qual as pessoas, e especialmente as empresas, fazem negócios, mas que muito pouco neste contexto, até o momento, chega a ser novidade em termos jurídicos, de forma que muitos dos conceitos e fórmulas legais atuais continuam perfeitamente aplicáveis, necessitando, quando muito, apenas algumas adaptações. Mas é necessário que todos tenham conhecimento das questões jurídicas envolvidas, dos direitos e obrigações de parte a parte, para que possam tirar o máximo proveito desta tecnologia e evitar riscos.

Renato da Veiga é advogado, formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Atua há 15 anos como consultor de empresas especializado na área de Informática, prestando assessoria a entidades como a Assespro, Sindicato das Empresas de Informática do RS e Softsul – Núcleo Softex de Porto Alegre. É também empresário do ramo, sócio da empresa Virtual Devices, com negócios na área de software e Internet.

A INTERNET E OS MERCADOS AGRÍCOLAS

No mercado atual, antes mesmo de decidir o que plantar, o produtor otimizará suas receitas se decidir também a que mercado seu produto será destinado e como comercializá-lo. Aprender com os próprios erros é uma opção cada vez mais inviável. A Internet é uma ferramenta poderosa neste mercado, capaz de diminuir as distâncias, acelerar os processos, difundir as informações e em muitos setores reduzir custos e oferecer formas de trabalho antes impossíveis de serem postas em prática. O Megaagro tem a proposta ambiciosa de prestar serviços diferenciados, não se restringindo apenas a simples compra e venda de produtos, mas sim a busca de soluções que facilitem a vida do produtor rural como linhas de crédito e ofertas de produtos diferenciados, comunicação entre produtores e entre pesquisadores, ou o dia a dia das empresas do setor, através de soluções individuais.

Carlos Cesar B. Righetti é Vice-Presidente da Megaagro.com – Brasil. Graduado em engenharia de Infra-estrutura Aeronáutica pelo ITA em 1990 e com MBA na SDA BOCCONI, Milão (Itália) e UNIVERSITY of MICHIGAN Ann Arbor, Estados Unidos, em 97/98, Cesar foi Gerente de Operações/Supply Chain na Procter e amp; Gamble, Consultor na Booz Allen e amp; Hamilton e na A.T.Kearney e , antes de assumir a Vice-Presidência do Megaagro., foi gerente de desenvolvimento de novos negócios da Monsanto do Brasil.

Fazendeiros do Brasil e do mundo estão entrando rapidamente na era da Internet. Nos Estados Unidos, durante o ano passado, mais de 2 bilhões de dólares foram comercializados em insumos agrícolas através da rede. Embora a parcela de estabelecimentos rurais conectados à Internet no Brasil seja ainda pequena, a expectativa de crescimento é enorme. O que isso quer dizer? Estamos vivendo uma revolução? Que benefícios a Internet traz ao produtor rural? Por que alguns fazendeiros estão mudando a forma tradicional de se fazer negócio? Neste painel, discutimos as maneiras com que o produtor pode utilizar a Internet como ferramenta de negócio. Discorremos também sobre a revolução no acesso a informações e sobre o comércio eletrônico de insumos agrícolas e da produção rural.

André Sales é engenheiro, formado pela Escola Politécnica da USP. Trabalhou na área de fusões e aquisições do banco J.P. Morgan e amp; Co, nos escritórios de São Paulo e Nova Iorque. Em conjunto com outros cinco sócios, fundou e é Diretor do Portal do Campo.

Contrariamente à expectativa de muitos especialistas, a Internet foi muito bem recebida pelo produtor rural. Prova disso é o volume de pedidos de compras feitos pelos agropecuaristas, por meio do Agrosite. A rápida aceitação desta nova ferramenta de transações está relacionada à constante incorporação de tecnologias, que se tornou uma questão de sobrevivência para o produtor rural. E é ele que está trazendo os outros agentes – fornecedores de insumos e compradores de produtos agrícolas – para a Internet. Trata-se de um processo irreversível que depende apenas do tempo para se consolidar. O comércio eletrônico no agribusiness, como em qualquer setor da economia, pressupõe novos comportamentos e uma visão de negócio tendo um horizonte mais abrangente. Esta mudança envolve indistintamente todos os agentes que atuam no complexo agroindustrial.

