Embargo russo causa prejuízo de US$ 1 milhão por dia ao Brasil

A decisão da Rússia de embargar a compra de carne bovina brasileira pode gerar perdas de US$ 1 milhão por dia para o país. O cálculo leva em consideração o total de exportações do setor realizadas em agosto, que somaram US$ 243 milhões; sendo que o mercado russo foi o principal comprador, com US$ 33 milhões.
“Esperamos que o impasse seja resolvido o mais rapidamente possível, pois do ponto de vista sanitário não há justificativa para a adoção da medida”, diz o presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira.
Em agosto, a Rússia foi o principal destino das exportações de carne bovina, superando Chile e Países Baixos, que antes ocupavam as primeiras posições no ranking dos maiores importadores nesse segmento.
O representante da CNA ressalta que o foco de febre aftosa registrado no Estado do Amazonas, que é o motivo alegado pela Rússia para suspender importações de carne bovina de todo o Brasil, fica em região isolada, sem representar risco de contágio para o rebanho localizado em regiões livres da doença e que fornece carne para as exportações.
No mês de agosto de 2003, as exportações de carne bovina somaram 93 mil toneladas, com faturamento de US$ 109 milhões. Apesar dos problemas gerados pelo embargo russo à carne bovina brasileira, Nogueira estima que as exportações totais do setor em 2004 deverão ultrapassar a marca de 1,6 milhão de toneladas (no conceito “equivalente-carcaça”), com faturamento de US$ 2 bilhões. No ano passado, as exportações de carne bovina somaram 1,3 milhão de toneladas e faturamento de US$ 1,5 bilhão.
Entre janeiro e agosto deste ano, o faturamento das exportações do setor já ultrapassou o total obtido em todo o ano passado, com resultado de US$ 1,556 bilhão, 78% a mais que os US$ 875 milhões registrados em igual período de 2003. Em volume, as exportações de carne bovina somaram 1,147 milhões de toneladas entre janeiro e agosto deste ano, frente 819 mil toneladas, nos oito primeiros meses do ano passado.
“Já ultrapassamos o total de faturamento do ano passado, embora sem ainda atingir o volume remetido em 2003. Isso ocorre porque os preços médios da tonelada exportada, em dólares, são superiores em 25% em relação ao ano passado”, explica Antenor Nogueira. Em agosto deste ano, por exemplo, o preço médio pago pela carne bovina brasileira in natura foi de US$ 2.081 por tonelada, cerca de 10% a mais que o preço médio de US$ 1.891 por tonelada, em agosto do ano passado. O Brasil está exportando maiores volumes de cortes nobres, mais valorizados, o que gera maiores receitas.
Na avaliação de Nogueira, a restrição da Rússia não deverá provocar queda nos preços da arroba do boi gordo no mercado interno, tendo em vista que o governo russo autorizou o embarque das compras efetuadas antes do embargo. Isso dará um fôlego aos exportadores. Mas é necessário que haja uma solução o mais rapidamente possível, para evitar o acúmulo de estoques de carne bovina nos portos.
Pesquisa da CNA e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) mostra que entre janeiro e agosto os Custos Operacionais Totais (COT) da pecuária de corte subiram 7,37%, enquanto que o preço pago pela arroba do boi aumentou apenas 1,2%. Somente o sal mineral, insumo que representa 15% dos custos de produção, subiu 10% de janeiro a agosto.
O setor também começa a ser atingido pelo aumento geral dos preços de rações e suplementos minerais, insumos que não foram beneficiados com isenção de PIS e Cofins quando da edição da Lei n 10.925, de 23 de julho de 2004. Na pecuária de corte, a taxação em 9,25% de PIS e Cofins no sal mineral eleva em 1,3% os custos de produção do setor, o que representa um aumento de despesas para os produtores na ordem de R$ 350 milhões por ano.
Com informações da CNA.

