Lei de Biossegurança pode ficar para 2005

A paralisia dos trabalhos do Congresso pode adiar para 2005 a votação da Lei de Biossegurança. Sem acordo político para desobstruir a pauta de votação, travada pelo acúmulo de Medidas Provisórias, o calendário legislativo começa a ficar apertado. Além disso, o projeto da Lei de Biossegurança é polêmico e sua votação será marcada pelo confronto entre ruralistas e cientistas, de um lado, e ambientalistas de outro. Nem o governo definiu de que lado vai ficar.
O relator da matéria será novamente o deputado Renildo Calheiros (PCdoB/PE), que foi o autor do substitutivo aprovado na primeira passagem do projeto pela Câmara e posteriormente modificado de forma significativa no Senado. Calheiros vai propor a rejeição do texto do Senado, com exceção dos artigos que tratam da liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, vem trabalhando em favor do texto de Calheiros. Ela conversou esta semana com o líder do PT na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia, pedindo o apoio do partido à proposta. “Esse assunto terá que ser discutido pela bancada. Há informações conflitantes dentro do próprio partido”, afirmou Chinaglia.
No lado oposto, o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Leonardo Vilela (PP/GO), está liderando as articulações para aprovar o substitutivo que veio do Senado e que tem o apoio da bancada ligada ao agronegócio, do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e de boa parte da comunidade científica. “Vai ter uma briga dentro do governo para ver quem tem mais força. Estamos trabalhando com as lideranças do governo e vamos ter maioria para que esse texto horroroso do Renildo [Calheiros] não retorne”.
A força da bancada ruralista pôde ser sentida esta semana, quando o plenário rejeitou a MP 192, que tratava da compra de terras para reforma agrária. Sem votos suficientes para barrar a aprovação de uma emenda que proibia a compra de terras invadidas, o governo teve que aceitar a rejeição integral da MP para não correr o risco de vê-la alterada. “Foi uma demonstração de que estamos bem mais articulados e vamos repetir essa articulação na votação da Lei de Biossegurança”, afirmou Vilela.
Os dois lados também vão se confrontar quando for votada a MP 223, que liberou o plantio da próxima safra de soja transgênica. Terminou nesta quinta-feira o prazo para apresentação de emendas. A bancada ruralista propõe ampliar em até seis meses o prazo para comercialização da safra transgênica, liberar a comercialização de sementes de soja geneticamente modificada e acabar com a obrigatoriedade de assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta.
Vinicius Doria
De Brasília

Fonte: Valor Econômico

Termina obrigatoriedade da rastreabilidade de bovinos

Prevista para entrar em vigor em menos de 10 dias (01/11/2004), a obrigatoriedade da rastreabilidade de bovinos e bubalinos não é mais um problema para o produtor rural. O Sisbov (Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina), só passa a valer para exportação.
A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), através do Fórum Permanente da Pecuária de Corte recebeu a notícia na tarde desta quinta-feira ( 21/10), em reunião realizada na Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa). Desde o início do ano os produtores rurais lutam para derrubar a medida que além de aumentar o custo de produção, exigia prática de difícil manejo na lida do gado. A rastreabilidade é uma exigência somente do mercado comum europeu e estava atingido todos os produtores, indistintamente de produzirem para exportação ou não.
O presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Leôncio de Souza Brito Filho participou de grupo de trabalho criado pelo Mapa para estudar o Sisbov, representando a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e suplente do Fórum Permanente da Pecuária de Corte/CNA. De Brasília Léo Brito informou que o fim da obrigatoriedade trás um grande alívio para os produtores rurais. “Não somos contra a rastreabilidade, porém ela deve ter critérios mais coerentes com os sistemas de produção do Brasil, que por sinal já produz carne de excelente qualidade”, disse Brito, destacando que valeu a pena todo esforço do Fórum Permanente da Pecuária de Corte da CNA, dirigida por Antenor Nogueira e da Câmara dos Deputados através do empenho dos deputados Waldemir Moka e Leonardo Vilela
De acordo com Brito, ao fim da rastreabilidade inclui animais de feiras, leilões e exposições agropecuárias. Ficou defino também que após o reconhecimento do Brasil como país livre da febre aftosa, pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carne Bovina se reunirá para definir novo cronograma para registro, no Sisbov, de propriedades rurais cuja atividade seja a pecuária bovina ou bubalina.
Em relação as exportações, permanece a exigência dos frigoríficos de comprarem animais para abate registrados no Sisbov há pelo menos 40 dias. Também será mantida a exigência de registro dos animais importados.
A regulamentação das novas normas de rastreabilidade será editada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento nos próximos dias.
Eudete Petelinkar

