Projeto dos transgênicos preocupa Roberto Rodrigues

Melchíades Cunha Júnior


O projeto de lei aprovado na Câmara que regulamenta o plantio de sementes transgênicas já está no Senado e o Ministério da Agricultura está trabalhando para que seja modificado, concedendo uma isonomia entre a pesquisa doméstica e a externa. Foi o que informou o ministro Roberto Rodrigues, entrevistado no Jornal das Dez, da Globo News. Ele se disse preocupado com uma questão básica: sua aprovação até o final de agosto, início de setembro, a fim de que não interfira no próximo plantio.

“Aí ficaríamos sem um aparato legal adequado, o que vai criar um estado de ilegalidade, porque o governo não vai editar mais uma medida provisória.” A expectativa do ministro é que o Senado possa rever o projeto, para que ele volte à Câmara Federal. “É um processo lento a ser resolvido nessa área, para um assunto tão importante.”


Jornal O Estado de São Paulo – 30/06/2004
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Rússia aceita explicações e acaba com embargo à carne

Fabíola Salvador

São Paulo – O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, anunciou nesta manhã que a Rússia suspendeu o embargo à carne brasileira. O acordo que prevê o fim do embargo foi assinado pelo secretário de produção e comercialização do Ministério, Linneu Costa Lima, com o diretor do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária do governo da Rússia, Serguei Dankvert. Segundo o ministro Rodrigues, o acordo assinado pelo Brasil garante que nos Estados que tradicionalmente exportam carne não foi registrado foco de febre aftosa. O registro de um foco no rebanho do município de Monte Alegre, no Pará, levou a Rússia a suspender as compras de carne, no último dia 18.

“Ao assinar o acordo, o governo brasileiro deu a tranquilidade para que os compradores russos continuem importando nossas carnes”, afirmou o ministro. Ele disse ainda que um acordo fechado no governo passado, pelo então secretário de Defesa Agropecuária, Luiz Carlos de Oliveira, determina que o Estado vizinho à região do foco não pode exportar carne bovina. Por isso, o Mato Grosso não pode vender carnes para o mercado da Rússia.

Rodrigues acrescentou que essa suspensão ao Estado do Mato Grosso é provisória e pode se estender por no máximo 12 meses. Quanto a possibilidade do Brasil flexibilizar as regras para importar trigo da Rússia, o ministro disse que esse assunto foi tratado em reuniões paralelas entre Costa Lima e Dankvert, mas que não se chegou a um acordo que permitisse a importação de trigo russo. “Não houve nenhum tipo de troca”, completou Rodrigues. Com isso só a Argentina mantém o embargo à carne brasileira.


Jornal O Estado de São Paulo – 30/06/2004
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Justiça pede EIA/Rima para soja transgênica

Da Redação – Brasíilia


Ainda que tenha sido considerada positiva pelos defensores do plantio e da comercialização de organismos geneticamente modificados (OGM) no Brasil, a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região de reconhecer a competência da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para liberar o plantio e a comercialização de soja transgênica em escala comercial não altera a situação atual, conforme a opinião de especialistas.

Isso porque os desembargadores decidiram, por dois votos a um, manter a liminar da justiça federal de 1ª instância que obriga a realização de estudos de impacto ambiental como pré-requisito para a liberação do plantio de soja transgênica.

Na prática, portanto, até que se esgotem todos os recursos à decisão do TRF continua valendo a decisão cautelar, que proíbe o plantio e a comercialização da soja geneticamente modificada até que sejam realizados tanto o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e quanto o Relatório de Impacto Ambiental (Rima).

Defensor da realização de EIA/Rima desde 1998, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) louvou a manutenção da liminar e voltou a questionar, em comunicado, o “impacto não avaliado do aumento do uso do herbicida glifosato nas lavouras”. Conforme a entidade, a demanda pelo agrotóxico triplicou no Rio Grande do Sul nos últimos anos. Conforme o Ministério da Agricultura, o Estado responde por 88% da produção brasileira de soja transgênica, e concentra 93% da área plantada com o produto. (VD)

Jornal Valor Econômico – 30/6/2004
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Embargo a carnes faz país perder US$ 36 mi

A suspensão temporária das compras de carnes brasileiras por Rússia e Argentina, após a descoberta de um foco de febre aftosa em Monte Alegre (PA), fez os exportadores brasileiros deixarem de embarcar, até ontem, cerca de US$ 36 milhões em carnes. Os prejuízos maiores são com a carne suína, já que a Rússia, o maior cliente do Brasil, suspendeu as compras desde o dia 18. No dia 23, foi a vez da Argentina, terceiro mercado para a carne suína brasileira, anunciar a suspensão das importações.