Renato Skaf dos Santos é Diretor do Agrosite. Mineiro de Araguari, Renato Skaf tem 34 anos, é engenheiro agrícola formado pela Universidade Federal de Viçosa e mestrado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com exchange no MBA New York University. Antes de se tornar diretor geral do agrosite.com.br, atuou como consultor de empresas na Booz Allen e amp; Hamilton do Brasil, gerente de Marketing da Pisa Papel de Imprensa S.A e implantador de novos processos de sinistros da Paulista Seguros. Também prestou consultoria para projetos em telecomunicações para a K2 Achievements.

A INTERNET E A LOGÍSTICA

A Internet está dando uma nova face aos negócios. As empresas, formadas por unidades produtivas agregadas para evitar os custos de transação, voltam a se desagregar em unidades distintas com a ajuda da rede mundial. Nenhuma atividade fica imune à s vantagens da interligação dos negócios em comunidades capazes de mudar rapidamente sua configuração para atender à s exigências do mercado. As profundas mudanças no conceito de produto e empresa estão abalando a cadeia produtiva como a conhecemos. Do campo à cidade, busca-se a integração em prol da eficiência máxima com custos mínimos. A Internet está mudando este cenário e começa a interligar a produção ao consumidor final, passando por estações de beneficiamento, armazenagem, centros de distribuição, indústria e mercado final. Um impacto na eficiência logística que irá conectar o trigo no campo ao pão na mesa do consumidor. Para viabilizar isto, é preciso uma plataforma de tecnologia da informação com custo tão baixo, que permita incluir um sitiante, e com uma eficiência tão alta, que possa funcionar globalmente. Sistemas ASP (Application Service Provider) para a gestão da cadeia de suprimentos fornecem uma flexibilidade assim.

O palestrante: Mario Persona é diretor de comunicação da Widesoft, uma empresa ASP que desenvolve sistemas de e-procurement, gestão de supply chain e planejamento da produção via web. Com formação em Arquitetura e Urbanismo, atuou nas áreas de negócios do patrimônio do Banco Itaú, e suprimentos, licitações, compras e contratos na Themag Engenharia e Companhia do Metrô de São Paulo. Iniciou sua experiência de Internet em 1996 e em 1998 começou a implantar na Widesoft o conceito de marketing de relacionamento, usando a própria Internet como principal meio de divulgação da empresa. Com dez anos de experiência na área editorial, escreve crônicas e artigos de e-business para quase uma centena de sites, jornais e revistas. Seus textos também aparecem semanalmente na WideBiz Week, enviada para 5 mil assinantes. Além de ser requisitado para palestras de e-business em todo o país, é editor responsável pelo site de relacionamentos e negócios www.WideBiz.com.br, e moderador dos fóruns WideBiz de debates de negócios, que reúnem quase mil profissionais Web.

A utilização da Logistica – nos negócios do mundo real – tem sido considerada como um dos mais modernos diferenciais competivos de uma organização. Contudo, na era da internet, a Logistica tem sido responsabilizada pelas mazelas e pelos erros, e em muitos casos – pelo fracasso – das operações de diversas empresas do mundo virtual. Fazer com que você conheça as principais características e variantes desta poderosíssima ferramenta estratégica, aplicada no mundo do e-commerce, é o que pretende o apresentador deste módulo. Carlos Alberto Mira, empresário com mais de 18 anos de experiência no ramo de transporte e logística, hoje é o principal executivo de um portal de conteúdo logístico na internet.

