Programa de rastreabilidade bovina do RS vai identificar a origem de 700 mil terneiros

O Programa de Rastreabilidade Bovina do Rio Grande do Sul foi lançado hoje, dia 30, durante a Expointer-2004, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, a 17 quilômetros de Porto Alegre.
O objetivo do Serviço de Apoio às Micro Pequenas Empresas no Rio Grande do Sul (Sebrae/RS) ao lançar o programa em parceria com a Caixa-RS, Governo do Estado e Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) é colocar o rebanho gaúcho em posição diferenciada de competitividade no mercado mundial da carne. A meta é rastrear 700 mil terneiros do rebanho gaúcho nos próximos 12 meses.
A rastreabilidade consiste na identificacão do produto desde o campo até chegar ao consumidor, com informações sobre alimentação, vacinas, manejos, transferências e movimentações do animal, mesmo depois do seu abate. “A rastreabilidade não é só mais uma exigência para a carne que será exportada, mas uma ferramenta para o produtor dar mais competitividade ao seu produto devido às exigências cada vez maiores do consumidor com relação ao produto que está comprando”, destacou a diretora de Operações do Sebrae/RS, Susana Kakuta, ao apresentar o programa. Para fomentar a rastreabilidade do rebanho, foi criado o Bônus de Rastreabilidade Bovina RS, com o qual o produtor terá isenção da inscrição e anuidade nas certificadoras credenciadas no Sebrae/RS para fazer o trabalho.
Além disso, pagarão apenas R$ 1,50 por animal para fazer o rastreamento e o Bônus, com a criação de um fundo de reserva de R$ 1,050 milhão, cobrirá os R$ 1,50 restantes. O preço médio de mercado para rastreamento por animal é de R$ 4,00.
Cada produtor poderá rastrear 300 animais – terneiros (machos fêmeas). Para aderir ao programa, os interessados devem procurar as regionais e balcões do Sebrae/RS em todo Estado ou obter informações por meio da Central de Atendimento ao Cliente, pelo telefone (51) 3216-5006, ou junto aos seu sindicatos rurais. Na Expointer-2004, os produtores podem dirigir-se ao Estande do Sebrae/RS para fazer o cadastramento no programa. “O agronegócio já representa 40% do PIB (Produto Interno Bruto) gaúcho , portanto, não se faz desenvolvimento sem incentivo ao setor primário”, ressaltou o secretário de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais e presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/RS, Luis Roberto Ponte.
O programa contará com uma campanha de sensibilização dos produtores sobre a importância da rastreabilidade com a distribuição de 10 mil cartilhas, 2 mil cartazes, 5 mil adesivos, a realização de palestras no interior do Rio Grande do Sul, além da criação de um site com informações para os sindicatos rurais. “A rastreabilidade é uma questão de segurança, de sanidade, de agregar mais valor ao produto e ganhar qualidade para poder exportar e ganhar mais espaço no mercado internacional”, afirmou o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, durante o lançamento do programa. O Programa de Rastreabilidade Bovina RS está alinhado ao Sisbov (Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina), que regulamenta a rastreabilidade de animais no Brasil.
Estiveram presentes no lançamento do programa o governador do Estado, Germano Rigotto, o secretário da Agricultura, Odacir Klein, o representante da Caixa-RS, Rogério Wallau, além de representantes do Ministério da Agricultura e entidades do setor.
Texto de Cari Rodrigues – Sebrae-RS

Fonte: Sebrae – RS

Cai tributação sobre 10 produtos agrícolas

Foi publicado na sexta-feira no Diário Oficial da União um decreto que isenta 10 produtos agrícolas da cobrança de Programa de Integração Social (PIS) e Cofins. Entre os itens beneficiados, estão arroz, feijão, adubos, fertilizantes, sementes e vacinas para a medicina veterinária. A isenção para o setor agropecuário está em vigor desde julho, mas agora passou a valer oficialmente para esses produtos.
Fonte: Zero Hora