Fonte: FAMASUL

Fruticultura em debate no Mercofrut

Produtores e pesquisadores do setor de fruticultura participam nos dias 27, 28 e 29 do 6º Mercofrut. O encontro ocorre na sede da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas. Os temas são o desenvolvimento rural e a segurança alimentar. E
stão sendo preparadas 16 palestras e painéis com a presença de especialistas do Brasil, dos Estados Unidos, da Itália, da Espanha e do Uruguai. Entre as novidades, estará o ênfase no marketing para divulgação da cadeia produtiva e de venda de frutas. Ainda estão agendadas visitas técnicas e atividades práticas em pomares. Também serão abordados temas como a logística da produção e escoamento das frutas, sistemas de produção e desenvolvimento de empresas frutícolas.
No evento, o Ministério da Integração Nacional e o gabinete de Reforma Agrária e Cooperativismo do governo do Estado assinarão um convênio para o projeto quintais orgânicos de frutas. O objetivo é implantar mil pomares em áreas rurais, urbanas e indígenas para contribuir com o combate à fome.
Serviço
O que: 6º Mercofrut
Quando: de 27 a 29 de outubro
Horário: das 9h às 18h
Onde: Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (Km 78 da BR-392)
Informações: no site www.cpact.embrapa.br ou pelo telefone (53) 275-8208
Público-alvo: produtores, comerciantes, técnicos, professores e estudantes
Inscrições: R$ 50 (profissionais) e R$ 30 (estudantes)

Fonte: Zero Hora – Campo e Lavoura

Produtor brasileiro apóia transgênicos, mas com ressalvas

Os agricultores brasileiros acreditam que o cultivo de organismos geneticamente modificados (OGMs) lhes proporciona benefícios, mas admitem que sabem pouco sobre a tecnologia, afirmam que os possíveis riscos desses produtos à saúde humana ainda não são totalmente conhecidos e acreditam que cabe ao consumidor decidir se quer ou não comprar alimentos com tais ingredientes.
É o que mostram os resultados de uma pesquisa realizada pela Indicator GfK com base em 504 entrevistas com produtores de grãos (68% do total), frutas (11%) e outras culturas (21%) do país, espalhados pelas regiões Sul (152 entrevistas), Sudeste (152), Centro-Oeste (104) e Nordeste (96) e divididos pelo tamanho das propriedades: menos de 10 hectares (9%), de 10 a 100 (38%), de 100 a 200 (16), de 200 a 500 (17%), de 500 a 2000 (12%) e mais de 2000 (8%).
O resultado final foi ponderado conforme dados do IBGE, considerando a distribuição de propriedades com maquinário/trator. O estudo consistiu na aplicação de 18 frases, às quais os agricultores puderam dar notas de zero a 10 – onde zero corresponde à total discordância em relação à frase apresentada e 10, à total concordância. Não foi uma pesquisa apenas sobre a soja geneticamente modificada, mas sobre o cultivo de organismos transgênicos em geral.
O expressivo apoio dos produtores brasileiros aos benefícios que os transgênicos pode ser verificado a partir da análise da afirmação “os transgênicos são melhores para o agricultor”, que recebeu, em média, nota 8, puxada pela maior aprovação no Sudeste e no Sul e por parte de produtores com propriedades com menos de 10 hectares.
Também a frase “os transgênicos são um benefício para o país” recebeu nota 7, mas, nesse caso, com pequeno índice de aprovação dos pequenos. Nesses pontos, a pesquisa reflete o discurso das principais lideranças rurais do país, reunidos em associações como Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Sociedade Rural Brasileira (SRB).
O que as lideranças não comentam, mas foi captado pela pesquisa da Indicator GfK, é que os próprios agricultores, apesar de defenderem o cultivo de OGMs, têm dúvidas sobre sua segurança.
A frase “os possíveis riscos dos transgênicos à saúde não são ainda totalmente conhecidos” recebeu nota média 8, puxada pelo Sudeste e por produtores de praticamente todos os “tamanhos” – exceto aqueles com propriedades com mais de 2000 hectares. E a frase “sei muito pouco sobre transgênicos” recebeu nota média 7, considerada elevada pelos responsáveis pelo trabalho.
“De um modo geral, a pesquisa mostrou que os agricultores sentem falta de maior acesso a informações sobre transgênicos e seus impactos à saúde e ao meio ambiente. Eles têm dúvidas, mas não dizem que nunca vão plantar”, observa Ricardo Augusto Moura e Silva, gerente de atendimento da Indicator GfK.
Carlos Sperotto, presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), vice-presidente da CNA e um dos maiores defensores dos transgênicos no país, considera normais as dúvidas dos produtores. Informado sobre os resultados das questões levantadas, Sperotto afirmou que entre os gaúchos – que se preparam para plantar uma safra de soja de 90% a 95% transgênica – a aprovação é certamente maior, e que nas regiões nas quais o plantio é incipiente o maior nível de incerteza reflete a falta de contato dos agricultores com a nova tecnologia.
Para ele, também é normal que a frase “eu não compro produtos transgênicos para o consumo da minha família” tenha recebido nota média 5 no trabalho. “Nos EUA, uma pesquisa apontou que 37% das mães optaram por não fornecer alimentos com ingredientes transgênicos. É um percentual elevado, mas significa que 63% delas optaram por fornecer”, comparou.
Já o engenheiro agrônomo Ventura Barbeiro, coordenador da campanha de engenharia genética do Greenpeace, que se opõe aos transgênicos, diz que a pesquisa reforça o que a ONG já havia captado no campo: mesmo quem aprova os transgênicos tem dúvidas. “É por isso que uma pesquisa canadense com agricultores do Québec mostrou que 45,3% deles estão totalmente de acordo com a rotulagem de alimentos com ingredientes transgênicos no varejo, e 32,4% estão parcialmente de acordo”.
Entre outros pontos, o estudo da Indicator GfK também sinaliza temor dos produtores quanto ao escoamento da produção transgênica.