Fonte: Agrolink

Embrapa vai mostrar tecnologia de cultivo de cogumelos comestíveis e medicinais durante evento em Brasília

Uma tecnologia adaptada às condições brasileiras capaz de baratear o cultivo de cogumelos comestíveis e medicinais, já que utiliza substratos de gramíneas ao invés de troncos de árvores e serragem, como nos meios de cultivo tradicionais. Essa é a novidade que a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 40 unidades de pesquisa da Embrapa, localizada em Brasília, DF, vai apresentar durante a Feira de Qualidade de Vida e Jornada de Saúde, promovida pela Administração Central dos Correios em Brasília, que acontece nos dias 30 de setembro e 1° de outubro, das 9 às 17:30 horas. Quem visitar o estande da Embrapa no evento, vai poder degustar as “cenouretes”, variedades de cenoura desenvolvidas pela Embrapa Hortaliças, outra Unidade da Embrapa também localizada em Brasília, que além de mais doces, possuem maior teor de vitamina A.
Os cogumelos são alimentos muito nutritivos – com quantidade de proteínas quase equivalente a da carne e acima de alguns vegetais e frutas, ricos em vitaminas e carboidratos, e com baixo teor de gordura. Além disso, podem ser importantes aliados no tratamento complementar de muitas doenças que afligem a humanidade, como câncer, lupus, HPV (Vírus do Papiloma Humano) e até AIDS, já que estimulam o sistema imunológico. Mas, infelizmente, o alto preço desses produtos no mercado os afasta da mesa da maior parte do povo brasileiro. O consumo no país – cerca de 30 gramas por habitante – ainda é muito baixo quando comparado com outros países, como por exemplo a França, onde o consumo chega a 2 kg por habitante ou a Itália, onde se consome cerca de 1,3 kg .

Tecnologia chinesa adaptada às condições brasileiras

Preocupada com isso, a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Arailde Urben, adaptou para o Brasil uma técnica chinesa capaz de intensificar e baratear a produção de cogumelos comestíveis, já que substitui os meios de cultivo tradicionais (troncos de árvore ou serragem) pelo uso de substrato de capim, junto com outros nutrientes. A técnica, conhecida como Jun Cao (Jun= fungo Cao=gramínea), permite que o cultivo de cogumelos seja muito mais econômico e ambientalmente mais saudável, além de contribuir para ampliar os mercados consumidores.
O Banco de Germoplasma de Cogumelos para Uso Humano da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia conta atualmente com cerca de 200 espécies/linhagens de interesse alimentar e medicinal, incluindo: Oudemansiella canarii e Lentinus edodes (shiitake); Pleurotus ostreatus (shimeji ou hiratake) e Pleurotus ostreatoroseus (cogumelo salmon); Pleurotus flabeliforme; Flammulina velutipes (talo veludo); Hericium erinaceus (macaco branco); Auricularia auricula e Auricularia polytricha (orelha de judeu); Pleurotus erigii; Ganoderma lucidum (cogumelo rei).
Mas a pesquisadora Arailde Urben e sua equipe continuam trabalhando para enriquecer o banco e, para isso, realizam coletas periódicas de cogumelos pelo Brasil. Além disso, a pesquisadora enfatiza que ainda há muito a ser feito para a divulgação dos cogumelos no país e, por isso, promove no mínimo dois cursos por ano na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. “É importante que a população conheça os benefícios desses alimentos para a nutrição e a saúde e passem a incluí-los em sua dieta alimentar”, afirma.

A exposição da Embrapa na Administração Central dos Correios em Brasília acontece nos dias 30 de setembro e 1° de outubro, das 9 às 17:30 horas, no Edifício Sede dos Correios – Setor Bancário Norte Quadra 01 Bloco A.

Autora
Fernanda Diniz
fernanda@cenargen.embrapa.br

Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
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Maior rigor na importação de produtos agropecuários