Especialistas indicam lobby para produtores

Para inserir-se de forma definitiva no mercado mundial de alimentos, que deve abastecer 8 bilhões de pessoas em 2030, o Brasil vai ter de lançar mão de muito lobby. Quem defende o uso dessa “ferramenta” são especialistas no setor, reunidos no último sábado na Casa RBS, em Esteio, para ouvir o relato do presidente da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), Jorge Maeda.
Líder da ação movida contra os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), que culminou na condenação dos americanos por descumprimento das regras internacionais de subsídios agrícolas em junho, Maeda contou como, há quase dois anos, começou a briga por direitos iguais no comércio internacional.
– O efeito da decisão virá a médio prazo – observou ele.
Segundo o presidente da Abrapa, o Brasil – que há dois anos era o segundo maior importador de algodão do mundo graças aos subsídios norte-americanos aos produtores locais – exporta hoje 450 mil toneladas anualmente e, dentro de uma década, deve se tornar o maior provedor mundial do produto, exportando 1,5 milhão de toneladas, além do consumo interno de 800 mil toneladas de algodão. Para mover a ação judicial, os produtores brasileiros desembolsaram cerca de US$ 2 milhões.
– Ninguém entra em mercado nenhum de graça, e o empresariado brasileiro é muito tímido – lembrou Paulo Tigre, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs).
O governador Germano Rigotto usou o exemplo da lei de biossegurança, em tramitação no Senado, para afirmar que o Brasil compete com a soja americana e argentina, ambas produções transgênicas, por falta de lobby.
– Temos de pressionar – disse.
Rigotto sustentou que não aprovar a lei de biossegurança dentro do prazo para o plantio da próxima safra é um atraso.
– Vamos continuar na contramão e perdendo espaço para outros países – disse o governador.
Para Antonio Sartori, diretor da Brasoja, o cenário está imposto:
– O produtor vai plantar, não tem volta.
Fonte: Zero Hora – Campo e Lavoura

Rigotto defende política de sanidade animal comum para o Mercosul

O governador Germano Rigotto defendeu, neste domingo, dia 29, na abertura do Fórum Mercosul da Carne, uma política de sanidade animal comum para os países do bloco. O evento ocorre no auditório da Farsul, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
– Para os países ganharem mercados internacionais em conjunto, é fundamental que seja estabelecida uma política de sanidade comum, assegurando competitividade à carne produzida pelo bloco – defendeu o governador.
Rigotto citou dados do setor no Estado, que conta com 13,8 milhões de cabeças e um registro de abate anual de 2,2 mil cabeças. O governador lembrou que o abate clandestino, um dos principais problemas do setor, vem sendo enfrentado pelo Estado em uma força tarefa em composta pelas secretarias da Agricultura e Abastecimento, Justiça e Segurança, Saúde, Fazenda e Meio Ambiente, com apoio de sindicatos e associações rurais e Ministério Público.
Atualmente, 50% do abate de bovinos é clandestino no Rio Grande do Sul. De acordo com o governador, muitos dos frigoríficos que agora estão sendo reabertos com o apoio do Estado, como é o caso dos frigorífico de Alegrete e Dom Pedrito, fecharam devido à concorrência desleal dos abates irregulares.
– O abate clandestino é ruim para a população, devido à falta de fiscalização de sanidade, para a economia e para o Estado, com a perda de arrecadação – completou.
A conquista de novos mercados é outra meta a ser alcançada. O Rio Grande do Sul produz 1,9 milhão de toneladas de carne ao ano, sendo 900 mil na avicultura, 511 mil de carne suína e 440 mil na pecuária de corte. Quase 1 milhão de pessoas trabalham nos setores de leite, corte e couro.
As informações são do governo do Estado do Rio Grande do Sul.
Fonte: Agrol