Fonte: Valor Econômico

Agreste de Pernambuco terá pólo universitário

O futuro pólo universitário de Garanhuns, a 230 quilômetros do Recife, deverá ser inaugurado até o fim de 2005. A iniciativa é resultado de parceria firmada entre o Ministério da Educação e as universidades Federal e Federal Rural de Pernambuco. O empreendimento, que representa investimentos de R$ 4 milhões, será construído em terreno cedido pela universidade rural.
A idéia é disponibilizar no agreste, região que possui um milhão de habitantes e nenhuma instituição federal de ensino superior, dois centros, um de educação e outro de ciências agrárias para impulsionar o desenvolvimento local. Os centros acadêmicos vão beneficiar 2.500 estudantes que poderão optar por cursos diurnos e noturnos tanto em licenciatura, a exemplo de língua portuguesa e matemática, quanto nas áreas de medicina veterinária, zootecnia e agronomia.

Fonte: Jornal do Comércio

Primeira Dama conheceu clone da Embrapa

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 40 unidades de pesquisa da Embrapa, empresa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, recebeu ontem, dia 19 de outubro, a visita da Primeira Dama da República, Dona Marisa Letícia Lula da Silva. Ela esteve acompanhada do assessor especial da Presidência da República, José Grazziano, do Diretor Presidente da Embrapa, Clayton Campanhola, e do Chefe Geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, José Manuel Cabral entre outros representantes da Empresa, e conheceu diversas pesquisas que vêm sendo desenvolvidas nas áreas de recursos genéticos, controle biológico de pragas e biotecnologia, incluindo o clone bovino “Lenda da Embrapa”, que completou um ano no dia 6 de setembro deste ano, e foi desenvolvida a partir de células ovarianas de uma vaca morta.
Na área de conservação de recursos genéticos, a Primeira Dama conheceu os bancos de menta e orquídea, onde pôde conhecer de perto a extensa variabilidade genéticas dessas duas espécies. Conheceu também o trabalho que vem sendo desenvolvido para cultivo de cogumelos comestíveis e medicinais através da tecnologia chinesa Jun-Cao, que foi adaptada para o Brasil pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e permite baratear o cultivo pois utiliza substratos de gramíneas, ao invés de toras de madeira como nos meios de cultivo tradicionais.
Na área de controle biológico de pragas, Dona Marisa conheceu o bioinseticida Sphaerus SC, desenvolvido pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com a empresa privada Bthek Biotecnologia, para controlar o mosquito transmissor da malária e o mosquito urbano, ou pernilongo. Esse produto foi desenvolvido a partir de uma bactéria recomendada pela Organização Mundial de Saúde, específica para combater o mosquito, e que portanto, não faz mal à saúde da população e ao meio ambiente.
A Primeira Dama conheceu também pesquisas de biotecnologia vegetal, como a produção de plantas transgênicas que serão usadas como vacinas no controle de inúmeras doenças humanas. Já estão em fase de desenvolvimento, em parceria com universidades e instituições de pesquisa, plantas de soja com gene que estimula o hormônio do crescimento; com anticorpo anticâncer de mama e de alface com um gene para controlar a diarréia infantil. Nessa área, ela viu ainda os biorreatores, que são sistemas de produção de mudas com muito mais rapidez, segurança e economia .
Por fim, na área de biotecnologia da reprodução animal, Dona Marisa conheceu as pesquisas de clonagem, culminando com a visita ao segundo clone bovino desenvolvido pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia: a fêmea bovina “Lenda da Embrapa” da raça holandesa, que já está com mais de um ano, e foi desenvolvida a partir de células ovarianas de uma vaca de alto valor reprodutivo que já estava morta.