Carlos Alberto Mira é economista, empresário do setor de logistica, transporte e internet. É presidente da NetEnvios – o primeiro portal de envios da America Latina, Vice Presidente do MIRA Transportes (uma das 15 maiores empresas de transporte de cargas do Brasil) e Diretor da TARGET Logistics,”Third Party Logistics Provider” de empresas multinacionais. É Vice Presidente da ASLOG – Associação Brasileira de Logistica e Diretor da NTC – Associação Nacional do Transporte de Cargas.

A INTERNET E O MARKETING RURAL

Até há poucos meses, todos tinhamos a sensação de que o mundo (e os negócios) seria tragado pela nova tecnologia. A AOL, em um só gole,”engoliu” a Time-Warner! Quem seria o próximo? Hoje, o disco virou: pergunta-se a boca pequena até que ponto cairão as ações de”empresinhas” como a Microsoft. Ou até quando a Amazon agüenta no mercado. Aliás, esta empresa acaba de se entender com a tradicional Toys-R-Us em uma relação muito mais equilibrada do que a”abocanhada” da AOL na Time-Warner! Um quadro de referência desenvolvido pelo Dr. Manjit Yadav, da Texas A e amp;M University, possibilita pensar estrategicamente o comércio eletrônico a partir de algumas perspectivas utilizadas para negócios tradicionais, como analisar as cinco fases relacionadas à interação de um consumidor com uma empresa: procura, avaliação, compra, uso e descarte. Com isto, aumenta a possibilidade de sucesso no desenvolvimento de aplicações utilizando as novas tecnologias informacionais. Basta utilizar o bom e velho”conceitinho” de marketing, buscando nas necessidades dos consumidores a base para as aplicações envolvendo a nova tecnologia, ao invés de simplesmente lançá-las no mercado. Nesta apresentação, você terá a oportunidade de avaliar se as idéias e aplicações de comércio eletrônico que você e sua empresa estão desenvolvendo na área de agronegócios têm fundamentos estratégicos para ultrapassar os muitos”terremotos” na era da informação.

André C. M. Menck, Ph.D., é Professor da Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Federal de Uberlândia, cujo curso de administração tem a melhor classificação entre os cursos noturnos do Brasil (um dos dez melhores, no geral). Doutor em Marketing pela University of Florida, tem mestrado em marketing pela EAESP/FGV, mesma instituição onde graduou-se em administração de empresas. Também é bacharel em física pela USP. Presta assessoria a diversas organizações, inclusive empresas da nova economia. Foi gerente de marketing do atacadista-distribuidor Martins, gerente de grupo de produtos do Frigorífico Wilson/Beatrice Companies e gerente de pesquisa com consumidores do Grupo Pão de Açúcar.

Sim, a empresas estão plugadas, mas como estão usando a web? Este é o tema central da palestra. O processo de decisão por adotar a tecnologia Internet como plataforma de sistemas para toda a empresa, usualmente conduzida pelo dirigente responsável por sistemas de informação, é diferente da decisão por aplicativos. Ter a Internet disponível para a organização não significa que as áreas funcionais (ou departamentos) estão identificando e incorporando as possibilidades do novo conceito. A adoção da Web como elemento ativo na estratégia funcional é um processo de decisão por uma forma de se gerar valor, inserindo os elementos distintivos da Internet no desenvolvimento e operação das estratégias globais da empresa. Como os gerentes funcionais utilizam a web? São apenas usuários do conteúdo da rede ou empenham-se em construir seu”web site funcional” de forma a agregar mais valor à empresa? Tais questões serão discutidas baseando-se em pesquisas com empresas no Brasil e nos EUA atuantes em vários setores, com destaque para os agro-negócios.