Avanços apesar das barreiras sanitárias

Os maiores mercados consumidores mundiais de carne bovina continuam compradores, “os nichos se ampliam e o Brasil tem poder para competir”, diz o secretário executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Camardelli. A ampliação da União Européia (UE), com a incorporação de mais 10 novos membros, deverá representar um aumento de 5% nas necessidades de consumo de carne bovina no ano que vem, significando 315 mil toneladas a mais, diz Camardelli. “E não há oferta, fora do Brasil, para atender esse crescimento”, arremata.
No âmbito das negociações entre a União Européia e o Mercosul, prossegue Camardelli, ficou acertado que o Brasil terá 42,5% de qualquer cota adicional que vier a ser negociada para a zona do euro. “A UE apontou um indicativo para 100 mil toneladas de carne bovina, metade agora e metade depois de concluída a Rodada Doha da Organização Mundial de Comércio (OMC). Não podemos aceitar que se condicione uma negociação à outra, mas, qualquer que seja a cota acertada para as exportações de carne bovina para aquele mercado, teremos uma participação de 42,5%”, reafirma Camardelli.
A briga por mercado tende a se acirrar ainda mais, nesta área, como sugerem os desdobramentos da descoberta do foco de febre aftosa no Pará. Mas o Brasil terá que se preparar com mais esmero preservar mercados e conquistar novos. “O País só tem acesso, hoje, a 50% do mercado mundial. Estamos fora dos Estados Unidos, México, Canadá, Japão, Coréia do Sul e Taiwan, entre outros menores”, afirma Camardelli. Aqueles mercados adotam barreiras sanitárias explícitas ao aceitarem a importação de carne in natura somente de países livres de febre aftosa sem vacinação – condição que não é preenchida pelo Brasil.
“O governo não pode fragilizar o agronegócio num momento em que se acirra a competição internacional. Há a necessidade de reforçar os investimentos em defesa sanitária”, defende Camardelli. O orçamento do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para aquele setor, neste ano, havia sido enxugado radicalmente para apenas R$ 68,0 milhões — um recorde histórico negativo, cerca de 23,5% mais baixo do que em 2003 e 52,5% menor do que os R$ 143,4 milhões fixados para 2000. No início de julho, foi aprovada uma dotação extraordinária de mais R$ 44,0 milhões, elevando a verba para R$112,0 milhões – 26% mais do que em 2002, mas ainda 22% menor do que em 2000. Até meados de junho, haviam sido gastos apenas 3,2% dos R$ 9,0 milhões prometidos para o combate à aftosa no País.
Novos avanços na área sanitária, diz Camardelli, tenderiam a agregar ganhos mais do que proporcionais às exportações de carne bovina. “A Jamaica, que segue a mesma política dos Estados Unidos, por exemplo, chega a pagar US$ 4,00 a US$ 5,00 pelo quilo de rabo bovino, enquanto vendemos o mesmo produto para a Arábia Saudita por US$ 1,50”, aponta Camardelli. Em outro exemplo, o secretário executivo da Abiec argumenta que a carne brasileira poderá desembarcar na Coréia a preços cerca de 70% mais baixos do que o produto importado dos EUA e da Austrália por aquele país.
Até o momento, no entanto, esse tipo de barreira não parece impedir o avanço brasileiro, que já ocupa a primeira colocação no ranking mundial dos exportadores de carne bovina. As vendas externas de carnes, incluindo bovina, suínas e aves, em junho deste ano, cresceram nada menos do que 87,5% em relação ao mesmo mês de 2003, batendo em US$ 518,0 milhões, segundo dados da Secex. No primeiro semestre, as exportações nesta área alcançaram US$ 2,766 bilhões, num avanço de 57% diante dos primeiros seis meses do ano passado.
Os dados desagregados mostram um desempenho mais agressivo exatamente para as vendas externas de carne bovina. Em valores, foram exportados US$ 1,105 bilhão, ligeiramente abaixo das vendas de US$ 1,222 bilhão realizadas no Exterior pela indústria de aves. Mas o crescimento da carne bovina foi mais expressivo: um salto de 67,6% frente ao primeiro semestre de 2003, frente a um aumento de 55,7% no caso das exportações de aves. Os embarques de carne suína renderam US$ 302,560 milhões no período, correspondentes a um avanço de 27%.
Mais do que o volume embarcado, que aumentou 27% em relação ao mesmo período do ano passado, representando 508,1 mil toneladas, foi o aquecimento dos preços que teve maior influência no incremento das exportações de carne bovina. Na média, o índice de preços experimentou uma variação de 32% frente aos seis primeiros meses do ano passado. No caso das aves, volume e preços médios observaram taxas próximas de crescimento, na faixa de 22% a 28%. O “efeito preço” torna-se mais evidente no caso dos suínos, que tiveram redução de praticamente 5% nos volumes embarcados, mais do que compensada pelo aumento de 33,5% nos preços médios de venda.
Lauro Veiga Filho, para o Valor De Goiânia
Fonte: Valor Econômico