Fernanda Diniz
fernanda@cenargen.embrapa.br

Fonte
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
http://www.cenargen.embrapa.br

Embrapa lança publicações do Programa de Alimentos Seguros

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento lançou, essa semana, a série de manuais destinados à implantação das Boas Práticas Agrícolas e Agropecuárias, que tem como principais focos a segurança dos consumidores, dos alimentos do campo à mesa, do meio ambiente, dos trabalhadores rurais, alimentar e nutricional, dentro de um enfoque sistêmico, com sustentabilidade.
A série, composta por 18 manuais e quatro vídeos sobre onze culturas priorizadas nessa primeira fase do Programa as como alface, cenoura, caju, melão, maçã, uva de mesa, pimenta-do-reino, castanha-do-brasil, café, milho e amendoim, e dois da área animal sobre leite e ovos, segmentos produtivos e suas respectivas metodologias, processos e boas práticas, vai ser utilizada para capacitar os pequenos produtores rurais para que haja uma produção segura dos alimentos do campo até fase de comercialização.
Desenvolvidos por várias unidades da Embrapa, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), e com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), visa atender o Programa de Alimentos Seguros – Setor Campo.
Segundo o diretor-presidente da Embrapa, Clayton Campanhola, esse programa tem uma grande preocupação com a segurança do consumidor, o que tem levado a um redirecionamento das atividades de P e D, visando o controle de micotoxinas, e de bactérias danosas à saúde como salmonelas e coliformes, bem como o controle de efeitos residuais ocasionados pela aplicação desordenada de agrotóxicos.
“É mais um desafio para os produtores, o que se constitue num fator de competitividade, de racionalização dos custos de produção e de recursos naturais, que através desse programa de alimentos seguros a pesquisa tem conseguido demonstrar na prática o conceito de sustentabilidade nas cadeias do agronegócio”, afirma Campanhola. “Essa questão de considerar o processo de produção no que se refere ao uso de insumos com relação à qualidade ambiental passa a ser um fator diferencial de mercado, para evitar barreiras não tarifárias nos nossos produtos de exportação”, complementa.
O presidente do Sebrae, Silvano Gianni, acredita que é essencial primar por um manejo seguro dos alimentos. “Não adianta obter procedimentos corretos na linha da produção dos alimentos se suas matérias-primas não são plantadas e colhidas também corretamente”, disse.
O ministro interino da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Amauri Dimárzio, acredita que o programa é um salto para a rastreabilidade da produção dos alimentos. “Com isso, melhora não apenas a qualidade desses alimentos como, também, aumenta a renda dos produtores, as exportações e auxilia no combate à fome no Brasil”, conclui.
Na próxima etapa do PAS-Setor Campo, fortalecido pela inclusão do MAPA e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), será desenvolvido um consistente processo de capacitação de pessoal, com a realização de seminários e cursos de formação de multiplicadores e instrutores, palestras e cursos para produtores rurais, treinamento de técnicos e implantação orientada nas propriedades rurais, além da elaboração de manuais específicos para outras culturas agrícolas e área animal, informou Afonso Celso Candeira Valois, coordenador do PAS-Setor Campo na Embrapa.
Atualmente, já desenvolveram ações no PAS-Setor Campo as seguintes unidades descentralizadas: Embrapa Agroindústria de Alimentos, Embrapa Gado de Leite, Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Milho e Sorgo, Embrapa Amazônia Ocidental, Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Amapá, Embrapa Acre, Embrapa Roraima, Embrapa Café, Embrapa Hortaliças, Embrapa Transferência de Tecnologia, Embrapa Gado de Corte, Embrapa Informação Tecnológica, Embrapa Suínos e Aves, Embrapa Algodão, Embrapa Tabuleiros (UEP de Alagoas), Embrapa Semi-árido, Embrapa Agroindústria Tropical, Embrapa Florestas, Embrapa Soja e Embrapa Uva e Vinho.