Dirceu Tornavoi de Carvalho é professor de Marketing do Departamento de Administração da FEA-USP, campus de Ribeirão Preto. Doutor e Mestre em Administração e Marketing pela FEA-USP. Engenheiro pela UNICAMP. Pós-Graduado em Comércio Eletrônico e Marketing pela Vanderbilt University, EUA. Diretor da MERCADOTECNIA, empresa de pesquisa de mercado e consultoria de Marketing. Pesquisador de mercado e consultor de empresas, tendo realizado projetos em empresas dos ramos de saúde animal, genética animal, telefonia, educação à distância, serviços de hotelaria, software, serviços de alimentação rápida, distribuição de calçados, varejo de eletrodomésticos, etc. Palestrante e instrutor de programas de treinamento de executivos e MBA´s. Coordenador de Projetos da FUNDACE-FEA-USP. Pesquisador do PENSA – Programa de Estudos de Negócios do Sistema Agro-Industrial. Coordenador do MarkTec (Programa de Estudos de Marketing e Tecnologia de Informação), grupo de pesquisa em formação na FEA-USP.

  • Gerência de Relacionamento com Clientes Através da Internet
    Alexandre Paulinelli e Ricardo de Almeida

Abordaremos o tema com que a Listen trabalha, isto é,”Gerência do Relacionamento com Clientes”. A partir de um banco de dados com informações sobre as 500.000 maiores propriedades rurais do país, desenvolvemos um sistema, via Internet, que possibilita à s empresas cotistas acesso à s informações de forma restrita. Cada empresa, de acordo com sua atividade, tem acesso a determinadas questões contidas no banco de dados dentro regiões do país de seu interesse específico. Os usuários de cada empresa cotista acessam o sistema e têm condições de, além de filtros diversos que trazem informações instantâneas, alterar o próprio banco de dados no sentido de corrigir eventuais erros no cadastro e informar mudanças nos hábitos de cada cliente presente em sua área de atuação (ex. um produtor que plantava 500 ha de soja e este ano vai plantar 350 ha de soja e 235 ha de milho). Com isto, teremos nossos dados sempre atualizados. Estas informações são trabalhadas pelos departamentos de marketing das empresas que tomam ações imediatas em Marketing de Relacionamento (objetivo final do processo). A cada informação que é enviada pelo pessoal de campo, seus clientes recebem ações individuais de marketing visando auxílio na venda e diminuição nos custos da mesma, o que pode ser revertido ao próprio cliente em forma de benefícios diversos.

Os palestrantes: Alexandre Barros Paulinelli: Engenheiro Agrônomo (UFLA), natural de Lavras. Diretor Presidente da LISTEN – Local Information System e especialista em captação e gerenciamento de processos de troca de informação. Ricardo de Almeida: Engenheiro Agrônomo (UFLA), natural de Lavras. Atuação em empresas, sempre em áreas de marketing (Shell e Brahma). Especializado em análise e construção de sistemas de gerenciamento e troca de informações via Internet

A INTERNET E A PESQUISA AGROPECUÁRIA

Em nossa apresentação pretendemos abordar a evolução e o impacto da internet na Embrapa. A Embrapa percebeu a necessidade de se promover a organização de toda a sua informação para disponibilizá-la neste novo meio. Novos sistemas de informação via internet estão em desenvolvimento para atender a crescente demanda dos usuários. Estes novos sistemas estão sendo planejados com a perspectiva de facilitar a integração das equipes de pesquisadores em projetos de pesquisa a distância; a oferta de cursos e treinamentos on-line; a realização de dia de campo on-line. Estas possibilidades de oferta de serviços foram identificadas ao realizarmos uma avaliação de todos os sites existentes nas diversas Unidades de Pesquisa da Embrapa. As necessidades dos usuários foi levantada através de uma pesquisa de opinião junto a esses usuários.

O palestrante: Eduardo Paulo de Moraes Sarmento é economista pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas; mestre em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro/COPPEAD – Área de Marketing; pesquisador da Embrapa desde março/1978; foi Chefe da Embrapa Agroindústria de Alimentos de abril/1985 a outubro/1989; Diretor Executivo da Embrapa de maio/1990 a março/1993; Diretor Superintendente da Fundação CERES de maio/1995 a agosto/1999; e atualmente é Gerente Adjunto de Organização da Informação da Embrapa Comunicação para Transferência de Tecnologia desde setembro de 1999.