Novos softwares agilizam os negócios

Uma nova geração de software para gestão do comércio externo, via internet, está ajudando as empresas brasileiras a ganharem agilidade e eficiência nos seus processos de exportação e importação de produtos. Trata-se de um nicho de negócio cada vez mais explorado por grandes multinacionais da indústria de tecnologia da informação (TI), como a Vastera, empresa norte-americana que tem 30% de seu capital em poder da Ford Company. Mas também por fornecedores brasileiros como a SoftLeasing, VisoTrader e Mastersaf, que utilizam sistemas avançados como EDI (Electronic Data Interchange), via web, para automatização dos processos de exportação e importação e fazer a integração de toda a cadeia logística. “O mais importante é proporcionar o domínio do comércio internacional, adequado às normas e políticas governamentais, sem gerar custos adicionais, sem multas ou perdas dos incentivos concedidos aos exportadores”, diz Wagner Fonseca, controller da Vastera no Brasil.
Com mais de cem clientes no país, entre os quais a Lucent, Johnson e amp;Johnson, Goodyear e Cummins, a Vastera comercializa a solução TradeSphere 4.0, uma plataforma colaborativa que automatiza o fluxo de informações necessárias para mover mercadorias através das fronteiras internacionais. Segundo Fonseca, o sistema possibilita, por meio da internet, a centralização das operações de comércio global com módulos para importação, exportação, câmbio, drawback, Linha Azul e Recof.
Outra grande multinacional de software, a SAS Institute, que faturou US$ 1,3 bilhão em 2003, acredita que pode ajudar as empresas brasileiras, em especial do setor agrícola, mineração e automotivo, a aumentar as exportações. São várias maneiras, informa André Petroucic, diretor comercial de manufatura da subsidiária brasileira: auxiliando na otimização do custo logístico, definindo melhor o mix de produtos para exportação e criando previsões adequadas da demanda de exportação. A SAS opera no conceito de inteligência corporativa com soluções que ajudam as empresas a gerenciar melhor a pressão por redução dos custos, a atender às novas regulamentações e maximizar os relacionamentos com os clientes.
A idéia, segundo Petroucic, é evitar estoques parados de mercadorias. “A indústria brasileira estoca suas mercadorias, em média, 33 dias a mais do que a dos Estados Unidos. Com estoque parado, as empresas perdem competitividade e frequentemente precisam recorrer a financiamentos para investimento na produção”, diz ele.
O portfólio de soluções da indústria de software para gestão do comércio exterior é amplo. A Mastersaf, com 350 profissionais e receita de R$ 30 milhões em 2003, tem como foco a área fiscal. Em parceria com a PricewaterhouseCoopers, a empresa lançou a nova versão do Transfer Pricing, um software para gerenciamento de “preços de transferência”, denominação do fisco brasileiro para valores praticados na compra e venda de bens, direitos e serviços entre “empresas vinculadas”, ou seja, que possuem vínculos societários, comerciais ou de interdependência. A novidade do software é a capacidade de identificar e aplicar os métodos de cálculo mais adequados para minimizar a carga tributária nesse tipo de transação entre empresas nacionais e estrangeiras, de acordo com a legislação brasileira. “É um sistema que permite aplicar todos os métodos de cálculo de preço de transferência de forma que a empresa pague o menor imposto”, diz Cesar Augusto Pinela, diretor executivo da Mastersaf.