De acordo com o diretor-executivo da Abipecs (reúne exportadores de carne suína), Cláudio Martins, o país deixou de embarcar para Rússia e Argentina cerca de US$ 25 milhões, o equivalente a 20 mil toneladas. Os cálculos têm como base os embarques em todo o mês de maio, que somaram quase 50 mil toneladas.

Martins, que também é diretor da Abef (exportadores de frango), estima que as perdas com as vendas de frango somam US$ 3 milhões. Esse valor corresponde a um volume de 4 a 5 mil toneladas que o Brasil embarca para a Rússia num período de 10 dias.

No caso da carne bovina, a estimativa é de perdas de US$ 8 milhões em embarques que deixaram de ser realizados para a Rússia, segundo a Abiec (reúne exportadores de carne bovina). Os cálculos levam em consideração os embarques feitos entre janeiro e junho deste ano para o país, que totalizaram US$ 83 milhões.

O secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Linneu da Costa Lima, se reuniu ontem em Moscou com o diretor do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária da Rússia, Sergey Dankvert, para negociar o fim do embargo à carne brasileira. Ainda não há previsão para a retomada dos embarques. As negociações prosseguirão hoje.

Uma fonte que teve contato com a missão brasileira disse que as negociações devem ter “desfecho positivo”. Segundo essa fonte, a reunião de hoje será técnica, para discutir a possível abertura do mercado brasileiro ao trigo russo.

Em Brasília, o secretário de Política Agrícola, Ivan Wedekin, disse que é possível liberar a importação de trigo da Rússia, desde que o produto atenda às exigências fitossanitárias e tenha preço competitivo. A liberação das importações de trigo da Rússia está sendo negociada como compensação para a reabertura do mercado russo às carnes do Brasil. “O Brasil precisa de trigo, não é auto-suficiente e nem será no curto prazo. Se tiver qualidade e preço, pode vir da Rússia, Ucrânia ou Argentina”, disse.

A análise de risco para o trigo russo já foi feita, no entanto, o Brasil quer informações sobre cinco ervas daninhas que atacam as lavouras da Rússia.

A secretaria de Defesa Agropecuária soube, por agências internacionais de notícias, do pedido da Associação Irlandesa de Criadores de Gado para que a União Européia suspenda a importação de carne bovina do Brasil, mas não recebeu nenhuma informação oficial de novos embargos.


Jornal Valor Econômico – 30/6/2004
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Alda do Amaral Rocha e Vinicius Doria De São Paulo e Brasília

Maçao Tadano: fim da crise da soja

A assinatura de um acordo entre Brasil e China pôs fim na polêmica da exportação de soja que se arrastou desde abril. O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Maçao Tadano, informou que a China vai definir os critérios para amostragem e inspeção nos carregamentos de soja exportados para o país. Até a definição dessas regras, os chineses vão aceitar o padrão brasileiro de uma semente tratada para cada quilo de soja, conforme a Instrução Normativa nº 15, de 11 de junho, explicou Tadano sobre o acordo para a retomada das exportações de soja brasileira.

ESTADO DE MINAS – Como ficam as cargas que saíram do Brasil antes da Instrução Normativa nº 15 e estão em trânsito.

MT – Os dois países concordaram que haverá procedimentos de coleta de sementes de soja coradas e tratadas. Se forem detectadas tais sementes em não-conformidade, antes da descarga, as partidas somente serão autorizadas a descarregar na China se satisfazerem às exigências chinesas. Os exportadores cobrirão todos os custos dos procedimentos, caso contrário a carga será rechaçada. Existem estimativas de que deve haver ao longo do trecho Brasil-China perto de 20 navios. Pode ser mais ou menos. Existe este número de navios que estão ao longo do mar.