A INTERNET E A EXTENSÃO RURAL

Pretendo abordar a importância crescente da informação como diferencial na atividade agropecuária em um mundo globalizado e, dentro deste tema, como a Internet se insere hoje e como poderá se inserir no futuro. Discutirei também a relação entre a extensão rural e a internet: haverá a democratização do cnnhecimento ou este ficará cada vez mais restrito à minoria que terá acesso a computadores? Discutirei também o potencial dos sites de informação como elementos-chave no comércio eletrônico: a importância do conteúdo não se resume à geração de tráfego, mas à possibilidade de se conhecer a fundo cada usuário ou cada grupo de usuário, permitindo focar o marketing e comercialização de produtos. Também apresentarei brevemente o projeto da AgriPoint (proprietária dos sites MilkPoint e BeefPoint) na área de Internet: profissionais envolvidos, concepção inicial, projetos futuros, dilemas, etc.

Marcelo Pereira de Carvalho é engenheiro agrônomo formado pela ESALQ/USP em 1992, com mestrado em Ciência Animal e Pastagens pela mesma universidade em 1998. Atua desde 1993 como consultor de propriedades de leite nas áreas de nutrição, instalações, conforto animal e gerenciamento. É proprietário da empresa NutriCell Produtos e Serviços para Pecuária, que atua em consultoria e na comercialização de matérias-primas para nutrição animal e sócio da AgriPoint Ltda., proprietária dos sites MilkPoint e BeefPoint.

Pretende-se nesta apresentação mostrar como a tecnologia da informação está sendo usada na implementação de políticas públicas para o agronegócio paranaense e sua relevância para a extensão rural. A Universidade do Campo é um programa do governo do Paraná com o objetivo de disponibilizar informações, serviços e produtos de interesse dos agentes do agronegócio. Esta proposta exige integração e interação das Instituições públicas e privadas, geradoras e/ou mantenedoras de informações, serviços e produtos. E isso merecerá também alguns comentários.

Antonio Carlos Rodrigues da Silva – Eng. Agrônomo pela ESALQ-USP- 1967; Mestre em Administração Pública Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas – RJ, 1989; Técnico em Planejamento do IAPAR- Instituto Agronômico do Paraná; Professor de Administração Pública na FECEA, Apucarana -PR; Coordenador do Programa Estadual Universidade do Campo desde outubro de 1995.

A INTERNET E A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Em nossa palestra abordaremos a trajetória da UFLA no contexto do ensino a distância. Uma experiência pioneira, até hoje discutida e debatida no ambiente universitário. Alguns são contra, outros a favor. Discutiremos o modelo de ensino convencional a distância (envio de módulos – apostilas – pelo correio). A dificuldade em se montar os cursos e o importante papel dos coordenadores. Sobre o crescimento do número de alunos nos últimos anos, o tipo de reclamação, os problemas técnicos e administrativos. O poder educacional e o lado social do ensino a distância a baixo custo. A oportunidade dada a todos aqueles que, talvez, nunca iriam realizar cursos presenciais e nem mesmo à distância a custos elevados. Discutiremos a difícil tarefa em se transformar cursos convencionais naqueles via Internet. A necessidade de se preparar os professores tutores para a metodologia do texto não linear, do modelo de desafios, do estímulo ao raciocínio e participação dos alunos. Finalmente, apresentaremos alguns exemplos de abordagem não linear, para a educação a distância, a serem utilizadas por educadores de primeiro e segundo grau.