O Brasil deve seguir a tendência mundial e passar a ser mais rigoroso em relação às exigências sanitárias e fitossanitárias para a importação de produtos do agronegócio. É o que querem governo e iniciativa privada, que esperam, com isso, evitar a contaminação da produção nacional com pragas e doenças que possam servir de argumento para a adoção de embargos às exportações brasileiras.
Especialistas observam que as barreiras sanitárias e fitossanitárias tendem a crescer no comércio internacional, em substituição às travas tarifárias ou mesmo aos subsídios, condenados pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Daí o maior cuidado com itens importados e também com a qualidade da produção interna.
“O Brasil começa a despertar para a importância das barreiras não-tarifárias, mas precisa se articular melhor e até ser mais agressivo nas negociações”, afirma Odilson Ribeiro e Silva, chefe da Divisão de Cooperação Técnica e Acordos Internacionais do Ministério da Agricultura. Ele reconhece que o governo atua de forma pouco organizada nas negociações internacionais e que há pouca conversa entre os ministérios para a definição dos pontos de discussão com outros países. “O Brasil participa de 85 negociações na área agrícola e atua sempre de forma reativa. É preciso propor normas, como EUA, Austrália e Chile fazem”, diz.
Hoje, as principais ferramentas adotadas pelo país para se defender no mercado externo são as medidas antidumping e de salvaguarda . O Brasil também adota requisitos fitossanitários para cerca de 70 produtos provenientes de mais de 100 países. O número é considerado insuficiente pelo setor, tendo em vista que o país produz 190 tipos de culturas, e isso sem considerar a pecuária.
Segundo Marcos Jank, presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), há pouco controle sobre a entrada de produtos agrícolas no país. “É preciso desenvolver mecanismos fitossanitários mais eficientes para evitar a contaminação dos produtos brasileiros”, diz Jank. Ele cita o caso do surgimento do greening nos pomares de laranja de São Paulo – doença até então só detectada na Ásia e na África.
Para Marco Antonio Fujihara, diretor da Pricewaterhouse Coopers, o governo precisa avançar com urgência na definição das barreiras não-tarifárias. “Em todo o mundo, as exigências fitossanitárias e socioambientais estão substituindo as barreiras tarifárias. O país terá problemas se não avançar nessa discussão”.
Odilson Ribeiro, da Agricultura, diz que o governo estuda a ampliação das exigências técnicas e fitossanitárias. Entre as ações previstas está a implantação da Secretaria Agrícola de Negociação Internacional, ainda neste ano.
A secretaria deverá atuar em conjunto com os ministérios de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e de Relações Exteriores, e terá como primeiro desafio analisar 90 dossiês de acordos internacionais existentes.
A nova secretaria também deverá avançar na definição das exigências fitossanitárias e socioambientais para todos os produtos agrícolas importados. As regras, segundo Ribeiro, respeitarão as normas da OMC, como o Acordo SPS, que permite aos países impor barreiras técnicas baseadas em análises de risco, visando proteger a vida de pessoas, animais e plantas. Outro ponto a ser priorizado é a aprovação de regras para indicações geográficas e direito sobre uso de nomes – como o caso do champagne para o espumante produzido na região de mesmo nome na França.
Ribeiro diz que a União Européia tem mais de 4 mil indicações geográficas e nomes, enquanto o Brasil só tem direito sobre o uso do nome cachaça. “É uma forma de diferenciar os produtos, agregando valor a alimentos vendidos hoje como commodities”, afirma. Na lista em discussão pelo governo estão queijo de minas, pão de queijo, mel e um espumante gaúcho.
A terceira meta da secretaria é criar os adidos agrícolas para facilitar as negociações em outros países. Roberto Giannetti da Fonseca, presidente da Silex Trading, considera fundamental criar adidos nos EUA e na UE, onde as disputas agrícolas com o Brasil são mais acirradas. “Ainda somos pouco agressivos quando o assunto é defesa agropecuária”, diz.
Cibelle Bouças de São Paulo







Preocupação com risco de “vaca louca”

O Ministério da Saúde admitiu ontem que a empresa Meizler importou pequenas amostras, para testes laboratoriais, do lote FJM 4437 do hemoderivado Replenine VF 500 (fator IX), produzido em 1995 pela inglesa Bio Products Laboratory (BPL). Segundo a Embaixada Britânica, o lote foi preparado com plasma sangüíneo de doadores que, posteriormente, desenvolveram a doença virótica Creutzfeldt-Jakob, variante humana do mal da “vaca louca”, que ataca o sistema nervoso e pode matar. Ontem chegaram a circular boatos dando conta de um paciente infectado no país, mas a Saúde sustentou que as amostras não foram usadas em tratamento humano.
Vinicius Doria De Brasília