Nesse caso, para esses 20 navios a tolerância é zero e eles podem ser devolvidos?

MT – Sim. A tolerância é zero, mas eles não podem ser devolvidos. Se tiver matéria estranha, as empresas vão ter que arcar com a seleção dessas cargas, caso sejam encontradas essas presenças de matéria estranha.

Pode chegar num ponto em que a China chegue a exigir zero semente num navio? Isso pode acontecer ou está descartado?

MT – Não acredito nisso, segundo o que nós conversamos. Na verdade, essa preocupação dos dois países ficou manifesta inclusive no próprio texto do acordo. As autoridades chinesas reconheceram e expressaram os cumprimentos pelas medidas adotadas, como a inspeção, auditorias, apreensão, rechaço. Tudo isso que nós fizemos no Brasil foi reconhecido e aplaudido pelo Ministério da Quarentena da China.

Tem algum documento que diz ao Brasil que a China, a partir de agora, vai aceitar uma semente por carregamento ou carregamentos cujas análises laboratoriais estejam dentro dos padrões internacionais?

MT – Não. Na instrução normativa é uma partícula por quilo, na amostragem. Então nós não vemos dúvida com relação a isso aí. Só que, naturalmente, as autoridades chinesas devem continuar conversando conosco em relação à implementação de normas a ser adotada pela parte chinesa. Nós não podemos colocar dentro da China uma norma brasileira, cada país tem sua norma e nós temos a nossa. Então é por isso que ficou colocado neste parágrafo que vai haver este intercâmbio de informação em relação aos critérios a ser adotados pela China com relação aos procedimentos dela.

Então a impressão que o senhor tem, colhida depois de uma reunião com os chineses, é que o modelo que eles vão adotar não vai ser de tolerância zero?

MT – A leitura que nós temos é tranqüilamente isso aí. Agora, para as cargas anteriores ao dia 11 eles podem adotar a tolerância zero, porque é um compromisso que as empresas responsáveis pela carga farão de, caso encontrem a presença de matéria estranha, fazer a assepsia. Isso ficou bem claro.

Então até que haja essa metodologia chinesa eles vão aceitar o padrão brasileiro de uma semente para cada quilo de soja?

MT – Exatamente.

Quando é que eles publicam o documento?

MT – Foi feita uma solicitação e nós esperamos que seja o mais rápido possível. Essa é a leitura que nós temos.

O senhor acredita que depois dessa instrução normativa a soja brasileira não vai ser mais barrada na China?

MT – Veja bem, a instrução normativa é uma meta de conduta para todos. Mesmo assim, no caso de quaisquer procedimentos de não-conformidade da empresa ou de outro técnico que trabalhe com a classificação, se for superada a tolerância prevista, a carga poderá ser rechaçada. Não há porque não ser rechaçada. Veja bem, não é uma abertura para fazer o que eles querem. Isso daí está claro. Nós temos que entender que precisamos criar uma consciência em todo o setor, em toda a cadeia. Não há porque colocar semente tratada em matéria que possa ser destinada ao mercado interno nem ao mercado externo.


Jornal Estado de Minas – Suplemento Agrícola – 28/06/2004
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Reações da Rússia e China são normais, diz Pratini

Rosana de Cassia

Brasília – O presidente da Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne e ex-ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, considera normal a reação de alguns países como a China e a Rússia, que recusaram recentemente as exportações de soja e carne brasileiras. “Eu acho que nós temos de nos acostumar que quando o Brasil cresce e assume as posições que está assumindo como agora, na posição de liderança internacional de soja e de carne vem pau por aí, como foi o caso do café solúvel, dos calçados, do aço e do suco de laranja”, disse Pratini de Moraes, em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo.

Na avaliação de Pratini de Moraes, o Brasil está “atrapalhando a concorrência” ao tomar a posição de liderança na produção de alguns produtos. “Eu não tenho dúvida nenhuma de que as vantagens competitivas que o Brasil tem hoje na carne, tanto bovina como suína e de frango, na soja, na celulose, no aço e no couro são quase que absolutas. Ninguém pode competir com o Brasil e o País precisa assumir essa posição, explorar as suas oportunidades no mercado e aprender que sempre vai ter dificuldades reais”, disse.