O palestrante: André Luiz Zambalde é Professor da UFLA – Universidade Federal de Lavras. É engenheiro de telecomunicações formado pelo INATEL; mestre em Eletrônica pela EFEI e doutor em Engenharia de Sistemas e Computação pela UFRJ/COPPE. É chefe do Departamento de Ciência da Computação. Coordenador do Centro Tecnológico de Informática (UFLATEC), do Polo Softex/Agrosoft de Lavras, da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica em Informática e dos cursos de pós-graduação”Informática em Educação” e”Informática na Agropecuária”. Pesquisador nas áreas de Tecnologia da Informação no Agronegócio, Informática em Educação e Empreendedorismo. Professor do Curso de Especialização a Distância em Gestão da Informação no Agronegócio

AGROSOFT 2000 NA IMPRENSA

O Agrosoft 2000 ganhou espaço de destaque na imprensa nacional. Mais que isso fomentou a discussão sobre o impacto da Internet no agronegócio. Confira as reportagens publicadas na revista Globo Rural, Internet Negócios, Hoje Em Dia e Estado de Minas.

GLOBO RURAL
Janelas Abertas

Produtores rurais brasileiros ganham nova frente de comercialização com o surgimento de sites nacionais especializados em operações eletrônicas de compra e venda de insumos agropecuários. O chamado e-commerce promete aproximar os segmentos da cadeia produtiva e expandir o alcance das transações do setor para além do âmbito regional

Por Luis Roberto ToledoFotos Manoel de Brito

HOJE EM DIA
A Internet Abre Porteiras

O produtor rural deve aderir à informatização à medida que perceba a rede como ferramenta capaz de reduzir custos nas transações.

Por Cássia Eponine

INTERNET NEGÓCIOS
Entrevista com Paulo Villela

Paulo Villela, 47 anos, é o presidente do Agrosoft 2000. O engenheiro eletrônico formado pelo ITA e mestre e doutor em Engenharia de Sistemas e Computação pela UFRJ coordena o maior evento de informática e Internet para o agribusiness. O evento acontece de 26 a 30 de setembro em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Ele estudou na University of Illinois at Urbana-Champaign, nos EUA, onde teve a oportunidade de analisar os impactos da Internet no agronegócio americano. E, para falar de sua experiência na área, Paulo Villela foi entrevistado pelo Internet Negócios. Ele fala do Agrosoft e das novidades para esse ano. Villela coordena o Agrosoft, desde 1993. A entrevista aconteceu através do Web Chat.

Por Carla Nunes

ESTADO DE MINAS
Agrosoft Mostra Produção para Internet

O agronegócio, que representa 40% do PIB brasileiro, é hoje o grande foco das atenções dos investidores em comércio eletrônico. Em menos de um ano foram criados mais de dez portais especializados em negócios na área rural, que se somam a quase 2.500 sites e 150 softwares voltados ao atendimento das mais variadas necessidades do produtor rural. O impacto da internet no agronegócio tem sido tão significativo no Brasil, que acabou se tornado o tema do Agrosoft 2000, realizado semana passada em Uberlândia.

Por Rute Rocha – Sucursal Triângulo

APOIOS

As Coordenações do Agrosoft e da Trisoft agradecem à s empresas e instituições abaixo listadas, o apoio recebido para a realização do Agrosoft 2000:

  1. Agrosite
  2. BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
  3. Beefpoint
  4. CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
  5. CRP – Companhia Riograndense de Participações
  6. Comsat Brasil
  7. Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  8. Faculdade de Economia e Administração – USP (Ribeirão Preto)
  9. Finep – Financiadora de Estudos e Projetos
  10. Fapemig – Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais
  11. Latin American Development Group – LID
  12. Listen – Local Information System
  13. Megaagro Brasil
  14. Milkpoint
  15. NetEnvios
  16. Pensa – Programa de Estudos de Negócios do Sistema Agro-Industrial
  17. Portal do Campo
  18. Prefeitura de Uberlândia
  19. Softsul – Núcleo Softex de Porto Alegre
  20. SBI Agro – Sociedade Brasileira de Informática Aplicada à Agropecuária e Agroindústria
  21. Universidade do Campo
  22. Universidade Federal de Lavras
  23. Universidade Federal de Juiz de Fora
  24. Universidade Federal de Uberlândia
  25. WideSoft – Widelog