Histórico
Sebrae e Senai iniciaram o programa em abril de 1998, inicialmente denominado Projeto APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle), que posteriormente passou a se chamar PAS (Programa de Alimentos Seguros), com o objetivo de levar às micro e pequenas empresas materiais instrucionais, capacitação e apoio na implantação de modernas ferramentas, abrangendo toda a cadeia produtiva de alimentos. Posteriormente, o PAS passou a contar com novos parceiros como, a Embrapa, Sesi, Sesc, Senac, Senar e Anvisa.
A indústria alimentícia foi o primeiro foco do programa e ganhou a denominação de PAS-Setor Indústria. Em 2001, o programa passou a contemplar os produtos prontos para o consumo. Assim foi o criado o PAS- Setor Mesa, voltado a bares, restaurantes, lanchonetes etc.
Em 2002, os produtos do campo foram o terceiro foco do programa, que foi chamado PAS-Setor Campo, voltado aos produtores rurais. O PAS-Setor Indústria e o PAS-Setor Mesa já capacitaram técnicos de mais de sete mil empresas, das quais 90% são micro e pequenas. No momento, mais de 3.500 dessas empresas estão implantando as ferramentas Boas Práticas e o Sistema APPCC em seus processos produtivos.
O PAS-Setor Campo tem o objetivo de atender a crescente exigência de qualidade e segurança dos consumidores dos mercados interno e externo em relação aos produtos alimentícios. A indústria de alimentos e o segmento de bares, restaurantes e lanchonetes já são atendidos pelo PAS-Setor Indústria e PAS-Setor Mesa, que são geridos nos estados pelos parceiros.
Devido à atuação do Sebrae nos Arranjos Produtivos Locais (APLs), as metodologias e materiais do PAS estão sendo utilizados nas ações desses arranjos, possibilitando a disseminação dos objetivos do programa em relação à segurança dos alimentos, que se somam às ferramentas de gestão financeira e empresarial, que também são levadas aos micro e pequenos empresários de várias localidades, junto com o PAS.
O que é o PAS-Setor Campo
O PAS-Setor Campo foi concebido através de convênio de cooperação técnica e financeira em 12 março de 2002, firmado entre o SENAI, SEBRAE e Embrapa, para orientar os produtores, técnicos e empresários da produção primária na adoção de boas práticas agrícolas e boas práticas agropecuárias (BPA), usando os sete princípios de APPCC (análise de perigos e medidas preventivas, identificação dos pontos críticos de controle (rastreabilidade), estabelecimento dos limites críticos, estabelecimento dos procedimentos de monitoração, estabelecimento das ações corretivas, estabelecimento dos procedimentos de verificação (rastreabilidade) e estabelecimento dos procedimentos de registros), para mitigar ou evitar os perigos físicos, químicos e biológicos nos alimentos.
Resultados
No Acre, os produtores de castanha-do-brasil já estão controlando a ocorrência de aflatoxinas no produto, elevando o preço da lata de R$ 1,50 para R$ 19,00 com vistas ao processo de exportação.
Elizabete Antunes 
bete@sede.embrapa.br

Fonte: Embrapa

Europa investirá 98 mi de euros em testes de vaca louca

A União Européia (UE) alocará 98,1 milhões de euros em testes contra a vaca louca nos rebanhos das 25 nações do bloco, com o objetivo de prevenir novos casos da doença na região. Os recursos virão do orçamento da UE destinado a controle de doenças animais, de 188 milhões de euros em 2005.
Pelas regras da UE, todo o gado para consumo humano mais velho do que 30 meses deve ser testado para a doença da vaca louca. A União Européia ajuda a bancar os testes, que também são pagos em parte pelos governos de cada país. O objetivo da UE é melhorar os controles sanitários dos rebanhos em 2005.