Descuido
Para ele, a aftosa no Pará, apontada como causa do embargo da carne brasileira pela Rússia e a Argentina, foi um “descuido na vigilância sanitária”. “É muito importante e provavelmente a atividade mais crucial nesta fase do Brasil, de afirmação do agronegócio, a sanidade animal e vegetal. Se não quer aftosa tem de vacinar. E tem, de vacinar 100% dos animais”, defendeu o ex-ministro que atribui o problema à falta de dinheiro para a vacinação.

“Os Estados mais pobres precisam de recursos federais. Nos últimos dois anos tem havido insuficiência desses recursos”, disse Pratini de Moraes, numa discreta referência ao governo do PT. “É preciso colocar recursos, não é muita coisa, para os veterinários irem às propriedades e com isso evitar que a doença se espalhe”. Para Pratini, o governo foi rápido na resposta aos embargos mas ressaltou que “talvez” a resposta não tenha sido suficientemente efetiva.

“O que é importante neste momento é que o Brasil hoje é o maior do mundo e nós precisamos estar preparados para isso. Temos de evitar, também, misturar questão comercial com questão ideológica e política. Isso é uma questão comercial, tem de ser tratada comercialmente”, defendeu Pratini de Moraes.

“Não pode haver falha sanitária na questão da carne. Nós temos de enfrentar as nossas negociações internacionais como líderes e não como países que estão começando. Nós temos de cobrar da OMC uma atitude mais rigorosa para evitar abuso na questão sanitária e não podemos admitir que um país como a Argentina, por exemplo, bloqueie a importação de carne do Brasil porque houve um foco de um animal com aftosa numa região que não está livre de aftosa que é a Amazônia”.

Segundo Pratini, o Brasil precisa ter uma posição mais pró-ativa. “Temos que cobrar e ter mais firmeza e entender o seguinte: ninguém vai dar colher de chá para o Brasil. Nós temos de conquistar o nosso espaço com muito trabalho e fazer direito o dever de casa, conferindo aos nossos produtos qualidade e sanidade. Aí o Brasil vai continuar desenvolvendo o seu agronegócio”.


Jornal O Estado de São Paulo – 29/06/2004
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Governo reforça combate à aftosa no Pará

Da Redação

Governos Federal e estadual destinam recursos para fortalecimento da defesa no setor

Está prevista para o próximo dia 1ª de julho a assinatura, em Belém, de um convênio do Ministério da Agricultura, do Governo Federal, com o Governo do Estado, via Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), e demais Estados do Norte e Nordeste do País. Orçado em R$ 3,6 milhões, o convênio visa o fortalecimento da defesa agropecuária. Segundo o diretor geral da Adepará, Luiz Pinto, parte dos recursos, R$ 2,6 milhões virão dos cofres do Governo Federal. O restante, R$ 1 milhão, será repassado pelo Governo do Estado e será destinado para a manutenção e ampliação da atenção sanitária no Pará.

Riscos – A informação foi repassada aos membros do Sindicato Rural de Santarém e aos criadores de Monte Alegre, no Baixo Amazonas, esta semana, quando representantes do governo estadual visitaram os dois municípios para tranqüilizar a região de que não há nenhum risco de proliferação da aftosa no Estado, já que a Adepara está atuando com rigor nas três zonas paraenses, fazendo vigilância, fiscalização e controle da doença. Luiz Pinto afirma que o Pará foi escolhido para sediar a assinatura do documento por ser considerado o Estado brasileiro com maior potencial de crescimento nessa área, a partir da utilização correta da área já ocupada e da abertura de novas áreas de criação, seguindo o modelo de Zoneamento Ecológico Econômico do Estado. “O Pará tem mais de 15 milhões de cabeças de gado e essa produção pode crescer em produtividade e exportação”, afirma.