Fonte: Valor Econômico

São Paulo discute os desafios da pesquisa agropecuária

Os desafios da Pesquisa e da Inovação Tecnológica voltados para o Agronegócio Brasileiro é o tema do fórum organizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em parceria coma revista IstoÉ Dinheiro, amanhã, dia 28, em São Paulo. Durante o evento serão debatidos temas como as inovações tecnológicas na agropecuária, e as perspectivas futuras de mercado, produção e consumo de alimentos. O fórum também irá avaliar o desempenho do agronegócio e os principais projetos da Embrapa voltados para o meio ambiente, as comunidades e para o desenvolvimento sustentável.
A idéia dos organizadores é reunir empresários rurais, representantes de empresas de tecnologia, engenheiros agrônomos, zootecnistas e demais profissionais do meio rural, economistas e especialistas dos agronegócio. A abertura será às 9h30, com a presença do diretor-presidente da Embrapa Clayton Campanhola, do presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Freitas e do presidente da editora três, Domingo Alzugaray.
Pela manhã será apresentado o painel – “Contribuição da Inovação Tecnológica para o Desenvolvimento do Agronegócio Brasileiro: Um balanço”, com representantes da Embrapa, da Esalq/Usp e da Bolsa de Mercadorias e Futuros. Às 11h45 haverá o lançamento da revista Dinheiro Rural, da editora Três, que será uma publicação voltada para o agronegócio. As atividades da manhã se encerram com palestra do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, às 13h. A partir das 15h inicia o painel “Mercado Interno e Pesquisa Agropecuária e às 16h, encerra o fórum o deputado federal Antônio Delfim Neto.
Serviço:
Fórum: Os Desafios da Pesquisa e da Inovação Tecnológica voltados para o Agronegócio Brasileiro
Data: 28 de setembro, das 8h30 às 16h45
Local: Hotel Unique – Av. Brigadeiro Luis Antônio, 4.700 – Jardim Paulista – São Paulo
Tel: (11) 3055- 4700
Rose Azevedo
rose.azevedo@embrapa.br

Fonte: Embrapa

Gripe do frango é “ameaça permanente à saúde”, diz ONU

A gripe do frango é uma crise de importância mundial, segundo dois organismos internacionais ligados à Organização das Nações Unidas (ONU). Em um comunicado conjunto, a FAO (Fundo para Agricultura e Alimentos da ONU) e a Organização Mundial para Saúde Animal disseram que o vírus representa uma ameaça permanente à saúde humana e dos animais.
As duas agências internacionais divulgaram um novo conjunto de orientações sobre como lidar com surtos da gripe de frango e sobre formas de impedir que eles ocorram.
O comunicado enfatiza a importância da vigilância e da identificação dos casos ainda no início, o que, segundo as agências, os governos do Leste da Ásia não estão fazendo de forma satisfatória.
Humanos
Na Tailândia, foi confirmado um caso de gripe do frango em uma pessoa, provocando medo de transmissão de um ser humano para outro. No início do mês, a irmã e a sobrinha da vítima morreram com suspeita de terem contraído a doença.
Porém, a Organização Mundial da Saúde (OMS) assegura que não há evidências de transmissão da doença de uma pessoa para outra.
As autoridades na Tailândia estão adotando novas medidas para conter a gripe de frango.
Um porta-voz do Ministério da Saúde da Tailândia disse que voluntários qualificados estão sendo recrutados para fazer o acompanhamento de pessoas com gripes em cada vilarejo na província de Kamphaeng Phet, no norte do país, onde o surto da doença começou. 
BBC Brasil

Fonte: Folha de São Paulo

Saúde nega evidências do mal da vaca louca em hemoderivados

O Ministério da Saúde foi informado na última quinta-feira, pela Grã-Bretanha, de que um lote do produto Replenine VF 500, produzido em novembro de 1995, foi preparado com plasma sangüíneo de pessoas que desenvolveram, após a doação, a síndrome de Creutzfeld-Jakobs, a variante humana do mal da vaca louca. Esse medicamento é o hemoderivado fator 9.
Em nota divulgada nesta segunda-feira, o ministério diz que não há evidência de que algum lote contaminado tenha entrado no país.
De acordo com o jornal britânico “The Times”, a Grã-Bretanha exportou para ao menos 11 países derivados de sangue que poderiam estar contaminados com a doença. Desses países, entre eles o Brasil, cinco estariam em um grupo com maior risco de terem importado hemoderivados infectados no final da década de 90. O governo britânico não divulgou quais seriam esses países.
Segundo o ministério, desde 1998 a compra de hemoderivados da Inglaterra é feita com restrição de doadores. Ou seja, a compra só é feita se a produção foi feita a partir de plasmas sangüíneo importados dos EUA.
Lote
O lote em questão foi exportado pela empresa Bio Products Laboratory. Segundo a Coordenação de Sangue e Hemoderivados, a primeira compra do fator 9 feita pelo ministério da empresa inglesa ocorreu em 1999.
Mesmo assim, o governo irá investigar se esse lote do fator 9 entrou no país por meio ilegal –apenas a Saúde está autorizada a fazer compra de hemoderivados.
Sobre três lotes de Vigam (imunoglobulina) produzidos entre 1997 e 1998, também suspeitos de contaminação, o ministério diz, por meio de nota, que irá investigar se esses medicamentos chegaram a entrar no país. Segundo a nota, “a compra de imunoglobulina é realizada diretamente pelos Estados e só depois ressarcida pelo Ministério da Saúde”.
Hemoderivados
Os hemoderivados são feitos a partir do plasma sangüíneo. Como o Brasil não possui nenhuma fábrica que faça esse processamento, os produtos são importados. Eles são usados nos tratamentos de hemofilia (fator 8) e de queimados (albumina), entre outros.
A importação de hemoderivados é o segundo maior gasto do Ministério da Saúde com medicamentos.
Esse assunto ganhou destaque em maio, quando a Polícia Federal começou a investigar o processo de compra desses produtos. Segundo apurações da “Operação Vampiro”, um grupo manipulava a compra de hemoderivados por meio do pagamento de propina. Foi apontado como centro da fraude a Coordenadoria Geral de Recursos Logísticos do Ministério da Saúde. Desde maio, início da operação, foram presas cerca de 20 pessoas, entre funcionários do ministério, lobistas e empresários.
Auditoria realizada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) nas licitações entre 1996 e 2003 para a compra de medicamentos hemoderivados pelo Ministério da Saúde aponta a existência de um cartel entre os fabricantes pelo menos até 2002. O relatório do TCU, finalizado em outubro do ano passado, diz que a prática de cartel permitiu às empresas adotarem preços 50% maiores entre 1997 e 2002.
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