Fonte: Visão Pecuária

Fórum de Competitividade vai estruturar política nacional de biotecnologia

O governo federal instalou, no dia 14 de setembro, o Fórum de Competitividade da Cadeia de Biotecnologia, uma das áreas consideradas prioritárias na política industrial e de comércio exterior, anunciada em maio último. O fórum, criado pelos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e da Ciência e Tecnologia (MCT), vai reunir setores público e privado, além de universidades e institutos de pesquisa, para estruturar a política nacional de biotecnologia que permita consolidar uma indústria competitiva com projeção internacional.
A nova política deverá ter como foco os estudos de genes e proteínas, cujos avanços prometem consolidar as inovações que dominarão o mercado dentro de alguns anos, na expectativa do governo federal.
A cerimônia de instalação do fórum reuniu mais de 70 pesquisadores no MDIC. “A maioria dos presentes estava acostumada a freqüentar o MCT. O fato de a reunião ter sido no MDIC foi emblemático: sinaliza que a área de biotecnologia abre oportunidades de negócios para o país”, comentou José Fernando Perez, diretor científico da FAPESP, que participou do encontro.
A notável expansão das pesquisas biotecnológicas no país nos últimos anos e o vigor do ainda pequeno parque bioindustrial nacional motivaram a instalação do fórum. Em 2001 estavam em operação no Brasil 354 empresas de biotecnologia – mais da metade de pequeno porte -, com faturamento estimado entre R$ 5,4 bilhões e R$ 9 bilhões, de acordo com levantamento da Fundação Biominas. Juntas, essas empresas geravam um total de 27.825 postos de trabalho.
Na área de pesquisa, o Brasil é o segundo maior contribuinte de seqüências de genes humanos em bancos de dados internacionais, e a pesquisa avança rapidamente na identificação de genes responsáveis por doenças que comprometem a produção de laranja, cana-de-açúcar, produtos de peso na pauta de exportação brasileira.

Fonte: Agência Fapesp

Pesquisadores discutem produção científica gaúcha sobre segurança alimentar

Pesquisadores de ciências agrárias, tecnologia de alimentos, ciências sociais, educação, serviço social, psicologia, nutrição e outros profissionais da área da saúde estarão reunidos nesta sexta-feira (22) para discutir parte da produção científica sobre segurança alimentar e nutricional sustentável desenvolvidas no Estado. O encontro será no Prédio 9 da PUCRS, a partir das 8h30min. A atividade faz parte da Semana da Alimentação, promovida de 16 a 22 de outubro, que tem como tema central este ano “A Biodiversidade a serviço da Segurança Alimentar”.
Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável é um termo recente no Brasil, mas que tem as suas bases num conceito europeu criado na Primeira Guerra Mundial. Com as modificações existentes ao longo dos anos, passou a englobar todas as áreas relacionadas com a elaboração e a necessidade de se conseguir ter uma alimentação saudável, com qualidade e em quantidade suficiente e de modo permanente, buscando garantir um direito humano básico para a cidadania.
Nas palestras serão apresentados sete trabalhos, comentando estudos que vão da análise da percepção dos alimentos transgênicos pelos consumidores até riscos de contaminação pela bactéria salmonela e a questão da vigilância nutricional e educação alimentar da população infantil.
O encontro de pesquisadores é um desdobramento dos debates que já começaram a ser travados pelas universidades, instituições de ciência e tecnologia e outras entidades no Estado nas iniciativas do Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Fesans).
Outra atividade a ser realizada nesta sexta-feira é o debate para a formação de uma rede de cooperação de pesquisadores em segurança alimentar e nutricional sustentável. Esta etapa da discussão iniciará às 13h30min. Depois, os representantes das instituições envolvidas participarão de uma mesa-redonda, na qual serão comentadas as ações que serão priorizadas, a perspectiva de apoio adotada pela Fapergs e um breve relato sobre a realidade estadual.
A entrada é franca e a promoção do encontro de pesquisadores é da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), da seção gaúcha da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos (SBCTA/RS), Associação Gaúcha de Nutrição (Agan) e do Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Fesans). Já, a Semana da Alimentação conta com a participação de diversas entidades da sociedade civil organizada e de vários órgãos públicos, sob a coordenação geral da PUCRS, Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável/RS (Consea/RS) e Ação da Cidadania RS – Comitê Gaúcho.

Fonte: Página Rural