Crescimento do PIB paraense supera taxa nacional

A informação confere com números divulgados em dezembro de 2003 pela Diretoria de Estudos, Pesquisas e Informações Sócio-Econômicas da Secretaria Executiva de Planejamento, Orçamento e Finanças (Sepof), em conjunto com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) do Pará cresceu 4,7% em 2001, atingindo a marca de R$ 21,7 bilhões. Este desempenho fez o Estado subir uma posição no ranking do PIB no Brasil, passando de 13º, posição alcançada em 2000, para 12º lugar em 2001. O crescimento do PIB paraense superou em muito a taxa brasileira, que foi de 1,3% para o mesmo período, e encostou-se à média da Região Norte, que registrou 4,76% de crescimento em 2001. O Estado ocupa a liderança regional, participando com 38,14% na composição do PIB do Norte.

Importância – A participação paraense na composição do PIB nacional a preço de mercado também aumentou, passando de 1,76% para 1,81% no mesmo período. Uma participação importante, quando se leva em conta que a soma dos PIBs dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os três primeiros colocados na lista, representa mais de 55% do Produto Interno Bruto nacional. O setor agropecuário paraense contribuiu para esse crescimento com 4,33%. O PIB agropecuário do Estado atingiu, naquele ano, R$ 4,8 bilhões, com uma participação de 23,44% na composição do PIB estadual, confirmando a trajetória de crescimento iniciada em 1998.

Reconhecimento internacional de área livre depende de parceria

Os dados da Sepof, divulgados sempre com um intervalo de dois anos, em função da metodologia utilizada, que requer a coleta de informações que só estão disponíveis após o encerramento de cada ano, como os balanços de empresas, por exemplo, podem surpreender em 2005, caso o Pará consiga o reconhecimento internacional da Zona I como Zona Livre da aftosa, que já é reconhecida nacionalmente. A avaliação está sendo feita pela Organização Internacional de Epizootias (OIE), em Paris. A organização deve divulgar o resultado até o mês de outubro deste ano. O pedido envolve a região centro-sul do Estado do Pará, juntamente com o Estado do Acre e dois municípios do Estado do Amazonas, que constituem a proposta brasileira para ampliação da zona livre de febre aftosa com vacinação. O processo de reconhecimento internacional é conferido pela Organização Mundial de Saúde Animal, através da OIE. Mas, a Adepará, criada em 2002, para atuar na proteção, defesa e garantia da produção e da produtividade sustentada de alimentos no Estado, faz um alerta. “Não existe a mínima condição de alcançarmos o status de área livre para o rebanho paraense sem a efetiva parceria com o produtor”, afirmou Luiz Pinto.

Especulação é um problema ainda maior que a doença

A Zona I, que envolve 43 dos 143 municípios do Pará, abriga hoje 647 km de terras, totalizando 54.748 propriedades criadoras, com um rebanho de 10.699.783 cabeças. A cobertura vacinal nesta área é de 94,32%. Porém, nas últimas duas semanas, Rússia e Argentina suspenderam a importação de todas as carnes brasileiras após a informação de que havia um foco de aftosa no Pará. A decisão deixa o Brasil, e em especial o Pará, em uma situação delicada. O que é mais grave é que a especulação está sendo maior que o problema. No caso da Rússia, por exemplo, a decisão foi tomada por que o governo daquele país achou, a princípio, que o foco era no Paraná e não no Pará. A Argentina seguiu o exemplo da Rússia, mesmo sem a confirmação de que o foco era comprovado. Segundo o diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária do Pará, Luiz Pinto, que passou dois dias nos municípios de Monte Alegre e Santarém, esclarecendo aos pecuaristas, imprensa e demais segmentos sobre a ação do Estado e do Ministério da Agricultura contra a aftosa, o problema todo foi gerado pela falta de informação ou pela divulgação incompleta dessa informação. “Não temos um foco de aftosa no Pará. Temos a suspeita de que, do material coletado em três animais, um único pode ter aftosa, já que apresentou os sintomas da doença”.
Fases do exame Luiz informa que a comprovação da aftosa só acontece após a realização de três fases do exame laboratorial e que apenas os resultados do primeiro exame foram divulgados, restando ainda duas fases a serem feitas com o material coletado esta semana. O resultado final só sai na próxima semana e será divulgado pelo Laboratório de Patologia Animal do Ministério da Agricultura. Ele também adiantou que o sacrifício dos 160 animais da fazenda São Francisco não está descartado e que todos os procedimentos necessários já foram tomados, como o isolamento da fazenda, a publicação da portaria 002, que proíbe o trânsito dos animais em um raio de 25 km da fazenda suspeita de abrigar o foco e do trabalho conjunto entre Adepará, Delegacia Federal de Agricultura, sindicatos, associações de criadores e demais segmentos na região. Mesmo assim está havendo o que ele chamada de teoria de informações truncadas. “Estamos sendo transparentes com o público nesta situação e agindo de acordo com o Código Sanitário. Mas, após uma reunião com o secretário Especial de Produção, Vilmos Grunvald, vamos avaliar a situação. Se for necessário, teremos que sacrificar os animais. O abatimento sanitário será em um matadouro de Santarém”, afirmou.