Fonte: Folha de São Paulo

Produtos ingleses vindos ao Brasil podem conter vaca louca

A Grã-Bretanha exportou no final da década passada para pelo menos 11 países, entre eles o Brasil, produtos sanguíneos que podem estar contaminados com a forma humana da “doença da vaca louca”, aumentando os temores de contaminação da doença, revelou o jornal The Times. O sangue utilizado nos produtos foi doado por nove pessoas que morreram da doença variante Creutzfeldt-Jakob (vCJD) na Grã-Bretanha.
Segundo o diário, autoridades britânicas contataram na semana passada os cinco países que estariam sob maior risco de contaminação por causa dos produtos sanguíneos. O governo britânico, no entanto, não revela quais são esses países. A embaixada brasileira em Londres não recebeu nenhuma notoficação do governo britânico sobre o caso. “Se houve algum comunicado, ele foi feito diretamente para as autoridades em Brasília”, disse um diplomata brasileiro à Agência Estado.
Foram exportados para o Brasil 44.864 frascos de albumina e 80 frascos de imunoglobulina suspeitos de estarem contaminados. Outros países que receberam os lotes dos produtos foram a República da Irlanda, Dubai, Índia, Turquia, Brunai, Egito, Marrocos, Omã, Rússia e Cingapura. Segundo o Times, o caso foi descoberto após o aparecimento no ano passado na Grã-Bretanha de dois casos, nos quais acredita-se que pacientes contrairam a doença através de transfusões de sangue.
Entidades médicas e políticos britânicos condenaram o fato de o governo ter mantido segredo sobre o assunto pois isso pode ter prejudicado o monitoramento da disseminação da doença. Das mais de 150 pessoas que já morreram da doença da “vaca louca”, 143 eram residentes no Reino Unido.
Frances Hall, diretora da entidade Human BSE Foundation, que representa as famílias das vítimas, disse que a recusa do governo britânico em revelar os países que estão sob maior risco é irresponsável. “Está sendo deixado para autoridades estrangeiras a decisão de agir como elas quiserem, mas as maiores precauções precisam ser tomadas em todos os níveis para assegurar que qualquer infeção com o vCJD não ocorra”, disse Hall. “A Grã-Bretanha, tristemente, é líder no vCJD e deveríamos assumir total resposabilidade por isso. Essa doença é uma pena de morte e precisamos tomar todas as precauçòes possíveis”.
Um porta-voz do Departamento de Saúde britânico defendeu a decisão de não revelar os cinco países. Segundo ele, essa ação não seria apropriada e cabe aos países em questão tomar as providências que considerarem necessárias. “Nós estamos fornecendo a eles as informações”, disse o porta-voz. “Adotamos uma estratégia de precaução. Outros países podem adotar a estratégia de não querer fazer nada. Estamos dispostos a aconselhá-los”.