A SoftLeasing e a VisoTrader operam soluções de automatização do fluxo de informações entre os vários integrantes da cadeia de exportação e importação, mas com soluções customizadas para atender especificidades das empresas. Com quase 50 clientes, a SoftLeasing está adaptando seu sistema de gestão FTM (Foreing Trade Manager) para a Holambra, a principal cooperativa de produção de flores do país. “A intenção é agilizar seus processos de exportação no mercado internacional”, diz Domingos Alcides Mancini, diretor da SoftLeasing. Já a VisoTrader exibe como um de seus casos de sucesso a fabricante de calçados Samello, que exporta US$ 100 milhões por ano. A Samello investiu R$ 500 mil no projeto de automatização dos seus processos de exportação. “Redução de custo e de re-trabalho, melhoria do atendimento aos clientes e transparência e velocidade das informações são os maiores ganhos”, diz Ângelo Virtuoso, diretor comercial da VisoTrader.
Maior vantagem para empresas é a flexibilidade
Flexibilidade é a palavra-chave dos projetos de gestão do comércio exterior que estão sendo adotados pelos exportadores brasileiros. Um exemplo é o da Cummins Latin America, instalada em Guarulhos (SP), com produção de 32 mil motores/ano e faturamento de mais de R$ 1 bilhão. Com a utilização da solução TradeSphere da Vastera, a empresa conseguiu agilizar o programa de importação de peças através do regime aduaneiro Linha Azul, alcançado flexibilidade suficiente para melhorar o fluxo de produção e atender o mercado de exportação de forma mais rápida.
“Se a empresa importasse componentes pelos processos normais, receberia a mercadoria depois de mais de duas semanas de espera nos portos ou aeroportos. Com a Linha Azul, temos possibilidade de receber a mercadoria em até quatro horas. E isso dá um avanço tremendo na hora de programar a produção, permitindo uma linha de montagem mais flexível. Por isso, conseguimos exportar mais”, conta Lúcio A. Nubile, CIO (Chief Information Officer) da Cummins.
Os componentes importados pela Cummins são utilizados na fabricação dos motores diesel, que são exportados para 11 países da América Latina e de outras regiões do mundo. “Pode-se dizer que essa forma de gerenciar o comércio exterior tem permitido à Cummins aumentar a quantidade de modelos de motores produzidos – de 100 modelos há dois anos, para quase 300 modelos atualmente”, diz o executivo.
No caso da PoliBrasil, empresa do ramo petroquímico, fabricante de resina de polipropileno, formada pela associação dos grupos Basell e Cia. Suzano Papel e Celulose, com receita de R$ 907,4 milhões em 2003, a estratégia de utilização de software de comércio exterior visou cobrir a complexidade de suas operações num mercado competitivo. “Nós exportamos resina para mais de 40 países da América do Sul, África, Oriente Médio e Ásia no valor de US$ 60 milhões no ano passado, 15% do faturamento. Precisávamos de um software que trouxesse maior dinamismo e controle de todo o processo de importação e exportação”, diz Mário Morassi, gerente de comércio exterior da PoliBrasil.
A empresa implantou o FTM (Foreing Trade Manager), sistema de gestão informatizada da SoftLeasing, que faz integração, online, com todos os prestadores de serviços que atuam nos vários modais, com módulos também para importação e drawback. O software está integrado com o sistema de gestão empresarial MS Datasul e permitiu a redução do número de despachantes que a empresa tinha em vários países e que controlavam uma imensa frota de caminhões, depósitos de mercadorias etc. “Agora, temos um único prestador de serviços, a Maia Logística, que faz tudo sozinha (com agentes subcontratados): gerencia todo o nosso negócio de exportação, da porta da fábrica aos pontos de destino das mercadorias”, diz Morassi. (G.C.)
Genilson Cezar, para o Valor De São Paulo
Fonte: Valor Econômico