Folha do Amapá – D´´ario do Pará
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FAO aprova tratado sobre recursos genéticos das plantas

Da Redação

Alimentação e agricultura no centro das preocupações

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) anunciou hoje a entrada em vigor de um tratado internacional sobre os recursos genéticos das plantas, que é considerado “essencial para a agricultura”. O documento foi finalmente ratificado por 55 países, o que o torna válido.

Este tratado é “um texto juridicamente vinculativo sobre a agricultura sustentável”, que adquiriu hoje força de lei ao ser ratificado por 55 nações, e que marca o início de uma “nova era”, segundo o secretário da comissão intergovernamental sobre os recursos genéticos para a alimentação e agricultura, José Esquinas-Alcázar.

O documento abarca 35 culturas para alimentação humana e 29 culturas para pasto e forragem e agrega pela primeira vez, num texto deste tipo e à escala mundial, as comunidades locais e indígenas e os agricultores de todas as regiões do mundo num compromisso de “conservação e desenvolvimento dos recursos genéticos das plantas”, frisa a FAO.

A partir daqui, os governos devem acordar com os camponeses o direito de participar nas tomadas de decisão nacionais e de lhes outorgar uma “parte equitativa dos benefícios derivados dos recursos genéticos das plantas”, informa a agência.

Na prática, há hoje 150 espécies vegetais que alimentam toda a população mundial e o arroz, o milho, o trigo e as batatas representam 60 por cento dessa produção. Fora do tratado estão os EUA, a Argentina e o Brasil, que estão entre os maiores produtores agrícolas à escala mundial.


Jornal Última Hora – 29/06/2004
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Justiça libera soja transgênica, mas decisão depende de julgamento definitivo

Kelly Oliveira – Agência Brasil

A 5ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) decidiu ontem liberar o plantio e a comercialização da soja transgênica Roundup Ready. Pela decisão, as empresas Monsanto, Monsoy e a União não precisam apresentar um estudo de impacto ambiental ao Ibama e ficam valendo as licenças concedidas pela Comissão Técnica Nacional de Biosegurança (CTNBio). Mas, na prática, a liberação só será possível depois do julgamento em última instância.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IBDC), órgão que entrou com a ação, ainda pode recorrer ao TRF, ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior Tribunal de Justiça. A Monsanto vai recorrer para obter a permissão de plantio e comercialização para todas as safras. Uma medida provisória do Governo Federal já havia liberado o plantio com sementes transgênicas existentes e a comercialização de soja já colhida até 2005.


Folha do Amapá – Agência Brasil – 29/06/2004
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Irlandeses querem banir carne brasileira da UE

João Caminoto

Londres – O presidente da associação irlandesa de criadores de gado (ICSA, na sigla em inglês), Robin Smith, solicitou ao comissário europeu responsável pela saúde e proteção ao consumidor, David Byrne, um banimento temporário às importações de carne bovina do Brasil dentro do bloco europeu. Segundo o jornal irlandês Irish Independent, o pedido é uma resposta ao surgimento na semana passada de um caso de febre aftosa no Brasil, os primeiro caso no país em quase três anos.

O diário observa que a Argentina e Russia proibiram as importações da carne brasileira nos últimos dias por causa da doença. Segundo Smith, o departamento de Alimentação e Veterinária da União Européia já havia declarado que o sistema para monitorar o movimento de animais no Brasil não pode ser considerado completamente confiável.

Jornal O Estado de São Paulo – 29/06/2004
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