Fonte: Folha do Amapá

Chineses visitam o Brasil para discutir o intercâmbio de recursos genéticos e tecnologias

Uma comitiva chinesa composta por três pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Agrárias (CAAS) – Mei Tao, Chefe da Divisão de Plantas; Ruzhen Chang, pesquisador de Soja; e Liqing Wei, professora associada, Divisão de Pesquisa – visitará a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 40 unidades de pesquisa da Embrapa, localizada em Brasília, DF, no período de 27 a 30 de setembro. O objetivo é discutir detalhes do programa de cooperação em recursos genéticos, além de outras possibilidades de intercâmbio e transferência de tecnologias entre os dois países.
A vinda da comitiva chinesa ao Brasil é um desdobramento da visita da missão da Embrapa à China, no período de 08 a 21 de maio, quando foi assinado um termo de cooperação técnica e científica entre as duas instituições e definido um plano de trabalho para os próximos três anos. Na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia as discussões estarão centradas nos temas intercâmbio de recursos genéticos e cooperação na área biotecnológica.

Troca de listas de materiais genéticos

A primeira atividade realizada a partir da cooperação técnica entre Brasil e China foi a troca de listas de materiais genéticos que podem ser intercambiados entre os dois países. Essa troca foi efetuada durante a visita do Chefe Geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, José Manuel Cabral, ao Institute of Crop Sciences, em Beijing, China, no período de 31 de agosto a 3 de setembro. A lista de materiais disponíveis para intercâmbio proposta pelo Brasil é constituída de 1607 acessos de recursos genéticos, distribuídos por 12 diferentes espécies, incluindo abacaxi, amendoim, algodão, milho, arroz, trigo, melão, soja, feijão, pimenta, etc. A chinesa tem 1500 acessos de 17 diferentes espécies e, além das espécies já citadas na lista brasileira, traz também: cevada, tomate, alface, repolho, caupi, pepino, repolho chinês, mostarda, sorgo e milheto.
Com a vinda da missão chinesa à Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, serão discutidos os detalhes técnicos desse intercâmbio, além de futuras linhas de cooperação na área biotecnológica. Segundo o Chefe Geral da Unidade, os chineses têm interesse especial em soja e arroz de sequeiro (terras altas) e o nosso está mais centrado em soja, arroz híbrido, trigo e hortaliças.
Essa é a quinta unidade de pesquisa da Embrapa que será visitada pela comitiva da CAAS. Eles já estiveram na Embrapa Soja, em Londrina, PR; Embrapa Arroz e Feijão, em Santo Antônio de Goiás, GO; Embrapa Trigo, em Passo Fundo, RS, Embrapa Amazônia Ocidental em Manaus (AM) e durante a sua estadia em Brasília, além da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, visitarão também a Embrapa Hortaliças.

Fernanda Diniz
fernanda@cenargen.embrapa.br

Fonte

Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
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Sociedade civil protesta contra liberação de transgênicos