EUA atacam regra da China para soja

Os Estados Unidos protestaram na semana passada contra a nova regulamentação da China para importação de soja, o decreto 73 que ampliou a validade das licenças de inspeção de quarentena da China de três para seis meses e prevê que todos os contratos para importação de soja incluam a quarentena como uma exigência.
Os americanos querem que a China suspenda a aplicação das novas regras, sob a alegação de que para mudar as exigências fitossanitárias, os chineses teriam que primeiro notificar a Organização Mundial do Comércio (OMC) e depois aguardar os comentários de seus parceiros comerciais.
Washington resolveu agir por causa da crescente ansiedade de exportadores americanos de soja, que começam a colher a safra 2004/05 em setembro. A China é principal mercado comprador do grão americano. No ano passado, os EUA exportaram US$ 2,9 bilhões em soja para o país asiático.
O representante comercial dos EUA, Robert Zoellick, enviou ao governo chinês, em 13 de agosto, uma carta conjunta assinada por ele e por Ann Veneman, secretária da Agricultura americana. A carta reitera que as novas medidas da China criaram incertezas.
Para o governo americano, o maior problema do decreto chinês é a afirmação de que os requerimentos de quarentena e de segurança alimentar chineses sejam incorporados em contratos de importação. Segundo os funcionários do governo, essa exigência transfere o risco para o exportador. O argumento americano usado com os chineses é que isso poderá resultar em preços mais elevados para a soja americana, já que os exportadores de soja teriam que arcar com todo o risco.
Recentemente, a China recusou embarques de soja de alguns dos principais exportadores brasileiros alegando que as cargas estavam contaminadas com sementes tratadas com fungicida em níveis acima do permitido. Na época, a notícia do bloqueio da soja brasileira repercutiu entre agricultores dos EUA, que apontaram problemas de crédito entre os importadores chineses e a queda do preço da soja depois dos embarques no Brasil como reais causas das novas restrições fitossanitárias.
Como no caso dos EUA, o Brasil tem a China como principal cliente de suas exportações de soja em grão. De janeiro a julho, os embarques brasileiros ao país asiático somaram 4,4 milhões de toneladas, ou 33% do total, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
As reclamações americanas foram respondidas na quinta-feira pelo embaixador chinês nos EUA, Lan Lijun, que afirmou que a nova regulamentação não afetará as exportações americanas. Mas os EUA continuam pressionando pela mudança nas regras. A carta foi entregue porque um encontro entre negociadores americanos e os ministros chineses foi adiado.
O maior problema com a soja americana na China é a aprovação de importação de milho transgênico, cujos traços em um carregamento de soja podem ser usados para barrar um contêiner.
A segunda questão é o comércio de carne de frango, interrompido entre os dois países desde o surgimento dos casos de gripe aviária. Os EUA reclamam já ter fornecido informações à China confirmando estar “livres” da gripe aviária há mais de seis meses. A China não aprova a importação esperando que os EUA retirem sua proibição à importação de frango chinês, mas os EUA argumentam que não receberam dados suficientes sobre a segurança da carne chinesa.
Tatiana Bautzer De Washington
Fonte: Valor Econômico

Campo debate saídas para cenário adverso

Preocupados com os reflexos da combinação entre a queda das cotações de commodities agrícolas como soja e algodão no exterior, e a alta de insumos como defensivos e fertilizantes, governo e iniciativa privada buscam fórmulas para garantir o crescimento sustentável do agronegócio brasileiro. Embalado pela crescente capitalização observada entre os ciclos 2001/02 e 2003/04, mas já com margens menores na temporada 2003/04, em fase final de comercialização, o setor ajudou a puxar a economia do país nos últimos anos.
Para especialistas, um dos pontos fracos do agronegócio no país ainda é a falta de planejamento. Também a profissionalização, em alguns casos, deixa a desejar. E para Marco Antonio Fujihara, diretor da Price Waterhouse Coopers, essa pretendida sustentabilidade também deve passar por investimentos nas áreas social e ambiental. “O setor investiu em tecnologia e profissionalização, mas isso não garante o aumento da renda no longo prazo, mesmo com aumento da produção”, disse Fujihara, que participou na sexta-feira de um encontro promovido pelo Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial da Universidade de São Paulo (Pensa/USP).
Segundo ele, fatores sociais e ambientais terão cada vez mais peso nas negociações internacionais, já que as barreiras tarifárias tendem a recuar, cedendo espaço às fitossanitárias e socioambientais. “O Brasil precisa investir nessas áreas para agregar valor aos produtos”. Segundo o consultor, o valor bruto da produção agrícola nacional cresceu 35% desde 2002, para R$ 183,6 bilhões este ano, mas o avanço se restringiu às commodities.
Fabio Silveira, diretor da MS Consult, diz que a receita agrícola (“da porteira para dentro”) deve cair em 2005, por conta da queda das cotações das commodities e do aumento da oferta mundial. “Em 2004, a produção atingiu o auge de um ciclo de crescimento iniciado com a desaceleração cambial de 1999. O próximo ano será de acomodação e os seguintes, de retração”, diz.
Para 2005, Silveira estima redução da receita agrícola brasileira de 1,3%, para R$ 118,1 bilhões. Nesse cenário, os principais responsáveis pela queda serão soja e café. Para a soja, Silveira prevê queda de 25% do preço médio, o que provocará redução da receita em 13,5%, para R$ 35,3 bilhões. Para o café, Silveira estima redução dos preços médios em 5% e safra menor, com uma decorrente baixa de 22% na renda, para R$ 5,69 bilhões. Para o milho, também há previsão de preços menores e produção doméstica maior, resultando em receita 12% menor (R$ 14,4 bilhões).
Já a receita com algodão deve aumentar 11%, para R$ 3,09 bilhões. A da cana também deve crescer 11%, para R$ 13,5 bilhões. Também há previsão de alta para arroz (7%), feijão (15%), trigo (13%), fumo (8%) e laranja (8%).
Cibelle Bouças De São Paulo
Fonte: Valor Econômico