Movimentos ligados à sociedade civil protestaram durante toda a semana contra a possibilidade de nova medida provisória (MP) que libere o plantio e a comercialização de produtos transgênicos no país. Na última quarta-feira, integrantes do Greenpeace fizeram uma manifestação em frente ao Palácio do Planalto para evitar a publicação da MP. Semana passada, grupos pertencentes a movimentos sociais enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticando a liberação dos produtos geneticamente modificados sem qualquer estudo prévio de impacto ambiental e de risco para a saúde dos consumidores. Para esta semana, várias manifestações estão agendadas em todo o país.
Na carta, representantes de 11 grupos, como Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), chegam a dizer que a edição de uma MP colocará “em posição de profunda frustração com o governo os que, no Brasil e no exterior, aplaudiram a nomeação da ministra Marina Silva (Meio Ambiente) como uma garantia de que as questões ambientais e da sustentabilidade do desenvolvimento seriam assumidas por um governo brasileiro”.
O pedido deles é para que o governo recupere a essência do projeto de Lei de Biossegurança e exija a implementação da rotulagem nos produtos transgênicos. Segundo a nota, “os representantes do governo aprovaram nas comissões do Senado um substitutivo que contraria totalmente o projeto de lei enviado pelo Executivo”.
Em 2003, o governo editou uma MP que autoriza a comercialização e produção da soja transgênica em todo o país. Em seguida, encaminhou ao Congresso Nacional, em dezembro do ano passado, o projeto de Lei de Biossegurança, que regulamenta a pesquisa de organismos geneticamente modificados. Este projeto foi aprovado pela Câmara em fevereiro último e atualmente encontra-se no Senado. Na última semana, o Senado adiou para o dia 5 de outubro a votação deste projeto, por falta de quorum.
Cabe agora ao governo avaliar qual será a melhor solução para os agricultores que aguardam autorização para o plantio de soja transgênica no início de outubro. Na próxima terça ou quarta-feira, Lula se reúne, no Palácio do Planalto, com o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), para decidir se edita uma medida provisória liberando o plantio do produto no país.
Leia a íntegra da carta:
“Exmo. Sr. Presidente da República,
“As entidades e movimentos abaixo assinados assistiram estarrecidos às negociações ocorridas no Senado Federal entre o Ministro Aldo Rebelo e o líder do governo, senador Aloízio Mercadante, e as bancadas da base e da oposição para votar o projeto de lei de Biossegurança enviado por V.Ex.a e aprovado, na sua essência, pela Câmara de Deputados.
“Apesar da manifesta oposição da Ministra Marina Silva e da sociedade civil organizada, os representantes do governo fizeram aprovar nas comissões do Senado um substitutivo que contraria totalmente o projeto de lei enviado por V.Ex.a, e que viola de forma flagrante vários preceitos constitucionais. É imprescindível que os Estados da Federação tenham o direito e a autonomia para estabelecer suas próprias legislações sobre os organismos transgênicos, assim como já o fizeram Paraná, Pará, Santa Catarina, Goiás e Rio de Janeiro.
“Mais chocados ainda ficaram as signatárias com a notícia veiculada pela imprensa que V.Ex.a prepara-se para enviar ao Congresso uma Medida Provisória incorporando este mesmo substitutivo inconstitucional e oposto ao projeto que V.Ex.a assinou, sem dar margem à Câmara de Deputados de corrigir as modificações introduzidas pelo Senado no PL de sua autoria e que o desfiguraram totalmente.
“A proposta aprovada nas Comissões do Senado e que V.Ex.a prepara-se para introduzir em uma MP viola o Princípio da Precaução da Convenção da Biodiversidade, convenção assinada pelo Brasil. Ela prefigura a liberação dos transgênicos sem qualquer estudo prévio de impacto ambiental e de risco para a saúde dos consumidores sem que tais produtos tragam qualquer benefício para os produtores e exportadores brasileiros.
“V.Ex.a aceitou, sem ouvir opiniões contraditórias, a propaganda pró transgênicos de alguns cientistas da Embrapa, das empresas multinacionais de biotecnologia e dos produtores de soja do Rio Grande do Sul, estes últimos iludidos por resultados aparentes e de curto prazo.
“Esperamos ainda que V.Ex.a não amplie a liberação indiscriminada dos transgênicos por medida provisória e que o governo recupere a coerência, defendendo o PL apresentado por V.Ex.a à Câmara de Deputados e garantindo a segurança ambiental, dos consumidores e a soberania nacional, feridas de morte pelo substitutivo mencionado. Neste sentido, exigimos que a rotulagem dos produtos transgênicos seja de fato implementada.
“As espantosas incorreções e equívocos do governo de V.Ex.a neste tema colocam a sociedade civil organizada em posição de profunda frustração com o seu governo e desiludem os que, no Brasil e no exterior, aplaudiram a nomeação da Ministra Marina Silva como uma garantia de que, finalmente, as questões ambientais e da sustentabilidade do desenvolvimento seriam assumidas por um governo brasileiro.
Ainda com últimas esperanças”,
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC)
Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor (FNECDC)
Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA)
Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc)
Centro de Pesquisa e Assessoria (Esplar)
Rede Ecovida de Agroecologia
ActionAid Brasil
Movimento dos pequenos agricultores (MPA)
Movimento das Mulheres camponesas (MMC)
Movimento dos atingidos por Barragens (MAB)

Fonte: Correio do Brasil

Especialista português destaca Agrosoft 2004 como oportunidade única nas relações estratégicas entre empresas brasileiras e

Em entrevista ao Portal Agrosoft, Miguel de Castro Neto, executivo da Agri-Ciência, empresa de consultoria portuguesa especializada na estratégia, planejamento e gestão de negócios agrícolas e de tecnologias de informação, fala sobre a importância do Agrosoft 2004 no estreitamento das relações entre empresas européias e brasileiras de rastreabilidade e segurança alimentar.

Castro Neto também destaca a crescente preocupação dos portugueses e europeus com a segurança alimentar e alerta os produtores brasileiros, especialmente os agropecuaristas, para terem uma atitude pró ativa: “aqueles (produtores) que conseguirem colocar a disposição dos consumidores produtos perfeitamente identificados e com um percurso do produtor ao consumidor totalmente transparente terão uma vantagem competitiva incontornável”. A Agri-Ciência é parceira do Agrosoft 2004, sendo responsável pela organização do evento em Portugal.

PORTAL AGROSOFT: Na sua opinião, qual a importância do Agrosoft 2004 – Rodada Internacional de Negócios, no estreitamento das relações entre empresas européias e brasileiras na área de rastreabilidade e segurança alimentar? Qual a importância do evento está sendo realizado em Portugal?

MIGUEL DE CASTRO NETO: A Europa em geral e Portugal em particular têm vindo a tornar-se um mercado importador de carne de bovino brasileira cada vez mais importante o que, face ? s crescentes preocupações com a higiene e segurança alimentar que vieram reforçar as questões relacionadas com a rastreabilidade, coloca o Agrosoft 2004 no local de encontro privilegiado para os agentes que, em Portugal e no Brasil, se movimentam neste setor de atividade. Assim, este evento, ao reunir os intervenientes portugueses e brasileiros no campo da rastreabilidade da carne de bovino será, sem dúvida, uma oportunidade única não só para trocar experiências, mas principalmente para lançar as sementes de relações de parceria estratégicas, suportadas por interesses e língua comuns, tornando-se Portugal a porta de entrada privilegiada para o mercado europeu.

PORTAL AGROSOFT: Como a Agri-Ciência estará contribuindo para a efetivação dos objetivos do evento?

MIGUEL DE CASTRO NETO: A Agri-Ciência, enquanto empresa de consultoria para o setor agrícola, tem particular interesse na utilização das tecnologias de informação e comunicação como infra-estrutura de suporte a soluções de rastreabilidade, tendo já efetuado algumas incursões exploratórias nesta temática. Neste contexto, a Agri-Ciência considerou a realização deste evento uma oportunidade única para dinamizar a questão da rastreabilidade no setor em que desenvolve a sua atividade, tendo apostado no apoio a esta iniciativa. Esperamos que o Agrosoft 2004 venha a reunir os principais “players” nacionais com os congéneres brasileiros, nomeadamente representantes das instituições de ensino e de investigação, de empresas transformadoras, de entidades certificadoras, de empresas de tecnologias de informação e de investidores.

PORTAL AGROSOFT: Que recado o Senhor daria aos agropecuaristas brasileiros para que eles possam estar se inserindo de maneira sólida no exigente mercado europeu de alimentos?

MIGUEL DE CASTRO NETO: Conforme referi, as crescentes preocupações com a higiene e segurança alimentar que se manifestam atualmente no espaço europeu exigem dos produtores em geral uma resposta muito forte em termos de gestão de informação e de transparência do processo produtivo. De fato, num mercado com consumidores cada vez mais atentos e mais preocupados com a sua dieta alimentar, aqueles que conseguirem colocar ao seu dispor produtos perfeitamente identificados e com um percurso do produtor ao consumidor totalmente transparente terão uma vantagem competitiva incontornável. Se é verdade que a nível europeu a legislação em vigor já regulamenta muitas destas questões, também é verdade que as exigências efetuadas sobre a carne importada ainda não são tão fortes, mas acreditamos que será apenas uma questão de tempo até que através dos acordos de comércio internacional, isto venha a acontecer. Assim, aqueles que tiverem uma atitude pró ativa e preparem esta mudança inevitável conseguirão obter uma vantagem concorrencial que poderá marcar a diferença entre o sucesso e o fracasso.

PORTAL AGROSOFT: Discorra sobre a Agri-Ciência e suas atividades no meio rural.

MIGUEL DE CASTRO NETO: A Agri-Ciência é uma empresa de consultoria que iniciou a sua atividade em fevereiro de 2000. A sua missão é apoiar os seus clientes na melhoria e no progresso das suas atividades, através da prestação de serviços de auditoria e consultoria técnica e econômica nas áreas da estratégia, do planeamento e gestão, da programação operacional e das novas tecnologias de informação e comunicação, formação e marketing. A Agri-Ciência é constituída por uma equipa multidisciplinar, cujos elementos são altamente qualificados e cuja competência é reconhecida no setor em que trabalham. A nossa empresa tem realizado uma série de projetos tais como: diagnóstico de análise estratégica de empresas, planos de desenvolvimento agrícola regional, avaliações de propriedades agrícolas, análise e avaliação de projetos de investimento, estudos de impacto ambiental (uso do solo e atividades agrícolas), desenvolvimento de estratégias na Internet, bases de dados relacionais, sistemas de informação geográfica, formação (marketing, boas práticas agrícolas e tecnologias de informação) e marketing e comercialização (estudos de mercado).

Fonte: Portal Agrosoft