Governo de SC estimula rotulagem de vegetais

O governo de Santa Catarina lança hoje uma campanha para que os produtores locais se adequem à lei de rotulagem, em vigor em todo o país desde os anos 90 e que passou a ser cobrada com mais rigor em 2004. A ação pede para que os agricultores identifiquem com clareza, nos rótulos, a origem do produto, com nome, número de inscrição do CNPJ do produtor, endereço, data e peso líquido.
De acordo com informações de Jairo Henkes, diretor da Ceasa-SC, a Campanha de Qualificação da Agricultura Catarinense pretende diminuir as perdas dos produtores e permitir uma maior competitividade aos hortifrutícolas catarinenses. Serão distribuídas cartilhas e cartazes entre os produtores de todo o Estado explicando as normas e os benefícios da rastreabilidade.
“Embora exista uma lei federal desde 1995 exigindo especificações em rótulos, a fiscalização começou a ficar mais intensa agora e por isso decidimos criar campanha de conscientização. Queremos garantir o espaço do produtor de Santa Catarina no cenário nacional, para que eles não corram o risco de chegar em São Paulo, por exemplo, e ter sua mercadoria apreendida”, explica Henkes.
A campanha envolve a Ceasa gaúcho e também a paranaense. As centrais pedem que os produtores se preocupem com informações no rótulo de pelo menos nove produtos: alho, batata, cebola, tomate, abacaxi, kiwi, maçã, uva rústica e uva de mesa. Em Santa Catarina, a campanha envolve também a banana, devido à preocupação do Estado em se proteger do fungo causador da sigatoka negra. De 1º de novembro a 31 de dezembro, caqui, abacate, maracujá, tangerina, repolho, morango, cenoura, manga, alface, pimentão e vagem passam a ser alvo da campanha.
A fiscalização está a cargo de Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e Ministério da Agricultura.
Vanessa Jurgenfeld De Florianópolis
Fonte: Valor Econômico

Instituto Milênio conclui seqüenciamento genético dos citros

Pesquisadores de uma rede de instituições que fazem parte do projeto Instituto do Milênio, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), encerram o mapeamento genético funcional e comparativo dos citros, um estudo que demorou dois anos e meio e custou R$ 4,4 milhões. A importância dessa pesquisa esta diretamente ligada a posição do Brasil como maior produtor mundial de frutas cítricas e de suco de laranja, num setor que movimenta US$ 10 bilhões por ano e gera US$ 1,5 bilhão de exportações.
Na pesquisa sobre citros foram feitas cerca de 200 mil seqüências de genes das principais frutas e suas variedades, como laranja, lima, tangerina e limão, gerando um banco de dados quatro vezes maior do que qualquer outro existente até agora no mundo. Na próxima semana serão discutidos os primeiros resultados em um encontro de trabalho do grupo de pesquisa e os dados finais serão apresentados em outubro, durante uma reunião das 15 instituições que compõe o Instituto do Milênio.
Com o seqüenciamento, os pesquisadores do Instituto Milênio estão aptos a desenvolver variedades dessas frutas resistentes às doenças e pragas que ameaçam o parque citrícola brasileiro, o maior do mundo com cerca de 300 milhões de plantas cítricas. Outros genes possibilitarão maior controle à seca, alteração da cor, teor nutricional e acidez, dentre outras aplicações. Além de possibilitar um combate às doenças, que representa 60% dos custos de produção, os resultados das pesquisas possibilitarão ainda o desenvolvimento de variedades de frutas cítricas com mais vitaminas e até mesmo com o gosto preferido pelo consumidor.
Fazem parte do projeto Instituto do Milênio o Centro de Citricultura de São Paulo, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná, o Instituto Biológico e a Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais. Com informações do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Fonte: Redação – Portal Agrosoft